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Ciência

Cometa Lemmon: o visitante que não voltará por 1.300 anos e promete um espetáculo raro nos céus de outubro

O cometa C/2025 A6 Lemmon atingirá seu ponto mais próximo da Terra em 21 de outubro e poderá ser visto a olho nu em boa parte do hemisfério norte. Com brilho esverdeado e cauda azulada, o fenômeno não voltará a ocorrer por mais de um milênio.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Prepare o telescópio — ou simplesmente seus olhos. O mês de outubro de 2025 reserva um dos eventos astronômicos mais aguardados da década: a passagem do cometa C/2025 A6 Lemmon, um corpo celeste que não voltará a se aproximar da Terra por mais de 1.300 anos. O astro será visível a olho nu em várias regiões do planeta, oferecendo um espetáculo luminoso que marcará a geração de observadores e apaixonados pelo céu.

Um viajante das profundezas do Sistema Solar

O cometa Lemmon foi descoberto em 3 de janeiro de 2025 pelo astrônomo norte-americano Carson Fuls, no Observatório Mount Lemmon, no Arizona — o mesmo que deu nome ao visitante cósmico. Trata-se de um cometa de longo período, com uma órbita de aproximadamente 1.350 anos, o que significa que esta é a única oportunidade em vida para observá-lo de perto.

Após sua passagem atual, o Lemmon seguirá uma trajetória que o levará a cerca de 36 bilhões de quilômetros do Sol, rumo às regiões mais frias e distantes do Sistema Solar, onde permanecerá invisível por séculos até retornar — se retornar.

Quando e onde observar o cometa

Cometa Lemon
© Credit: Victor Sabet/Julien De Winter/NASA APOD

O ponto de máxima aproximação da Terra acontecerá em 21 de outubro de 2025, quando o cometa estará a cerca de 101 milhões de quilômetros do planeta. Nessa noite, ele cruzará a constelação de Boieiro (Bootes), passando bem próximo de Arcturus, uma das estrelas mais brilhantes do hemisfério norte.

Para encontrá-lo, os astrônomos recomendam olhar para o horizonte noroeste, logo após o pôr do sol. Se o tempo estiver limpo e o local livre de poluição luminosa, será possível distinguir seu brilho esverdeado e sua cauda azulada a olho nu — um feito raro em tempos modernos.

Em áreas urbanas, o uso de binóculos de 7 a 12 vezes de aumento já será suficiente para observar sua coma luminosa (a nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo) e a direção da cauda, sempre voltada para o lado oposto ao Sol.

Como localizá-lo com facilidade

Um método simples para quem está começando na observação astronômica é usar a constelação da Ursa Maior como ponto de referência. Trace uma linha curva a partir de Alkaid, sua estrela mais distante, até Arcturus — e é nessa região do céu que o Lemmon deverá aparecer.

Entre outubro e novembro, o cometa continuará visível enquanto cruza outras constelações, como Hércules, Serpens e Escorpião, o que proporcionará diferentes perspectivas a cada noite.

De acordo com o Real Observatório Astronômico de Madri, ver um cometa tão brilhante sem o auxílio de instrumentos é algo extraordinariamente raro. A instituição destacou que “o Lemmon será o cometa mais notável do século XXI até agora, com potencial para ser visível mesmo em céus suburbanos”.

Um espetáculo que se intensifica a cada noite

Segundo astrônomos e divulgadores científicos, o Lemmon aumentará de brilho conforme se aproxima do Sol, atingindo seu auge nos últimos dias de outubro. A previsão é que sua magnitude chegue a níveis comparáveis aos das estrelas mais visíveis do céu.

O canal Enfoque do Céu, dedicado à divulgação astronômica, explicou que “a cada dia o cometa ficará mais intenso e fotogênico”, recomendando observações entre 20 e 25 de outubro, especialmente em locais afastados de grandes cidades.

Para os fotógrafos amadores, o evento é um convite irresistível: bastam exposições longas ou o modo noturno de smartphones para registrar sua cauda difusa recortando o firmamento.

Um visitante de uma só geração

Com um período orbital superior a treze séculos, o C/2025 A6 Lemmon é um mensageiro de eras distantes. Quando voltar a passar próximo da Terra, a humanidade — tal como a conhecemos — provavelmente será muito diferente.

Por isso, especialistas recomendam que ninguém perca a oportunidade de observar o fenômeno. Em um ano já repleto de eclipses e auroras polares visíveis em latitudes incomuns, o cometa Lemmon surge como o grande espetáculo astronômico de 2025, uma lembrança de que o universo segue surpreendendo, mesmo em tempos de tecnologia e luz artificial.

 

[ Fonte: La Nación ]

 

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