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Ciência

Como a inteligência geoespacial pode ajudar a reduzir os impactos do El Niño

Mapas digitais, imagens de satélite e inteligência artificial ajudam a identificar áreas vulneráveis e organizar respostas a eventos extremos. A inteligência geoespacial permite cruzar informações sobre clima, população e infraestrutura para antecipar possíveis danos. Seu papel é melhorar a preparação diante de ameaças como secas, enchentes e deslizamentos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Saber que uma região pode enfrentar chuvas intensas é apenas parte do trabalho de prevenção. Também é necessário entender quais bairros podem alagar, onde estão as pessoas mais expostas e quais estradas podem ficar bloqueadas. A inteligência geoespacial conecta essas informações para orientar decisões. Diante dos efeitos do El Niño, essa capacidade pode ajudar governos e empresas a transformar alertas climáticos em medidas concretas de proteção.

O que é inteligência geoespacial

Cientistas alertam para um Super El Niño que pode mudar o clima do Brasil em 2027
© Pexels

A inteligência geoespacial analisa informações associadas a uma localização para compreender o território e suas vulnerabilidades. Em vez de mostrar apenas ruas, rios e construções, ela relaciona diferentes camadas de dados.

Um levantamento pode reunir características do relevo, registros de chuva, cobertura vegetal, localização de moradias e redes de energia. A combinação permite identificar onde uma ameaça pode atingir mais pessoas ou comprometer serviços essenciais.

A Esri, desenvolvedora da plataforma ArcGIS, descreve o uso de análises geográficas para reduzir riscos de desastres. Entre as aplicações estão avaliar a exposição de comunidades, estudar possíveis impactos de inundações e estabelecer prioridades de evacuação.

Por exemplo, uma área sujeita a alagamentos exige atenção especial quando concentra moradias e tem poucas saídas acessíveis. O cruzamento dessas informações ajuda a direcionar recursos antes da emergência.

Como essa tecnologia ajuda diante do El Niño

O El Niño envolve o aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial e mudanças na circulação atmosférica. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, essa interação influencia temperaturas, precipitações e outros eventos meteorológicos em diferentes partes do mundo.

Seus efeitos variam conforme a região e as características de cada episódio. Por isso, uma previsão climática ampla precisa de informações locais para orientar a preparação.

A inteligência geoespacial pode apoiar esse trabalho ao relacionar cenários de chuva com a distribuição de pessoas, instalações e vias de transporte. Ela não reduz a intensidade do El Niño, mas pode ajudar a diminuir os prejuízos associados aos seus efeitos.

Durante uma emergência, mapas atualizados também facilitam a coordenação entre equipes. Informações compartilhadas permitem acompanhar bloqueios, reorganizar entregas e apoiar o restabelecimento de serviços como água e energia. Essas aplicações já aparecem em experiências de uso de sistemas geográficos na resposta ao fenômeno.

Gêmeos digitais permitem testar possíveis cenários

Outra ferramenta são os chamados gêmeos digitais: representações virtuais de objetos, infraestruturas ou territórios, com informações sobre seu funcionamento.

Conforme a explicação da Esri sobre gêmeos digitais geoespaciais, esses modelos podem reunir dados de diferentes fontes e representar mudanças ao longo do tempo. Sua utilidade vai além de criar uma versão tridimensional de uma cidade.

Em uma simulação de chuvas intensas, por exemplo, gestores podem investigar quais instalações estariam expostas e como o acesso a determinados locais seria afetado. O objetivo é comparar possibilidades antes de escolher uma intervenção.

A inteligência artificial amplia as possibilidades de processamento desses dados e identificação de padrões. Entretanto, a qualidade dos resultados continua ligada às informações disponíveis e às características do modelo utilizado.

A prevenção depende de transformar informação em ação

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© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

Na entrevista que fundamenta a reportagem do Infobae, Deiro González, gerente de Tecnologia da Esri Colômbia e Equador, aborda o potencial dessas ferramentas para desenvolver protótipos e estudar riscos.

O desafio vai além da tecnologia. Dados desatualizados, equipes sem treinamento e ausência de protocolos podem limitar sua utilidade. Uma simulação também precisa de avaliação técnica para orientar decisões críticas.

Mapas e modelos ganham valor quando ajudam a definir responsáveis, preparar abrigos e organizar recursos. A capacidade de compreender o território oferece uma vantagem, mas a redução dos danos depende de instituições preparadas para agir.

 

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