A vida marinha parece sempre em movimento, mas até mesmo os peixes precisam de descanso. Pesquisadores descobriram que, apesar das diferenças com os humanos, o sono é fundamental também para os habitantes do oceano. Com mais de 20 mil espécies conhecidas, os hábitos noturnos dos peixes variam bastante — e envolvem comportamentos curiosos, estratégias de defesa e até “sacos de dormir” naturais.
O que a ciência já sabe sobre o sono dos peixes

Durante muito tempo, cientistas duvidaram que os peixes pudessem dormir. Mas estudos recentes mostram o contrário. Em 2019, uma equipe da Universidade de Stanford observou o comportamento de peixes-zebra e identificou padrões semelhantes ao sono profundo humano. Esses peixes chegaram até a apresentar uma fase comparável à REM, etapa associada aos sonhos em humanos.
Com isso, reforça-se a ideia de que o sono é uma necessidade compartilhada entre vertebrados, mesmo em ambientes extremos ou sem luz solar.
Diversidade de hábitos: do dia à noite, da luz à escuridão
Os hábitos de sono entre os peixes variam conforme a espécie. Alguns são diurnos, outros noturnos ou ativos ao entardecer. Espécies que vivem nas profundezas oceânicas, onde a luz do sol não chega, mantêm ciclos de descanso regulados por genes, sem depender do ambiente externo para sincronização.
Um exemplo marcante são os peixes cegos de cavernas mexicanas. Eles permanecem imóveis durante o dia e só reagem a estímulos, revelando padrões internos de descanso mesmo na escuridão absoluta.
Os mitos e verdades sobre o sono dos tubarões
Tubarões sempre foram cercados por mitos, como o de que não conseguem dormir. De fato, algumas espécies precisam nadar o tempo todo para respirar, mas há exceções. Algumas utilizam a ventilação por bombeamento bucal, que permite respirar mesmo em repouso.
Observações feitas por mergulhadores mostraram tubarões de arrecife imóveis sob a água, alguns com os olhos fechados. Há espécies que flutuam em correntes, aproveitando o fluxo de oxigênio sem nadar, e outras que nadam lentamente em círculos, possivelmente em um “modo automático” que permite descanso parcial do cérebro.
Pesquisadores também levantam a hipótese de que os tubarões possam dormir com apenas um dos hemisférios do cérebro desligado, como ocorre com os golfinhos — algo ainda não confirmado, mas possível do ponto de vista evolutivo.
O peixe-papagaio e seu saco de dormir de muco
Entre os comportamentos mais curiosos está o dos peixes-papagaio, que se envolvem à noite em uma espécie de casulo feito de muco. Essa camada protetora funciona como barreira contra predadores e parasitas, e pode até ter propriedades antibióticas. Se perturbado, o peixe reage rapidamente e escapa do perigo.
Esse comportamento mostra como o sono nos peixes está associado a estratégias evolutivas que garantem segurança mesmo nos ambientes mais hostis.
Sono e equilíbrio ecológico
O sono nos peixes também tem papel ecológico importante. A migração vertical do plâncton, que ocorre diariamente, influencia os ritmos de alimentação e descanso dos peixes e seus predadores. Isso afeta diretamente a distribuição de nutrientes e a dinâmica dos ecossistemas marinhos.
Para garantir um descanso seguro, os peixes recorrem a diversas táticas: abrigos naturais, substâncias protetoras ou alterações no horário de atividade para evitar predadores. Mesmo em cavernas ou nas profundezas, os ciclos de repouso estão sempre presentes.
Dormimos como os peixes?
A análise dos padrões de sono em peixes levou cientistas a rever a origem evolutiva do descanso. Para o neurocientista Philippe Mourrain, os peixes foram os primeiros vertebrados da Terra. A verdadeira pergunta, segundo ele, não é se eles dormem como nós — mas se nós dormimos como eles.
Essa visão sugere que o sono é uma função biológica ancestral, fundamental para a vida. Desde os recifes até o cérebro humano, o descanso continua sendo um elo vital entre todas as formas de existência.
[ Fonte: Infobae ]