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Tecnologia

Computação quântica deixa os laboratórios e começa a transformar empresas, bancos e cidades

A computação quântica está entrando em uma nova fase. Depois de anos restrita aos laboratórios, a tecnologia já é usada por bancos, farmacêuticas, empresas de logística e projetos de cidades inteligentes, abrindo caminho para uma nova geração de aplicações comerciais.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante muito tempo, a computação quântica parecia uma tecnologia distante, restrita à pesquisa científica e à ficção. Hoje, esse cenário começa a mudar. Grandes empresas já utilizam computadores quânticos para resolver problemas que desafiam os sistemas tradicionais, enquanto governos e gigantes da tecnologia aceleram investimentos para ampliar suas aplicações.

Embora ainda esteja longe de substituir os computadores convencionais, a computação quântica começa a mostrar seu potencial em áreas como logística, mercado financeiro, desenvolvimento de medicamentos, inteligência artificial e cibersegurança.

O que torna a computação quântica diferente?

Computação Quântica4
© Origin Quantum

Os computadores atuais processam informações usando bits, que podem assumir apenas dois valores: 0 ou 1.

Já os computadores quânticos trabalham com qubits, unidades que podem existir em múltiplos estados ao mesmo tempo graças ao fenômeno da superposição quântica.

Além disso, os qubits podem apresentar entrelaçamento quântico, uma propriedade que conecta partículas mesmo quando estão separadas fisicamente.

A combinação desses dois fenômenos permite que um computador quântico explore inúmeras possibilidades simultaneamente, em vez de testar cada alternativa uma por uma, como acontece na computação tradicional.

Na prática, isso representa um enorme ganho de desempenho para determinados tipos de cálculos extremamente complexos.

A tecnologia já entrou na fase comercial

Segundo o relatório Quantum Technology Monitor 2026, da McKinsey & Company, mais de 300 empresas em todo o mundo já trabalham com tecnologias quânticas para resolver desafios reais de negócios.

Entre elas estão companhias como IBM, Airbus, JPMorgan Chase e Boehringer Ingelheim.

O estudo estima que a computação quântica poderá gerar entre US$ 1,3 trilhão e US$ 2,7 trilhões em valor econômico até 2035.

Outro indicador mostra o ritmo acelerado desse mercado: somente em 2025, os investimentos globais no setor chegaram a US$ 12,6 bilhões, seis vezes mais do que no ano anterior.

IBM e Google aceleram a corrida pelos computadores quânticos

Quamtium
© IBM

Os principais fabricantes também avançam rapidamente.

A IBM apresentou, em 2025, o processador quântico Nighthawk, equipado com 120 qubits. A empresa pretende demonstrar uma vantagem quântica verificável até o fim de 2026 e lançar um computador tolerante a falhas, chamado Starling, em 2029.

Já o Google divulgou resultados obtidos com seu chip Willow. Segundo a empresa, o sistema concluiu em poucos minutos um cálculo que exigiria das supermáquinas tradicionais um tempo equivalente a várias vezes a idade do Universo.

Enquanto isso, instituições como a Cleveland Clinic já utilizam computadores quânticos em pesquisas biomédicas. Em 2026, o centro conseguiu simular uma proteína composta por 303 átomos, um cálculo considerado inviável para os computadores clássicos disponíveis atualmente.

Logística, finanças e cidades inteligentes estão entre os primeiros beneficiados

Os primeiros usos comerciais aparecem principalmente em atividades que exigem otimização de processos.

Na logística, computadores quânticos conseguem encontrar rotas mais eficientes para transporte de mercadorias, reduzindo tempo, custos e consumo de combustível.

Em projetos de cidades inteligentes, a tecnologia também começa a ser utilizada para sincronizar semáforos e integrar sistemas de transporte público, melhorando a mobilidade urbana.

No setor financeiro, instituições estudam o uso da computação quântica para criar modelos mais sofisticados de avaliação de risco e otimizar carteiras de investimentos.

Segundo especialistas, ganhos superiores a 30% em eficiência já foram observados em alguns projetos-piloto.

A cibersegurança entra em uma nova era

Outro setor profundamente impactado será o da segurança digital.

Especialistas alertam que computadores quânticos suficientemente poderosos poderão quebrar diversos métodos de criptografia utilizados atualmente na internet.

Por isso, órgãos como o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), nos Estados Unidos, e a agência francesa ANSSI já trabalham no desenvolvimento da chamada criptografia pós-quântica.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com ataques conhecidos como “Harvest Now, Decrypt Later”, nos quais criminosos roubam dados criptografados hoje para decifrá-los futuramente com computadores quânticos mais avançados.

O próximo desafio é transformar tecnologia em aplicações

Embora a física continue sendo fundamental para o avanço da computação quântica, especialistas acreditam que o principal desafio dos próximos anos será criar aplicações práticas.

Em vez de desenvolver apenas novos processadores, empresas buscam profissionais capazes de identificar problemas reais que possam ser resolvidos por essa nova capacidade computacional.

Com a expansão do acesso via computação em nuvem, cada vez mais organizações poderão experimentar essa tecnologia sem precisar investir em equipamentos próprios.

Depois de décadas restrita aos laboratórios, a computação quântica finalmente começa a ocupar espaço no mercado. O foco agora deixa de ser provar que ela funciona e passa a ser descobrir onde ela pode gerar o maior impacto econômico e científico.

 

[ Fonte: TN ]

 

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