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Ciência

Cientistas descobrem como forças profundas da Terra moldaram o “Teto do Mundo”

Um novo estudo revela que a formação da Cordilheira do Himalaia e da gigantesca planície do Tibete está diretamente ligada aos movimentos profundos da crosta terrestre. A pesquisa oferece as evidências mais fortes até agora de como a placa indiana ajudou a criar o chamado "Teto do Mundo".
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Tempo de leitura: 3 minutos

A paisagem impressionante do Planalto Tibetano, conhecido como o “Teto do Mundo”, pode parecer imutável. No entanto, um novo estudo mostra que sua formação continua ligada a processos que acontecem a dezenas de quilômetros abaixo da superfície terrestre.

Pesquisadores da Universidade de Glasgow, em parceria com cientistas chineses, encontraram novas evidências de que a colisão entre as placas tectônicas da Índia e da Ásia moldou de maneiras diferentes as regiões oeste e central do planalto. Os resultados foram publicados na revista Nature Geoscience e ajudam a explicar como uma das maiores cadeias montanhosas do planeta ganhou sua forma atual.

Movimento das placas explica diferenças no relevo do Tibete

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© Pexels

Para investigar a história geológica da região, a equipe utilizou técnicas avançadas de termocronologia de baixa temperatura, desenvolvidas pela Universidade de Glasgow e pelo Scottish Universities Environmental Research Centre (SUERC).

Esses métodos permitem reconstruir quando antigas rochas emergiram à superfície durante milhões de anos de movimentos tectônicos e erosão.

As análises mostraram que as regiões oeste e central do Planalto Tibetano passaram por processos de elevação muito diferentes entre 45 e 20 milhões de anos atrás.

Segundo os pesquisadores, essa diferença coincide com o avanço gradual da placa tectônica indiana sob a placa asiática. Naquele período, a subducção já ocorria no oeste do planalto, enquanto ainda não havia alcançado sua porção central.

Essa descoberta estabelece uma ligação direta entre os movimentos profundos da Terra e a paisagem observada atualmente.

Expedições reuniram dados durante três anos

Entre 2017 e 2019, os pesquisadores realizaram diversas expedições às regiões de Gerze, no centro do Tibete, e Rutog, no oeste do planalto.

Durante o trabalho de campo, foram coletadas dezenas de amostras de rochas posteriormente analisadas em laboratórios da Universidade de Glasgow.

Os resultados foram combinados com levantamentos geológicos e observações geofísicas para reconstruir a evolução do relevo ao longo de milhões de anos.

Segundo a equipe, esta é a primeira evidência robusta de que a subducção da placa indiana explica as diferenças topográficas entre diferentes partes do Tibete.

O “Teto do Mundo” influencia o clima de todo o planeta

O Planalto Tibetano é a região montanhosa mais alta e extensa da Terra, com altitude média superior a 4.500 metros.

Sua importância vai muito além da geologia.

O planalto exerce forte influência sobre o clima global e abriga as nascentes dos dez maiores rios da Ásia, responsáveis pelo abastecimento de água de bilhões de pessoas.

Embora costume ser visto como uma única formação geológica, o estudo mostra que existem diferenças significativas entre suas regiões, tanto no sentido norte-sul quanto entre o oeste e o leste.

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© Joshua Earle – Unsplash

Para Cristina Persano, professora da Escola de Ciências Geográficas e da Terra da Universidade de Glasgow, a paisagem funciona como um registro da atividade que ocorre nas profundezas do planeta.

Segundo a pesquisadora, compreender esses processos é essencial para explicar fenômenos como terremotos, vulcões e a própria formação das cadeias montanhosas.

Ela destaca que estudar a geologia também ajuda a entender o delicado equilíbrio dos sistemas naturais da Terra, desde os movimentos das placas tectônicas até os processos que acontecem na atmosfera.

Já Fin Stuart, professor de Geoquímica Isotópica do SUERC, afirma que a pesquisa pode mudar a forma como os cientistas compreendem a formação das grandes cordilheiras do planeta.

Segundo ele, os resultados demonstram o potencial das novas técnicas analíticas para revelar detalhes da história geológica da Terra que antes permaneciam ocultos sob a superfície.

 

[ Fonte: Meteored ]

 

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