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Tecnologia

Usuários do Grok denunciam censura, cobranças indevidas e problemas de privacidade em reclamações enviadas ao governo dos EUA

Reclamações obtidas via Lei de Acesso à Informação revelam os principais problemas relatados por usuários do Grok. Entre as críticas estão dificuldades para cancelar assinaturas, redução inesperada de recursos, excesso de moderação, preocupações com privacidade e respostas incorretas que resultaram até em prejuízos financeiros.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O Grok, chatbot de inteligência artificial da xAI, empresa de Elon Musk, voltou a ser alvo de polêmicas. Desta vez, documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação dos Estados Unidos (FOIA) revelam centenas de reclamações enviadas à Comissão Federal de Comércio (FTC) por consumidores insatisfeitos com o serviço.

Segundo a FTC, existem 873 reclamações que mencionam o Grok. Destas, 153 foram disponibilizadas para consulta e mostram um panorama dos principais problemas enfrentados pelos usuários, incluindo dificuldades para cancelar assinaturas, mudanças inesperadas nos planos pagos, excesso de moderação de conteúdo, preocupações com privacidade e até casos de golpes financeiros.

Assinaturas e cancelamentos lideram as reclamações

Grande parte das reclamações envolve o processo de cancelamento do SuperGrok.

Diversos usuários afirmam que tentaram encerrar a assinatura, mas encontraram páginas que não funcionavam, ciclos infinitos de redirecionamento ou simplesmente não receberam resposta do suporte da xAI.

Outros relatam que continuaram sendo cobrados mesmo após cancelar o serviço ou enviar diversos pedidos de encerramento da assinatura.

Em vários casos, consumidores acusam a empresa de dificultar deliberadamente o cancelamento, tornando o processo muito mais complexo do que a contratação do serviço.

Usuários acusam xAI de reduzir recursos sem aviso

Outro grupo de reclamações envolve mudanças nas limitações de uso do Grok.

Clientes afirmam que contrataram planos que permitiam gerar dezenas de imagens e vídeos por dia, mas que, poucos meses depois, a empresa reduziu drasticamente esses limites sem qualquer comunicação prévia.

Alguns usuários relatam cortes superiores a 80% na quantidade de gerações disponíveis, enquanto recebiam ofertas para migrar para planos mais caros.

Nas reclamações enviadas à FTC, esse comportamento é frequentemente descrito como um possível caso de “bait and switch”, expressão utilizada quando um produto é anunciado com determinadas características e posteriormente entregue de forma significativamente inferior.

Moderação excessiva também gerou críticas

Apesar da imagem de uma IA mais permissiva, muitos usuários reclamam justamente do aumento das restrições impostas pelo Grok.

Diversos relatos afirmam que comandos anteriormente aceitos passaram a ser bloqueados pela moderação.

Entre os exemplos aparecem pessoas que utilizavam o chatbot para escrita criativa e passaram a receber recusas para criar cenas fictícias envolvendo crimes, sequestros ou outros conflitos narrativos.

Segundo esses usuários, o sistema passou a interromper a geração do conteúdo e responder com mensagens consideradas moralizantes, mesmo quando se tratava de histórias claramente ficcionais.

Por outro lado, também surgiram reclamações na direção oposta.

Alguns consumidores acusam o Grok de permitir conteúdos inadequados ou até gerar imagens perturbadoras sem solicitação, incluindo material considerado ofensivo ou potencialmente perigoso.

Privacidade e vieses também aparecem entre as preocupações

As reclamações revelam ainda dúvidas sobre o tratamento dos dados pessoais.

Alguns usuários afirmam ter recebido respostas contraditórias do próprio Grok sobre por quanto tempo conversas, nomes de usuário, cidades e outras informações permanecem armazenadas para treinamento da inteligência artificial.

Também há consumidores que acusam o chatbot de apresentar respostas enviesadas em temas relacionados à raça, além de questionarem a promessa da xAI de oferecer uma IA neutra e voltada para a busca da verdade.

Casos mostram que usuários confiaram no Grok para evitar golpes

Entre os relatos mais curiosos enviados à FTC estão pessoas que utilizaram o Grok para verificar se empresas ou indivíduos eram confiáveis antes de realizar investimentos.

Em um dos casos, um usuário afirma que perguntou ao chatbot se determinada empresa era legítima antes de investir em criptomoedas. Posteriormente, descobriu que havia caído em um golpe conhecido como “pig butchering”, relatando perdas próximas de US$ 19 mil.

Em outro episódio, o Grok ajudou um usuário a identificar inconsistências em uma suposta oferta de emprego remoto, levando a vítima a interromper o contato antes de compartilhar dados bancários.

Esses relatos mostram que algumas pessoas já utilizam chatbots de inteligência artificial como ferramenta para tomar decisões financeiras importantes, embora as respostas desses sistemas nem sempre sejam suficientes para confirmar a legitimidade de uma empresa ou evitar fraudes.

Reclamações ajudam a entender os desafios das IAs comerciais

A Gizmodo informou que a xAI não respondeu aos pedidos de comentário sobre as reclamações até a publicação da reportagem.

Embora cada denúncia represente apenas a versão apresentada pelos consumidores e não tenha sido verificada individualmente pela FTC, o conjunto dos relatos revela padrões que ajudam a compreender os principais desafios enfrentados por plataformas de inteligência artificial comerciais.

Além da qualidade das respostas, temas como transparência, políticas de moderação, privacidade de dados, suporte ao cliente e cobrança de assinaturas continuam entre os fatores que mais influenciam a experiência dos usuários.

 

 

 

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