Os Estados Unidos querem acelerar sua liderança em computação quântica. O presidente Donald Trump assinou uma série de ordens executivas que estabelecem um plano para desenvolver um supercomputador quântico destinado à pesquisa científica até 2028, além de reforçar a proteção dos sistemas federais contra futuras ameaças cibernéticas associadas a essa tecnologia.
As medidas envolvem o Departamento de Energia, universidades, empresas privadas e agências federais. O objetivo é garantir que o país permaneça na dianteira de uma área considerada estratégica para a segurança nacional, a ciência e a economia.
O que muda com o plano anunciado por Trump?

Uma das ordens executivas determina que órgãos do governo trabalhem em conjunto com empresas e instituições acadêmicas para desenvolver um computador quântico de grande porte capaz de impulsionar pesquisas científicas até 2028.
Segundo Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, o Departamento de Energia ficará responsável pela construção da máquina, que deverá apoiar descobertas em diversas áreas da ciência.
Ao mesmo tempo, outra ordem acelera a proteção dos sistemas do governo contra ataques realizados com futuros computadores quânticos.
Para isso, todas as agências federais deverão migrar para a chamada criptografia pós-quântica (PQC, na sigla em inglês) até 2030 ou 2031. O prazo antecipa a meta anteriormente estabelecida para 2035 durante o governo de Joe Biden.
O que torna a computação quântica tão diferente?
Os computadores atuais processam informações usando bits, que assumem apenas dois valores possíveis: 0 ou 1.
Já os computadores quânticos utilizam qubits, capazes de existir em múltiplos estados ao mesmo tempo graças aos fenômenos da superposição e do entrelaçamento quântico.
Na prática, isso permite resolver determinados problemas extremamente complexos com muito mais eficiência do que os supercomputadores tradicionais.
O principal desafio continua sendo a correção de erros. Os qubits são extremamente sensíveis a interferências externas, e torná-los estáveis o suficiente para aplicações em larga escala ainda representa um dos maiores obstáculos da área.
Pentágono também deverá adotar sensores quânticos
As novas medidas não se limitam aos laboratórios científicos.
Trump também determinou que o Departamento de Defesa implemente sensores quânticos até 2028.
Esses equipamentos poderão ajudar aeronaves e sistemas militares a navegar com precisão mesmo em regiões onde o GPS estiver bloqueado ou sofrer interferências eletrônicas, uma capacidade considerada estratégica em cenários de conflito.
A corrida quântica já está em andamento
Segundo estimativas citadas pelo governo americano, existem atualmente cerca de 70 computadores quânticos em operação ao redor do mundo.
Os Estados Unidos lideram boa parte dos investimentos privados, impulsionados por empresas como IBM e Google. Já a China concentra grandes investimentos públicos, enquanto a União Europeia aposta em um modelo que combina financiamento estatal e participação da iniciativa privada.
Especialistas acreditam que, antes de 2030, os primeiros computadores quânticos capazes de resolver problemas científicos relevantes deverão entrar em operação. Com o avanço da tecnologia, a expectativa é que essas máquinas também encontrem aplicações em áreas como medicina, desenvolvimento de novos materiais, inteligência artificial, logística e segurança digital.
A computação quântica se tornou prioridade estratégica

Ao anunciar as novas medidas, a Casa Branca afirmou que países concorrentes avançam rapidamente na computação quântica e podem utilizar essa tecnologia para desafiar a liderança econômica e militar dos Estados Unidos.
O comunicado destaca que o país pretende desenvolver o primeiro computador quântico poderoso o suficiente para inaugurar uma nova era de descobertas científicas e acelerar aplicações comerciais da tecnologia.
Essa estratégia dá continuidade às iniciativas lançadas durante o primeiro mandato de Trump, incluindo a Lei da Iniciativa Nacional de Computação Quântica, sancionada em 2018, além de programas mais recentes voltados ao uso da inteligência artificial para acelerar pesquisas científicas em áreas como a própria física quântica.
[ Fonte: Clarín ]