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Ciência

Conheça o Sexoma: As Bactérias que Trocamos Durante o Sexo

Nova pesquisa revela que trocamos mais do que fluidos durante o sexo. Traços do microbioma genital são transferidos entre parceiros, um achado que pode ter aplicações na investigação forense.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Pesquisadores da Murdoch University, na Austrália, conduziram um estudo que comprova que os microbiomas genitais — comunidades de bactérias que habitam nossas áreas íntimas — deixam rastros após o contato sexual. A descoberta pode futuramente se tornar uma ferramenta forense para a resolução de crimes sexuais.

O Que É o Sexoma?

Nossos corpos abrigam inúmeras bactérias, inclusive na região genital. Muitas são inofensivas e desempenham funções essenciais para o organismo. Estudos sobre microbiomas costumam focar na influência dessas bactérias na saúde, especialmente na digestão. No entanto, os cientistas da Murdoch queriam explorar se o microbioma genital poderia servir para identificação forense.

Brendan Chapman, cientista forense da Murdoch, explica: “Na ciência forense, trabalhamos com o conceito de que todo contato deixa um rastro. No caso do sexoma, estamos usando as comunidades bacterianas saudáveis que vivem em nossos corpos como forma de detectar essa transferência.”

Como Foi Conduzido o Estudo?

O estudo analisou 12 casais monogâmicos heterossexuais. Os participantes tiveram seus microbiomas genitais sequenciados antes e depois do sexo, com diferentes períodos de abstinência (de dois a 14 dias). A análise revelou que fragmentos de DNA bacteriano do microbioma de um parceiro eram detectáveis no outro após o contato sexual.

Condições como a presença de pelos pubianos ou a circuncisão masculina não afetaram a transferência do sexoma. O uso de preservativos, por outro lado, alterou a direção dessa troca: a maior parte das bactérias detectadas no parceiro masculino provinha da mulher.

Implicações Forenses e Científicas

Embora os pesquisadores acreditem que essa técnica pode auxiliar na investigação de crimes sexuais, ainda é necessário entender melhor a permanência dessas bactérias no corpo e fatores que alteram sua composição, como a menstruação. Ruby Dixon, principal autora do estudo e doutoranda na Murdoch, ressalta que ainda há muito trabalho a ser feito antes que essa abordagem seja aceita em processos legais.

Benefícios Além da Forense

A pesquisa também pode contribuir para melhorias na saúde. Conhecer melhor o sexoma pode levar a avanços na saúde vaginal, fertilidade e prevenção de doenças.

Chapman conclui: “Assim como entendemos a importância do microbioma intestinal para a saúde digestiva, provavelmente o sexoma também desempenha um papel crucial na proteção do ambiente vaginal e na fertilidade.”

Com mais pesquisas, o sexoma pode se tornar uma ferramenta poderosa tanto para a ciência forense quanto para o avanço da saúde reprodutiva.

 

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