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Copa do Mundo 2026 pode enfrentar calor extremo histórico; relatório acende alerta global

Um novo estudo revela que 10 dos 16 estádios da Copa do Mundo de 2026 enfrentam alto risco de calor extremo e outros eventos climáticos severos. Temperaturas acima do limite de segurança já desafiam jogadores e organizadores, e a pressão sobre a FIFA para adotar medidas emergenciais só aumenta.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Copa do Mundo de 2026, que será sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, pode enfrentar uma das maiores crises climáticas da história dos megaeventos esportivos. O relatório internacional Pitches in Peril aponta que 10 dos 16 estádios estão sob risco altíssimo de estresse térmico extremo, e 14 arenas já superaram limites de segurança para atletas e torcedores. Especialistas alertam: sem mudanças drásticas, o futebol terá de se reinventar para sobreviver às novas realidades climáticas.

Um Mundial sob risco climático

Fans Copa Do Mundo
© X – @WeAreMessi

O estudo projeta que, até 2050, quase 90% dos estádios que receberão partidas do Mundial precisarão de adaptações estruturais contra calor extremo. Um terço das arenas também enfrentará demanda de água igual ou superior à oferta, aumentando o risco de colapsos logísticos.

Os efeitos das mudanças climáticas não afetam apenas o presente. O relatório estende o alerta para as Copas de 2030 e 2034, indicando que os riscos tendem a se agravar, atingindo também campos amadores icônicos onde craques históricos começaram suas carreiras.

O que dizem os jogadores

O campeão mundial Juan Mata destacou a gravidade da situação:

“Como alguém da Espanha, não posso ignorar a crise climática”, disse. “O futebol sempre uniu as pessoas, mas agora também nos lembra o que podemos perder.”

A recente edição do Mundial de Clubes, disputada nos Estados Unidos, funcionou como um teste preocupante: temperaturas altíssimas e tempestades intensas forçaram a FIFA a adotar medidas emergenciais — pausas extras para hidratação, ventiladores, pontos de resfriamento e bancos cobertos.

Ainda assim, jogadores classificaram as condições como “impossíveis”, acendendo o alerta para o cenário da Copa.

Limites de segurança ultrapassados

O relatório mostra que 14 dos 16 estádios da Copa de 2026 já enfrentaram, em 2025, três ameaças climáticas simultâneas:

  • Calor extremo

  • Chuvas intensas

  • Risco de inundações

Em 13 arenas, todos os verões registram pelo menos um dia acima de 32°C no índice Wet-Bulb Globe Temperature (WBGT) — limite adotado pela FIFA para determinar pausas de hidratação.

Em Atlanta, Dallas, Houston, Kansas City, Miami e Monterrey, as temperaturas passaram desse valor por dois meses consecutivos ou mais.

O caso mais crítico é o de Houston, que registrou 51 dias acima de 35°C WBGT — considerado por cientistas o limite máximo da adaptação humana ao calor extremo. Dallas vem logo atrás, com 31 dias nesse patamar.

Soluções emergenciais e futuro incerto

Apesar de algumas arenas, como as de Dallas e Houston, possuírem tetos retráteis, o estudo alerta que a infraestrutura sozinha não será suficiente. Os riscos se estendem a campos menores e até históricos.

O estádio de origem de Mohamed Salah, no Egito, pode enfrentar mais de 30 dias anuais de calor insuportável até 2050, enquanto o campo onde William Troost-Ekong jogou na infância, na Nigéria, pode chegar a 338 dias por ano sob condições extremas.

Segundo Piers Forster, diretor do Priestley Centre for Climate Futures, alternativas como transferir competições para meses de inverno ou regiões mais frias podem se tornar inevitáveis.

“Os riscos só vão crescer se não adotarmos medidas drásticas agora”, alertou Forster.

Pressão sobre a FIFA e sustentabilidade

Uma mudança inesperada pode redefinir os planos da Copa de 2026
© https://x.com/RapidResponse47

Com 96 páginas, o relatório pede que a FIFA e as federações nacionais assumam compromissos claros de descarbonização. As recomendações incluem:

  • Zerar as emissões líquidas de carbono até 2040

  • Criar fundos de adaptação climática

  • Divulgar planos transparentes de sustentabilidade

A pesquisa também revela que 91% dos 3.600 torcedores entrevistados esperam que a Copa de 2026 seja um modelo global de sustentabilidade. A pressão recai agora sobre os organizadores, que precisam equilibrar espetáculo, segurança e responsabilidade ambiental.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

 

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