Com a chegada dos dias mais frios, é comum buscarmos alimentos mais calóricos, como massas, chocolates e pratos quentinhos. Mas por que sentimos tanta fome no inverno? A resposta está em uma combinação de fatores fisiológicos, hormonais e até emocionais que atuam em conjunto no nosso organismo. Entenda como o frio afeta o apetite e veja dicas práticas para controlar essa vontade constante de comer.
A temperatura cai e a fome aumenta
Durante o inverno, o corpo humano precisa trabalhar mais para manter a temperatura interna ideal de aproximadamente 36,5°C. Esse processo, chamado de termogênese, exige mais energia — e, consequentemente, aumenta a fome. Segundo a nutricionista Giovanna Hirata, essa sensação de apetite elevado é especialmente comum quando passamos muito tempo expostos ao frio.
Além disso, a endocrinologista Deyse Meira explica que, ao perder calor para o ambiente, o organismo sente a necessidade de repor essa energia com alimentos, o que estimula ainda mais o apetite.
Hormônios que despertam o apetite
O frio também impacta diretamente nossos hormônios. O hipotálamo, região do cérebro que regula o apetite, estimula a produção de grelina (o hormônio da fome) e reduz a de leptina, responsável pela saciedade. Outros hormônios como noradrenalina, adrenalina e até o cortisol (em resposta ao estresse térmico) também entram em ação, contribuindo para esse aumento no desejo por comida.
Por que buscamos pratos mais calóricos
Alimentos ricos em carboidratos, como massas, pães e chocolates, não apenas fornecem energia rápida, como também aumentam os níveis de serotonina, hormônio ligado à sensação de bem-estar. É por isso que pratos quentes e reconfortantes parecem mais atrativos nos dias frios. O comportamento alimentar também sofre influência cultural e emocional, já que o inverno costuma ser associado a momentos mais caseiros e aconchegantes.

Como controlar o apetite no inverno
Apesar da fome extra, é possível manter uma alimentação equilibrada. Veja algumas dicas dos especialistas:
- Prefira sopas leves com legumes e leguminosas, evitando queijos gordurosos e creme de leite.
- Use temperos naturais como gengibre, cúrcuma, pimenta-do-reino e canela.
- Consuma carboidratos complexos, como mandioca, batata-doce e aveia.
- Beba bastante água, mesmo sem sentir sede, e inclua chás sem açúcar no dia a dia.
- Evite ter doces e ultraprocessados em casa para não cair na tentação.
- Pratique atividades físicas para ajudar a regular o apetite emocional.
Se a fome vier acompanhada de cansaço, desânimo ou alterações de humor, é importante investigar possíveis deficiências, como hipotireoidismo ou falta de vitamina D. E, claro, ajustar a alimentação com ajuda profissional, se necessário.
Fonte: Metrópoles