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Ciência

Cortar o açúcar nos primeiros anos de vida pode proteger o coração por décadas, diz estudo

Um novo estudo revela que limitar o consumo de açúcar durante a gestação e nos dois primeiros anos de vida reduz de forma duradoura o risco de doenças cardíacas, derrames e insuficiência cardíaca. A pesquisa, baseada em dados históricos do Reino Unido, mostra como a nutrição precoce molda a saúde cardiovascular até a vida adulta.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os primeiros mil dias após a concepção são decisivos para o futuro do coração, segundo uma análise publicada no British Medical Journal (BMJ). Cientistas descobriram que uma infância com pouco açúcar — inclusive durante a gestação — está associada a uma redução significativa de infartos, AVCs e mortes cardiovasculares décadas depois. O achado reforça a importância da nutrição precoce como estratégia de saúde pública.

Um “experimento natural” durante a guerra

Para chegar a essas conclusões, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong e da Escola de Medicina de Boston recorreram a um episódio histórico: o racionamento de açúcar no Reino Unido durante e após a Segunda Guerra Mundial.

O período, que durou de 1940 a 1953, impôs restrições rigorosas ao consumo de açúcar, inclusive para gestantes e crianças pequenas — uma oportunidade única de observar os efeitos de longo prazo dessa limitação alimentar em larga escala.

O que os cientistas analisaram

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© Pexels

O estudo envolveu 63.433 participantes do Biobanco do Reino Unido nascidos entre outubro de 1951 e março de 1956, todos sem histórico prévio de doenças cardíacas.

Desse total, 40.063 pessoas foram expostas ao racionamento de açúcar (durante a gestação e os dois primeiros anos de vida) e 23.370 não viveram essa experiência. Os pesquisadores analisaram seus registros médicos ao longo das décadas, monitorando casos de infarto, insuficiência cardíaca, arritmias, AVC e mortalidade cardiovascular.

Menos açúcar, menos riscos cardíacos

Os resultados foram claros: quanto mais longa e rigorosa foi a restrição de açúcar, menor o risco de problemas no coração.
Em comparação com os que nunca viveram o racionamento, os indivíduos expostos apresentaram:

  • 20% menos risco de doença cardíaca

  • 25% menos risco de infarto

  • 26% menos risco de insuficiência cardíaca

  • 24% menos risco de fibrilação atrial

  • 31% menos risco de AVC

  • 27% menos risco de morte cardiovascular

Além disso, essas pessoas viveram até dois anos e meio a mais sem doenças cardíacas em comparação ao grupo que cresceu sem restrições alimentares.

O impacto da nutrição materna

Durante o racionamento, a cota diária de açúcar para cada pessoa — inclusive grávidas e crianças — não passava de 40 gramas por dia, e bebês com menos de dois anos não podiam consumir açúcar adicionado.

Segundo os autores, isso pode ter reduzido a incidência de diabetes e hipertensão, fatores que explicam parte da proteção cardiovascular observada. “Os primeiros 1.000 dias após a concepção são uma janela crítica em que a nutrição molda o risco cardiometabólico para toda a vida”, escreveram os cientistas.

Uma lição para o presente

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© Freepik

Os pesquisadores destacam que, atualmente, bebês e crianças pequenas consomem muito mais açúcar do que o ideal, tanto pela dieta materna quanto por fórmulas infantis e alimentos ultraprocessados. O estudo sugere que a restrição precoce de açúcares adicionados pode ser uma das medidas mais eficazes e duradouras para reduzir doenças cardíacas na população adulta.

Um novo olhar sobre prevenção

Embora o racionamento tenha sido fruto de um contexto de guerra, seus efeitos mostram como pequenas mudanças alimentares na infância podem ter impacto por toda a vida. O estudo reforça a urgência de políticas públicas que priorizem a alimentação saudável desde a gestação, combatendo o excesso de açúcar antes mesmo do nascimento.

 

[ Fonte: DW ]

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