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Tecnologia

Crianças que usam ChatGPT podem perder a capacidade de pensar sozinhas, alertam especialistas

Pesquisadores alertam que o uso precoce e frequente de chatbots como o ChatGPT pode comprometer habilidades cognitivas essenciais, como pensamento crítico e tomada de decisão. Estudos indicam que a dependência dessas ferramentas reduz o engajamento mental e ameaça a autonomia intelectual de uma geração cada vez mais conectada à inteligência artificial.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O avanço da inteligência artificial transformou a forma como crianças e adolescentes aprendem, se comunicam e até se divertem. Mas o uso crescente de assistentes digitais como o ChatGPT tem despertado preocupação entre educadores e cientistas. Pesquisas recentes sugerem que recorrer à IA para resolver tarefas e dúvidas pode reduzir o esforço cognitivo dos jovens, enfraquecendo a capacidade de raciocinar, criar e tomar decisões por conta própria.

Quando a conveniência vira dependência

Criancas Telephone
© FreePik

De acordo com reportagem da CNBC, especialistas observam um fenômeno crescente: jovens estão delegando à inteligência artificial o que antes era um exercício mental essencial. Chatbots são usados para redigir redações, responder trabalhos escolares e até como companhia virtual — e essa dependência, segundo pesquisadores, pode gerar uma “dívida cognitiva”.
O termo, cunhado pela pesquisadora Nataliya Kosmyna, do MIT Media Lab, descreve a perda gradual da criatividade e da autonomia intelectual causada pela terceirização do pensamento. “A conveniência de hoje terá um custo no futuro”, afirmou.

O que diz a ciência

Um estudo do MIT Media Lab, publicado em 2025, comparou três grupos de estudantes: um que usou IA para escrever textos, outro que utilizou mecanismos de busca e um terceiro que trabalhou sem auxílio digital. O resultado foi claro — o grupo que contou com um chatbot apresentou menor conectividade neural, sinal de redução do engajamento cognitivo.
Ou seja, ao usar IA, o cérebro trabalha menos intensamente. O fenômeno é semelhante ao que ocorre com o uso excessivo de GPS: quanto mais dependência tecnológica, menor a capacidade de criar estratégias próprias.

Crescimento e preocupação

Segundo o Pew Research Center, 26% dos adolescentes norte-americanos entre 13 e 17 anos usaram o ChatGPT para fazer trabalhos escolares em 2024 — o dobro do ano anterior. A conscientização sobre a ferramenta também subiu de 67% para 79%.
Esse avanço chamou a atenção de autoridades dos EUA: em setembro, a Comissão Federal de Comércio (FTC) pediu explicações a empresas como OpenAI, Alphabet e Meta sobre os impactos dos chatbots no público infantojuvenil.
Como resposta, a OpenAI anunciou um ambiente dedicado a menores de 18 anos, com controles parentais e filtros de conteúdo adequados à idade.

Riscos cognitivos e emocionais

O Que Realmente Fica Na Memória Das Crianças
© DimaBerlin – Shutterstock

Especialistas afirmam que o uso precoce da IA não afeta apenas o aprendizado, mas também o desenvolvimento emocional e social das crianças. A professora Pilyoung Kim, da Universidade de Denver, alerta que os pequenos tendem a atribuir emoções humanas às máquinas, criando laços de confiança e dependência com assistentes virtuais.
Além da perda de autonomia, há riscos de privacidade e exposição a conteúdos inadequados. “Crianças precisam de mais oportunidades para pensar de forma crítica e independente”, afirma Kim.

O que os pais podem fazer

A solução, segundo os pesquisadores, não é proibir o uso, mas educar para o uso consciente. Kosmyna recomenda que as crianças desenvolvam primeiro as habilidades básicas — como escrever, pesquisar e argumentar — antes de recorrer à IA. Assim, poderão identificar erros e questionar informações geradas por algoritmos.
Pais e escolas devem incentivar o pensamento crítico, a criatividade e o diálogo sobre segurança digital. Ensinar noções de higiene tecnológica — como limitar tempo de tela, checar fontes e entender os limites da IA — é essencial para formar usuários mais responsáveis.

 

[ Fonte: Época Negocios ]

 

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