Ao completar 25 anos, o Instituto de Biomedicina de Valência (IBV), vinculado ao CSIC, consolida-se como um dos polos científicos mais relevantes da Comunidade Valenciana. Criado com a missão de conectar a biologia fundamental à prática clínica, o centro construiu uma trajetória marcada por impacto real na saúde, formação de talentos e compromisso com a divulgação científica. Conversamos com sua diretora, Susana Rodríguez, sobre conquistas, dificuldades e o caminho adiante.
Pesquisa biomédica pensada para gerar impacto real
O IBV atua em áreas-chave da biomedicina contemporânea. Entre suas principais linhas de pesquisa estão as doenças cardiovasculares, diabetes, genética, metabolismo, endocrinologia e o desenvolvimento de novos antibióticos frente à crescente resistência bacteriana. O instituto também investiga regeneração do sistema nervoso e aplica tecnologias de ponta, como sequenciamento genômico e análise avançada de dados.
Essas capacidades foram decisivas durante a pandemia de COVID-19. Parte da identificação de variantes do vírus na região de Valência foi realizada no IBV, demonstrando como a pesquisa básica pode ter impacto direto em situações de emergência sanitária. Para Rodríguez, essa integração entre compreender mecanismos biológicos e aplicá-los à prevenção e ao tratamento define a identidade do centro.
Resistência bacteriana e ciência no limite do conhecimento
Um dos projetos estratégicos do IBV concentra-se na resistência antimicrobiana, um dos maiores desafios médicos globais. Pesquisadores do instituto estudam a comunicação entre bactérias e os vírus que as infectam, buscando formas de intervir nesse processo e reduzir a capacidade das bactérias de se tornarem resistentes.
Segundo a diretora, compreender profundamente o problema é o primeiro passo para enfrentá-lo. Esse tipo de abordagem ilustra a filosofia do centro: investir em conhecimento fundamental para abrir novas possibilidades terapêuticas no futuro.

Financiamento, burocracia e o desafio de reter talentos
Apesar dos avanços científicos, os desafios estruturais são constantes. Sendo parte do CSIC, o IBV opera sob rigorosas regras administrativas e de prestação de contas, o que muitas vezes torna a gestão financeira lenta e complexa. Rodríguez reconhece que os cientistas são treinados para investigar, não para lidar com burocracia.
Outro ponto central é o recrutamento e a retenção de jovens pesquisadores. Iniciativas como o programa Talent Recruitment Series buscam atrair talentos, inclusive espanhóis que trabalham no exterior. Recentemente, um jovem cientista conseguiu abrir seu próprio laboratório no IBV graças a uma bolsa da Fundação La Caixa, exemplo do modelo que o centro deseja ampliar.
Ciência aberta, divulgação e conexão com a sociedade
Para a diretora, o aniversário de 25 anos também tem um objetivo simbólico: tornar o IBV mais visível para a sociedade. O instituto intensificou ações de divulgação em escolas, feiras científicas e eventos públicos, reforçando a ideia de que ciência não deve ser distante nem restrita a laboratórios.
A celebração contará com a presença de pesquisadoras de renome internacional, como Ana María Cuervo, referência mundial em envelhecimento, e Eva Nogales, líder em criomicroscopia eletrônica. Mais do que comemorar o passado, o IBV olha para o futuro com uma missão clara: fazer ciência de excelência, formar pessoas e aproximar o conhecimento da vida cotidiana.