Apesar da escalada nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China, o governo americano surpreendeu ao anunciar uma isenção de tarifas para diversos produtos eletrônicos importados. A medida foi divulgada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras e representa um recuo parcial nas taxas anunciadas no início do mês.
Itens beneficiados pela isenção
A nova decisão retira temporariamente da lista de produtos tarifados smartphones, notebooks, discos rígidos, processadores e outros componentes tecnológicos que, em sua maioria, não são produzidos nos Estados Unidos. Isso reduz consideravelmente o impacto de custo para os consumidores e evita aumentos expressivos em itens populares, como os iPhones e dispositivos da Samsung.
Segundo a Bloomberg, o alívio nas tarifas pode beneficiar empresas como Apple e Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), que recentemente anunciaram investimentos nos EUA. A isenção também abrange máquinas utilizadas na fabricação de semicondutores.
Impacto no mercado e nos consumidores
Com as tarifas anteriores, estimava-se que os preços de dispositivos eletrônicos subiriam até 70%. Um iPhone, por exemplo, poderia ultrapassar os US$ 1.800 (cerca de R$ 10.800). Para evitar isso, a Apple passou a transportar cerca de 1,5 milhão de unidades de iPhones da Índia para os EUA por meio de voos fretados — uma estratégia para contornar os custos adicionais.
O alívio tarifário evita um aumento drástico nos preços ao consumidor final e ao mesmo tempo preserva o funcionamento de cadeias produtivas globais, das quais a China é peça fundamental.
Tarifa pode voltar a qualquer momento
Apesar do impacto positivo imediato, analistas alertam que a isenção pode ser apenas temporária. O governo Trump tem usado as tarifas como ferramenta de pressão geopolítica, citando a atuação chinesa nas cadeias de fornecimento de fentanil como um dos motivos para a imposição das taxas.
A medida reduz, por ora, o alcance de uma tarifa média de 145% sobre produtos chineses. No entanto, novas alíquotas ajustadas podem ser anunciadas futuramente, reacendendo incertezas no mercado.
[Fonte: Carta Capital]