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Deixar de comer três horas antes de dormir e prolongar o jejum noturno pode melhorar coração e metabolismo após os 40, aponta estudo

Uma nova pesquisa da Northwestern University sugere que alinhar o horário das refeições com o ciclo natural de sono pode trazer benefícios importantes para a saúde. Adultos que param de comer algumas horas antes de dormir e prolongam o jejum noturno apresentam melhorias mensuráveis na pressão arterial, frequência cardíaca e controle da glicose.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante muito tempo, a ciência da nutrição concentrou-se quase exclusivamente no que comemos. Hoje, pesquisadores começam a olhar também para outra variável fundamental: quando comemos. Um novo estudo conduzido pela Northwestern University, nos Estados Unidos, indica que sincronizar o horário das refeições com o ciclo natural de sono pode melhorar significativamente indicadores de saúde cardiometabólica, especialmente em pessoas acima dos 40 anos.

O papel do relógio biológico

Idoso Anciano Beber
© Curated Lifestyle – Unsplash

O organismo humano funciona seguindo o chamado ritmo circadiano, um ciclo biológico de aproximadamente 24 horas que regula processos como sono, metabolismo, liberação hormonal e funcionamento cardiovascular.

Esse relógio interno ajuda a determinar quando o corpo está mais preparado para digerir alimentos, produzir energia ou descansar. Quando os horários de alimentação entram em conflito com esse ciclo natural, podem surgir desequilíbrios metabólicos.

Uma saúde cardiometabólica comprometida aumenta o risco de doenças crônicas importantes, como diabetes tipo 2, doença hepática gordurosa não alcoólica e problemas cardiovasculares. Por isso, pesquisadores têm investigado intervenções simples que possam melhorar esses indicadores sem depender necessariamente de medicamentos.

O estudo da Northwestern University

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Northwestern University, em Illinois, e publicada na revista científica Arteriosclerosis, Thrombosis, and Vascular Biology.

O estudo analisou adultos de meia-idade e idosos com risco elevado de desenvolver doenças cardiometabólicas. Os pesquisadores testaram uma estratégia relativamente simples: sincronizar o período de jejum noturno com o ciclo natural de sono e vigília.

Os participantes foram orientados a parar de comer cerca de três horas antes de dormir e a prolongar o jejum noturno em aproximadamente duas horas. Na prática, isso resultou em períodos de jejum entre 13 e 16 horas.

Durante o mesmo intervalo, os voluntários também foram incentivados a reduzir a exposição à luz antes de dormir, ajudando o corpo a entrar em um estado fisiológico mais adequado ao descanso.

Segundo a pesquisadora Daniela Grimaldi, uma das autoras do estudo, alinhar o período de jejum ao ritmo biológico pode melhorar a coordenação entre diferentes sistemas do organismo.

Ela explica que coração, metabolismo e sono trabalham de forma integrada para proteger a saúde cardiovascular, e manter esses processos sincronizados pode trazer benefícios significativos.

Melhoras mensuráveis no coração e no metabolismo

Desgaste Do Coração
© Los Muertos Crew – Pexels

Os resultados mostraram mudanças claras nos indicadores de saúde dos participantes.

Entre aqueles que seguiram a rotina de parar de comer três horas antes de dormir e prolongar o jejum noturno, a pressão arterial durante a noite caiu cerca de 3,5%. Já a frequência cardíaca apresentou uma redução média de 5%.

Esses resultados indicam um padrão diário mais saudável de funcionamento cardiovascular. Durante o dia, quando o corpo está ativo, a frequência cardíaca e a pressão arterial tendem a subir. À noite, durante o sono, esses indicadores naturalmente diminuem.

Quando essa diferença entre atividade diurna e descanso noturno é mais marcada, ela costuma estar associada a uma melhor saúde do sistema cardiovascular.

Controle mais eficiente do açúcar no sangue

Além das melhorias cardíacas, os participantes também demonstraram avanços no controle da glicose.

Em testes realizados pelos pesquisadores, o organismo respondeu de forma mais eficiente quando recebeu uma carga de glicose. O pâncreas mostrou uma resposta mais eficaz, indicando melhor liberação de insulina.

Isso sugere um controle mais estável dos níveis de açúcar no sangue ao longo do dia, fator essencial para reduzir o risco de diabetes tipo 2 e outras complicações metabólicas.

Segundo a pesquisadora Phyllis Zee, diretora do Centro de Medicina Circadiana e do Sono da Northwestern University, os resultados reforçam uma ideia que vem ganhando força na ciência da nutrição.

Não é apenas a quantidade ou o tipo de alimento que importa. O momento em que comemos, especialmente em relação ao horário de sono, também pode influenciar diretamente o funcionamento do organismo.

Uma estratégia simples e acessível

Os pesquisadores destacam que alinhar o horário das refeições com o ciclo de sono pode ser uma intervenção prática e relativamente fácil de implementar.

Diferentemente de dietas restritivas complexas, a estratégia consiste principalmente em reorganizar os horários das refeições, prolongando o período natural de jejum durante a noite.

Para adultos de meia-idade e idosos, grupo que apresenta maior risco cardiometabólico, essa abordagem pode se tornar uma ferramenta útil para melhorar a saúde cardiovascular e metabólica de forma gradual.

À medida que novas pesquisas investigam a relação entre alimentação e ritmo circadiano, fica cada vez mais claro que a pergunta sobre saúde alimentar não é apenas “o que comer”, mas também “quando comer”.

 

[ Fonte: Men´s Health ]

 

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