Comprar um assento de janela em um voo costuma ser um dos privilégios mais disputados pelos passageiros — seja para ver a paisagem, reduzir a claustrofobia ou simplesmente ficar mais confortável. Mas e quando o assento de “janela” não tem janela? Essa é a situação que levou Delta e United Airlines a enfrentarem ações judiciais por suposta omissão de informações e prática enganosa na venda de assentos.
O que motivou os processos
As ações foram movidas nesta semana em tribunais federais dos EUA:
- Meyer v. Delta Air Lines Inc — Corte do Distrito Leste de Nova York, processo nº 25-04608
- Brenman et al v. United Airlines Inc — Corte do Distrito Norte de São Francisco, processo nº 25-06995
Segundo os documentos, as empresas cobram taxas adicionais para que passageiros escolham assentos de janela, mas não informam quando esses assentos não têm vista alguma.
De acordo com os advogados que movem a ação, Delta e United “venderam intencionalmente milhões de assentos de janela sem janela” ao longo dos últimos anos, afetando potencialmente mais de 1 milhão de passageiros.
Como funciona o problema nos aviões
Diversos modelos de aeronaves da Delta e da United — incluindo Boeing 737, Boeing 757 e Airbus A321 — possuem assentos próximos à fuselagem que não têm janela. Isso acontece porque, nesses pontos, o espaço é ocupado por:
- dutos de ar-condicionado,
- conduítes elétricos,
- ou outros componentes internos da estrutura.
Apesar disso, os assentos continuam sendo listados e vendidos como “window seats” nos sites das companhias.
Reclamações de passageiros

As ações incluem fotos, prints de redes sociais e relatos de usuários em fóruns como r/Delta, no Reddit, reclamando por pagarem mais caro e não receberem o benefício prometido.
Os passageiros argumentam que muitas pessoas escolhem propositalmente assentos de janela por motivos que vão além da estética:
- medo de voar — a vista ajuda a controlar a ansiedade;
- claustrofobia — sentar na janela dá sensação de mais espaço;
- preferência por mais privacidade durante o voo.
Custos adicionais sob questionamento
O processo destaca que as companhias cobram caro pelo privilégio de escolher assentos de janela:
- Passageiros de tarifa básica precisam pagar cerca de US$ 40 para subir de categoria;
- Depois, podem desembolsar mais de US$ 30 para escolher especificamente um assento de janela;
- Quem não paga em dinheiro, gasta milhas, pontos de programas de fidelidade ou benefícios de cartões de crédito para garantir a escolha.
Essas taxas são cobradas além da passagem aérea, impostos e demais tarifas, o que aumenta a sensação de propaganda enganosa entre os consumidores.
As defesas das companhias
Enquanto a United Airlines declarou que não comentará casos em andamento, a Delta não respondeu aos pedidos de posicionamento até o momento.
Advogados dos passageiros afirmam que, mesmo que existam sites independentes, como o SeatGuru, que mostram o mapa detalhado dos assentos com ou sem janela, isso não exime as companhias da responsabilidade:
“Uma empresa não pode enganar o consumidor e depois dizer que ele deveria ter pesquisado em um site de terceiros para descobrir a verdade”, declarou Carter Greenbaum, advogado que representa os autores da ação.
O que esperar a partir de agora
Se os tribunais reconhecerem a propaganda enganosa, Delta e United poderão enfrentar:
- indenizações milionárias aos passageiros,
- mudanças na forma de exibir os assentos nos sites,
- e novas regulamentações da indústria para garantir transparência na venda de passagens.
Para os viajantes, a recomendação dos especialistas é verificar o modelo da aeronave antes de escolher o assento — ao menos até que o caso seja julgado.