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Depois de Cruella e Malévola, Disney aposta em mais um vilão clássico

Depois de transformar antagonistas em protagonistas rentáveis, a Disney avança com um novo projeto em live-action. A aposta reforça uma estratégia que vem dando dinheiro — e redefinindo seus contos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Nos últimos anos, a Disney descobriu algo valioso ao revisitar seus clássicos: os vilões, quando colocados no centro da história, rendem atenção, bilheteria e debate. O que começou como uma experiência pontual virou um caminho claro de expansão criativa. Agora, o estúdio prepara mais um passo nessa direção, resgatando um antagonista icônico e abrindo espaço para uma nova leitura — menos maniqueísta e mais lucrativa.

Um vilão clássico volta ao centro do palco

A informação surgiu discretamente, mas foi suficiente para reacender o interesse dos fãs. Segundo revelou a imprensa especializada no fim do ano passado, a Disney está desenvolvendo um novo filme em live-action focado em Gaston, um dos vilões mais memoráveis de A Bela e a Fera. O projeto ainda está em estágio inicial, sem data de estreia ou sinopse detalhada, mas já indica o tom geral: uma história original, com espírito de aventura e espaço para aprofundar o personagem.

Gaston apareceu pela primeira vez na animação de 1991 como um caçador vaidoso, confiante até a caricatura e obcecado por Belle. Ao longo dos anos, tornou-se um antagonista curioso: desprezível em suas atitudes, mas carismático o suficiente para marcar gerações. Essa popularidade cresceu ainda mais com a versão em ação real lançada em 2017, que ultrapassou a marca de US$ 1,2 bilhão em bilheteria global.

Esse sucesso consolidou algo importante dentro da Disney: há apetite do público por releituras que explorem os vilões para além do rótulo de “mal absoluto”.

O que se sabe — e o que ainda é mistério

Por enquanto, o novo filme de Gaston está cercado de perguntas. Uma das principais é se Luke Evans, responsável por interpretar o personagem no live-action de 2017, voltará ao papel. Não há confirmação oficial. Algumas fontes sugerem que a produção pode optar por mostrar uma versão mais jovem do vilão, o que abriria espaço para um novo ator e uma abordagem de origem.

Apesar das incertezas no elenco, o projeto já conta com nomes relevantes nos bastidores. O roteiro ficará a cargo de Dave Callaham, profissional experiente em grandes franquias e conhecido por trabalhos que equilibram ação e construção de personagens. A produção será liderada por Michelle Rejwan, figura associada a projetos recentes de alto perfil dentro da Disney.

Esse cuidado na escolha da equipe indica que o estúdio não trata a ideia como algo secundário, mas como parte de uma estratégia maior de expansão do catálogo em live-action.

A estratégia que transformou vilões em protagonistas

A decisão de investir em Gaston não surge do nada. Ela é consequência direta do êxito de filmes como Malévola e Cruella, que provaram ser possível revisitar antagonistas sob outra ótica sem perder apelo comercial. Nessas produções, a Disney apostou em narrativas que humanizam, contextualizam e, em alguns casos, suavizam personagens tradicionalmente vistos como vilões.

Esse movimento coincide com o desempenho recente de outras adaptações em ação real. Em 2025, Lilo & Stitch superou a marca de US$ 1 bilhão em arrecadação mundial, reforçando a confiança do estúdio nesse formato, mesmo após resultados irregulares de títulos anteriores.

Curiosamente, a ideia de expandir a história de Gaston já havia sido considerada no passado, inclusive como uma série derivada. Na época, o projeto não avançou. Agora, com o mercado mais receptivo e exemplos de sucesso no currículo, a Disney parece disposta a tentar novamente.

O lado lucrativo do “lado sombrio”

Mais do que nostalgia, esses filmes revelam uma leitura estratégica do comportamento do público. Histórias centradas em vilões oferecem conflito, ambiguidade moral e espaço para revisões contemporâneas — elementos que dialogam bem com audiências atuais. Além disso, permitem explorar universos conhecidos sem repetir exatamente as mesmas tramas.

Por enquanto, o novo filme segue sem data, elenco confirmado ou detalhes de enredo. Ainda assim, o recado está dado: a Disney encontrou nos seus antagonistas uma fonte confiável de reinvenção criativa e retorno financeiro.

E tudo indica que o estúdio continuará explorando esse caminho, convencido de que o lado mais sombrio de seus contos ainda tem muito a render.

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