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Ciência

Novo processo transforma plásticos misturados em hidrogênio limpo sem necessidade de separação

Pesquisadores da UCLA e da Ewha Womans University desenvolveram uma técnica que converte plásticos misturados em hidrogênio de alta pureza sem exigir separação prévia. Além disso, o método captura a maior parte do carbono em forma sólida, reduz as emissões e abre novas possibilidades para a economia circular.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Milhões de toneladas de plástico são descartadas todos os anos, mas apenas uma pequena parcela retorna ao ciclo produtivo. Um dos maiores obstáculos é a necessidade de separar cada tipo de plástico antes da reciclagem, um processo caro, demorado e complexo. Agora, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e da Ewha Womans University, na Coreia do Sul, desenvolveram uma tecnologia capaz de eliminar essa etapa. Ao mesmo tempo, o método transforma diretamente plásticos misturados em hidrogênio limpo e captura o carbono em forma de mineral sólido.

Nova técnica recicla plásticos misturados sem separação

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© Karolina Grabowska – Unsplash

Os pesquisadores publicaram o estudo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Nele, a equipe apresenta uma alternativa para reaproveitar três dos plásticos mais utilizados no mundo: PET, polietileno (PE) e polipropileno (PP).

Em vez de exigir a separação desses materiais antes do processamento, a tecnologia trata todos eles no mesmo reator.

Segundo os autores, essa estratégia pode reduzir significativamente os custos da reciclagem química. Além disso, ela amplia o aproveitamento de resíduos que hoje acabam em aterros sanitários ou seguem para a incineração.

Como resultado, o processo diminui o volume de lixo plástico e produz hidrogênio de alta pureza, um combustível considerado essencial para a transição energética.

Como funciona o novo processo químico

A tecnologia utiliza um método conhecido como tratamento térmico alcalino (ATT).

Durante a reação, o sistema aquece os plásticos na presença de hidróxido de sódio. Em seguida, o composto quebra as cadeias moleculares do material e libera hidrogênio.

Uma das maiores vantagens está na temperatura de operação.

Enquanto a gaseificação convencional exige temperaturas extremamente elevadas, o ATT funciona entre 300 °C e 400 °C abaixo desse padrão.

Por isso, a tecnologia pode reduzir o consumo de energia caso a indústria consiga aplicá-la em larga escala.

Nos testes de laboratório, os pesquisadores obtiveram hidrogênio com pureza superior a 90%. Esse nível atende às exigências de diversas aplicações industriais e energéticas após as etapas convencionais de purificação.

Pré-tratamento supera o desafio dos plásticos mais resistentes

O PET reage facilmente ao tratamento químico. No entanto, o polietileno e o polipropileno possuem uma estrutura molecular muito mais estável.

Para resolver esse problema, a equipe desenvolveu um pré-tratamento térmico com ar.

Essa etapa modifica levemente a superfície dos plásticos, aumenta sua reatividade e facilita a transformação química.

Graças a essa estratégia, o processo trata os três materiais simultaneamente. Até então, tecnologias de baixa temperatura encontravam grande dificuldade para alcançar esse resultado.

Processo captura o carbono em vez de liberar CO₂

Fibra De Carbono
© Artbox – Shutterstock

Outro diferencial importante envolve a forma como o sistema administra o carbono.

Nos processos convencionais de valorização energética, grande parte do carbono presente nos plásticos acaba sendo liberada como dióxido de carbono (CO₂).

Neste caso, porém, o hidróxido de sódio captura o carbono durante a reação e o transforma em carbonato de sódio, um composto sólido.

Depois disso, esse material pode ser convertido em carbonato de cálcio, um mineral amplamente utilizado na fabricação de cimento, papel, tintas, plásticos e materiais de construção.

Segundo os pesquisadores, mais de 75% do carbono originalmente presente nos resíduos permanece retido em compostos sólidos ou líquidos estáveis.

Ao mesmo tempo, menos de 13% segue para a fase gasosa, o que reduz praticamente a zero as emissões diretas de CO₂ durante o processo.

Tecnologia fortalece a economia circular do hidrogênio

Hoje, a eletrólise alimentada por fontes renováveis responde pela maior parte da produção de hidrogênio de baixa emissão.

Entretanto, os autores acreditam que a nova tecnologia pode complementar essa estratégia ao transformar resíduos plásticos de difícil reciclagem em uma nova fonte de energia.

Além disso, o método elimina a etapa de separação dos materiais e pode reduzir um dos principais custos da reciclagem química.

Isso não significa que a reciclagem mecânica perderá importância.

Pelo contrário, ela continua sendo a melhor opção para resíduos limpos e previamente separados. Já a nova tecnologia oferece uma alternativa para materiais misturados que atualmente possuem baixo valor econômico.

Ainda existem desafios antes da aplicação comercial

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que a tecnologia ainda permanece em fase experimental.

Agora, a equipe pretende avaliar o desempenho do processo fora do laboratório e verificar se ele consegue competir economicamente com outras formas de produção de hidrogênio.

Além disso, os cientistas precisarão estudar o consumo de reagentes, a recuperação do hidróxido de sódio, a eficiência energética global e o tratamento dos subprodutos.

Outro desafio será adaptar a tecnologia aos resíduos reais das centrais de reciclagem, onde os plásticos normalmente chegam misturados com tintas, etiquetas, restos de alimentos, aditivos e outros contaminantes.

Mesmo assim, a combinação entre reciclagem química, captura de carbono e produção de hidrogênio coloca essa tecnologia entre as propostas mais promissoras para reduzir o impacto ambiental dos resíduos plásticos. Se os próximos estudos confirmarem sua viabilidade técnica e econômica, ela poderá transformar materiais que hoje representam um problema ambiental em uma importante fonte de energia de baixas emissões.

[ Fonte: EcoInventos ]

 

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