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Ciência

E se os buracos negros forem, na verdade, labirintos cósmicos em múltiplas dimensões?

Um novo estudo desafia tudo o que sabemos sobre os buracos negros. Em vez de pontos sem retorno, eles podem ser estruturas complexas, repletas de túneis e câmaras interligadas em onze dimensões — e, surpreendentemente, capazes de armazenar informação. A hipótese pode ser a chave para unir as duas maiores teorias da física.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, os buracos negros foram considerados prisões cósmicas: lugares onde tudo que entra se perde para sempre. Mas um grupo de físicos teóricos propõe uma visão radicalmente diferente. Usando a teoria das cordas, eles sugerem que os buracos negros não são pontos de destruição, e sim labirintos hipercomplexos — e podem, na verdade, resolver um dos maiores enigmas da física moderna.

Um enigma antigo com uma nova resposta

Desde que Stephen Hawking levantou, em 1974, a chamada “paradoxa da informação”, a física busca uma forma de conciliar duas leis fundamentais: a existência dos buracos negros e a impossibilidade de destruir informação. Segundo a física clássica, nada escapa de um buraco negro, nem mesmo a informação sobre o que caiu nele. Isso entra em conflito com os princípios da mecânica quântica.

Agora, um estudo publicado no Journal of High Energy Physics oferece uma nova perspectiva: os buracos negros não teriam nem horizonte de eventos, nem uma singularidade no centro. Em vez disso, seriam estruturas de cordas e membranas vibrando em 11 dimensões — um verdadeiro superlabirinto interdimensional.

Superlabirintos em vez de pontos sem volta

Usando a teoria das cordas, eles sugerem que os buracos negros não são pontos de destruição, e sim labirintos hipercomplexos
© Unsplash

De acordo com os autores — Nicholas Warner, Iosif Bena, Dimitrios Toulikas e Anthony Houppe — o buraco negro seria uma rede intrincada formada por M2-branas (cordas bidimensionais) e M5-branas (membranas pentadimensionais), que ao se entrelaçarem formam túneis, cavidades e salas em múltiplas dimensões.

Do lado de fora, tudo parece uma esfera escura. Mas por dentro, existe uma geometria altamente organizada, capaz de armazenar — e eventualmente liberar — informação. É como uma cidade infinita, não feita de prédios e ruas, mas de superfícies que se curvam, se conectam e vibram umas com as outras.

Warner compara essa estrutura a um disco rígido cósmico: “Ela guarda dados e os libera pouco a pouco, conforme o sistema evapora”. Essa evaporação seria a radiação de Hawking, e, segundo o modelo proposto, a informação contida no buraco negro não se perderia — apenas se espalharia pelo labirinto.

Uma geometria sem horizonte

O modelo proposto pelos pesquisadores se alinha à teoria da “fuzzball” (bola de pelúcia), desenvolvida por Samir Mathur. Nessa versão, os buracos negros não têm um ponto de não retorno, nem um centro de colapso total. O que existe é um emaranhado de cordas que dá origem a uma nova estrutura, sem bordas definidas.

O estudo introduz a chamada função labirinto — uma equação matemática que define como essas branas se organizam nas 11 dimensões. Apesar de sua complexidade, os autores conseguiram encontrar soluções específicas que mostram como essa rede pode surgir naturalmente, sem violar as leis da física conhecidas.

Uma ponte entre dois mundos

Apesar do entusiasmo, alguns físicos destacam limitações no estudo. Don Marolf, da Universidade da Califórnia, elogia a semelhança entre as soluções e buracos negros reais, mas lembra que ainda não se provou que esses labirintos representam os objetos que observamos no cosmos.

Juan Maldacena, do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, ressalta que ainda falta um conjunto completo de soluções capazes de explicar a entropia dos buracos negros — que, na teoria clássica, depende da área do horizonte, algo inexistente nesse novo modelo.

Mesmo assim, o estudo abre caminho para algo maior: conectar a relatividade geral de Einstein com a física quântica. Se os buracos negros forem realmente superestruturas em múltiplas dimensões, entender sua organização pode ser o passo definitivo para unir os dois pilares da física moderna.

 

Fonte: El Confidencial 

 

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