Cirurgias no cérebro costumam ser associadas a anestesia geral, silêncio absoluto e máxima tensão. Mas nem sempre esse é o caminho mais seguro. Em um hospital do Paraná, uma paciente viveu uma experiência rara: permaneceu acordada enquanto médicos retiravam um tumor cerebral. O detalhe que chamou atenção, porém, não foi apenas o procedimento em si, mas o que ela decidiu fazer durante a operação.
Por que alguns tumores exigem cirurgia com o paciente acordado
A chamada “cirurgia cerebral acordada” é indicada quando a lesão está próxima de áreas responsáveis por funções essenciais, como fala, raciocínio e movimentos. Ao manter o paciente consciente, a equipe consegue monitorar essas capacidades em tempo real e evitar danos permanentes.
Segundo especialistas, o cérebro em si não possui receptores de dor. O desconforto fica restrito à pele e às membranas ao redor, que são devidamente anestesiadas. Isso permite que o paciente interaja, responda perguntas e execute tarefas simples enquanto o neurocirurgião atua.
Esse tipo de abordagem aumenta a precisão da cirurgia e reduz riscos neurológicos, especialmente em casos complexos.
O caso que chamou atenção no Paraná
A protagonista dessa história é Elidamaris Ferreira Martins Galter, agricultora de Cascavel, no oeste do Paraná. Diagnosticada com câncer de mama em 2023, ela enfrentou quimioterapia antes de descobrir que a doença havia evoluído para metástase cerebral.
As lesões atingiram uma região crítica do cérebro, ligada à fala e ao movimento. Diante disso, a equipe médica optou pela cirurgia acordada como a forma mais segura de remover o tumor.
O procedimento foi realizado no Hospital do Câncer Uopeccan, e marcou um momento inédito na instituição.
Crochê como ferramenta médica inesperada
Durante a operação, os médicos pedem que o paciente realize alguma atividade conhecida, que exija coordenação motora e concentração. Pode ser falar, contar números, cantar — ou, no caso de Elidamaris, fazer crochê.
A escolha não foi aleatória. Além de permitir a avaliação contínua dos movimentos e da atenção, a atividade ajudou a manter a paciente calma ao longo do procedimento, que exige tranquilidade absoluta.
Antes da cirurgia, ela passou por avaliações detalhadas de comportamento, capacidade de atenção e resposta a comandos. Um dos critérios mais importantes, segundo os médicos, é que o paciente consiga manter o controle emocional durante todo o processo.
O que os médicos monitoram em tempo real
Durante a retirada do tumor, a equipe utiliza eletrodos e estímulos diretos na superfície do cérebro para mapear funções específicas. Cada resposta da paciente indica se determinada área está ligada ao movimento da mão, da face ou à fala.
O neurocirurgião Bruno Amorim explicou que a metástase provocava um inchaço significativo ao redor da lesão, afetando múltiplas funções. A cirurgia acordada permitiu identificar, segundo a segundo, quais regiões poderiam ser manipuladas com segurança.
Esse monitoramento em tempo real é o que torna o procedimento mais longo, porém muito mais preciso.
Um momento delicado que terminou em sucesso
A cirurgia foi realizada em novembro e foi considerada um sucesso pela equipe médica. Em depoimento, Elidamaris contou que foi orientada a manter a calma desde o início, pois qualquer pânico poderia comprometer o procedimento.
Após a retirada do tumor, ela seguiu com o tratamento oncológico, agora com sessões de radioterapia. Apesar do processo difícil, mantém uma postura firme diante da doença, destacando a importância de não desistir.
🚨SUPERAÇÃO E CORAGEM:
✅AGRICULTORA FAZ CROCHÊ DURANTE CIRURGIA NO CÉREBRO A agricultora Elidamaris Ferreira Martins Galter, de Cascavel, no oeste do Paraná, viveu um momento de superação ao permanecer acordada durante uma cirurgia para retirada de um tumor no cérebro. O… pic.twitter.com/zSTcLopir2
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) December 31, 2025
O caso chamou atenção não apenas pelo vídeo que circulou nas redes, mas por mostrar como a medicina moderna combina tecnologia, estratégia e humanidade para salvar vidas.
Quando estar acordado é o que garante a segurança
A história de Elidamaris revela um lado pouco conhecido da neurocirurgia. Estar acordado durante uma cirurgia cerebral não é um espetáculo — é uma escolha técnica, baseada em ciência e precisão.
E, às vezes, um gesto simples, como fazer crochê, se transforma em uma ferramenta essencial para que médicos possam operar com segurança máxima. Um lembrete de que, mesmo nos procedimentos mais complexos, a medicina ainda depende profundamente da colaboração entre corpo, mente e confiança.
[Fonte: G1 – Globo]