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Ciência

Ela acordou durante a cirurgia no cérebro — e o que fez na sala de operação surpreendeu até os médicos

Durante um procedimento delicado no cérebro, uma paciente precisou permanecer acordada. Para manter a calma e ajudar os médicos, ela recorreu a algo inesperado — e o resultado impressionou.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Cirurgias no cérebro costumam ser associadas a anestesia geral, silêncio absoluto e máxima tensão. Mas nem sempre esse é o caminho mais seguro. Em um hospital do Paraná, uma paciente viveu uma experiência rara: permaneceu acordada enquanto médicos retiravam um tumor cerebral. O detalhe que chamou atenção, porém, não foi apenas o procedimento em si, mas o que ela decidiu fazer durante a operação.

Por que alguns tumores exigem cirurgia com o paciente acordado

A chamada “cirurgia cerebral acordada” é indicada quando a lesão está próxima de áreas responsáveis por funções essenciais, como fala, raciocínio e movimentos. Ao manter o paciente consciente, a equipe consegue monitorar essas capacidades em tempo real e evitar danos permanentes.

Segundo especialistas, o cérebro em si não possui receptores de dor. O desconforto fica restrito à pele e às membranas ao redor, que são devidamente anestesiadas. Isso permite que o paciente interaja, responda perguntas e execute tarefas simples enquanto o neurocirurgião atua.

Esse tipo de abordagem aumenta a precisão da cirurgia e reduz riscos neurológicos, especialmente em casos complexos.

O caso que chamou atenção no Paraná

A protagonista dessa história é Elidamaris Ferreira Martins Galter, agricultora de Cascavel, no oeste do Paraná. Diagnosticada com câncer de mama em 2023, ela enfrentou quimioterapia antes de descobrir que a doença havia evoluído para metástase cerebral.

As lesões atingiram uma região crítica do cérebro, ligada à fala e ao movimento. Diante disso, a equipe médica optou pela cirurgia acordada como a forma mais segura de remover o tumor.

O procedimento foi realizado no Hospital do Câncer Uopeccan, e marcou um momento inédito na instituição.

Crochê como ferramenta médica inesperada

Durante a operação, os médicos pedem que o paciente realize alguma atividade conhecida, que exija coordenação motora e concentração. Pode ser falar, contar números, cantar — ou, no caso de Elidamaris, fazer crochê.

A escolha não foi aleatória. Além de permitir a avaliação contínua dos movimentos e da atenção, a atividade ajudou a manter a paciente calma ao longo do procedimento, que exige tranquilidade absoluta.

Antes da cirurgia, ela passou por avaliações detalhadas de comportamento, capacidade de atenção e resposta a comandos. Um dos critérios mais importantes, segundo os médicos, é que o paciente consiga manter o controle emocional durante todo o processo.

O que os médicos monitoram em tempo real

Durante a retirada do tumor, a equipe utiliza eletrodos e estímulos diretos na superfície do cérebro para mapear funções específicas. Cada resposta da paciente indica se determinada área está ligada ao movimento da mão, da face ou à fala.

O neurocirurgião Bruno Amorim explicou que a metástase provocava um inchaço significativo ao redor da lesão, afetando múltiplas funções. A cirurgia acordada permitiu identificar, segundo a segundo, quais regiões poderiam ser manipuladas com segurança.

Esse monitoramento em tempo real é o que torna o procedimento mais longo, porém muito mais preciso.

Um momento delicado que terminou em sucesso

A cirurgia foi realizada em novembro e foi considerada um sucesso pela equipe médica. Em depoimento, Elidamaris contou que foi orientada a manter a calma desde o início, pois qualquer pânico poderia comprometer o procedimento.

Após a retirada do tumor, ela seguiu com o tratamento oncológico, agora com sessões de radioterapia. Apesar do processo difícil, mantém uma postura firme diante da doença, destacando a importância de não desistir.

O caso chamou atenção não apenas pelo vídeo que circulou nas redes, mas por mostrar como a medicina moderna combina tecnologia, estratégia e humanidade para salvar vidas.

Quando estar acordado é o que garante a segurança

A história de Elidamaris revela um lado pouco conhecido da neurocirurgia. Estar acordado durante uma cirurgia cerebral não é um espetáculo — é uma escolha técnica, baseada em ciência e precisão.

E, às vezes, um gesto simples, como fazer crochê, se transforma em uma ferramenta essencial para que médicos possam operar com segurança máxima. Um lembrete de que, mesmo nos procedimentos mais complexos, a medicina ainda depende profundamente da colaboração entre corpo, mente e confiança.

[Fonte: G1 – Globo]

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