O empresário Elon Musk está mais uma vez no centro do noticiário — não por uma nova invenção ou polêmica no X, mas pelo desempenho preocupante da Tesla. Com lucros em queda e pressão dos investidores, o CEO promete se afastar da política e concentrar suas energias na empresa que o transformou em ícone da tecnologia.
Queda nas vendas e impacto global
Durante a última conferência de resultados, Musk anunciou que reduzirá sua atuação no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), criado sob o governo Trump, para apenas um ou dois dias por semana. A decisão veio logo após a Tesla divulgar números decepcionantes: queda de 9% na receita total, recuo de 20% no setor automotivo e um tombo de 71% no lucro líquido comparado ao mesmo período do ano anterior.
Além da concorrência crescente, a Tesla sofre efeitos indiretos da nova guerra comercial impulsionada pelos EUA, com tarifas que afetam fornecedores e parceiros logísticos em sua cadeia de produção.
Investidores inquietos e danos à reputação
Embora não culpe Trump diretamente, Musk se posicionou contra os novos impostos e disse defender uma economia mais aberta. Ainda assim, investidores questionam o tempo que o CEO tem dedicado à política e criticam sua imagem cada vez mais polarizada, especialmente após o apoio a partidos de extrema-direita na Europa.

Ataques e protestos contra lojas da Tesla têm aumentado, e analistas alertam para os impactos de reputação, especialmente entre consumidores jovens. Apesar disso, Musk insiste que sua contribuição para o DOGE está quase finalizada e que sua atenção estará de volta à Tesla — o que provocou uma alta de 4% nas ações no pós-mercado.
Novas promessas e concorrência feroz
Musk tenta acalmar o mercado prometendo avanços em direção autônoma e robôs humanoides. Também reafirmou que lançará um modelo mais acessível até o meio do ano e, para 2026, um “robotáxi” sem volante nem pedais. No entanto, esses projetos ainda não têm data certa de produção.
Enquanto isso, a concorrência asiática avança. A chinesa BYD já ultrapassou a Tesla em vendas trimestrais de carros elétricos e ameaça tomar a liderança global em 2025. O relatório financeiro da Tesla quase não mencionou a China — seu maior mercado —, o que acendeu ainda mais os alertas entre analistas.
A recuperação de Tesla passa agora por decisões estratégicas — e pela capacidade de Musk cumprir sua nova promessa: menos distrações e mais resultados.