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Empresas no Brasil relatam dificuldades crescentes para contratar profissionais

Um novo levantamento internacional revela um cenário que vem se repetindo no mercado de trabalho brasileiro.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Contratar novos profissionais deveria ser um processo natural em um mercado de trabalho dinâmico. No entanto, muitas empresas estão descobrindo que encontrar candidatos qualificados pode ser bem mais difícil do que imaginavam. Um novo levantamento internacional mostra que o desafio de preencher vagas no Brasil não apenas continua presente, como também se mantém acima da média global — levantando questionamentos sobre formação, qualificação e mudanças nas demandas profissionais.

Um problema persistente no mercado de trabalho brasileiro

Empresas no Brasil relatam dificuldades crescentes para contratar profissionais
© Pexels

Um estudo recente indica que a dificuldade para encontrar profissionais qualificados continua sendo um dos maiores desafios para empresas no Brasil. De acordo com a Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, realizada pelo ManpowerGroup, oito em cada dez empregadores brasileiros afirmam enfrentar obstáculos na hora de preencher vagas.

O número chama atenção porque supera a média global. Enquanto no Brasil cerca de 80% das empresas relatam dificuldades para contratar, no restante do mundo o índice médio é de 72%.

Mais do que um fenômeno momentâneo, o levantamento sugere que a escassez de talentos se tornou um elemento estrutural do mercado de trabalho. Nos últimos quatro anos, os números praticamente não mudaram. Em 2023 e 2024, o índice foi de 80%. Em 2025, chegou a 81%. Agora, em 2026, voltou a marcar 80%.

Mesmo representando uma pequena queda em relação ao ano anterior, o percentual ainda indica que a grande maioria das empresas continua encontrando barreiras para preencher posições abertas.

No ranking global elaborado a partir da pesquisa, o Brasil aparece entre os países com níveis mais elevados de escassez de profissionais qualificados. Entre os 41 mercados analisados, o país ocupa a oitava posição.

Alguns países apresentam níveis ainda mais críticos. A Eslováquia lidera o levantamento, com 87% dos empregadores relatando dificuldade para contratar. Logo atrás aparecem Grécia e Japão, ambos com 84%.

Empresas maiores enfrentam desafios ainda maiores

O estudo também revela que o tamanho da empresa influencia diretamente o grau de dificuldade na contratação de profissionais.

Entre microempresas, com menos de dez funcionários, cerca de 72% relatam enfrentar escassez de talentos. Embora o número já seja elevado, ele aumenta significativamente à medida que o porte da organização cresce.

Nas empresas com até 50 funcionários, os desafios se intensificam, e a tendência continua nas companhias de médio porte. O cenário mais crítico aparece entre organizações com grande número de colaboradores.

Nas empresas que possuem entre mil e quase cinco mil funcionários, o índice chega a impressionantes 90%. Isso significa que praticamente todas as companhias desse grupo relatam dificuldades para encontrar profissionais qualificados.

Além das diferenças entre empresas, o levantamento também identificou variações regionais dentro do próprio Brasil.

O estado de São Paulo aparece como o local onde os empregadores enfrentam mais obstáculos para contratar. Segundo os dados, 88% das empresas paulistas relatam dificuldades para preencher vagas.

Em seguida aparecem Minas Gerais, com 85%, e Rio de Janeiro, com 80%. Os números indicam que o problema está disseminado nas principais regiões econômicas do país.

As habilidades mais difíceis de encontrar hoje

Outro ponto analisado pela pesquisa envolve o tipo de competências que as empresas mais têm dificuldade para encontrar no mercado.

No Brasil, grande parte das lacunas está relacionada a habilidades técnicas específicas. Entre as chamadas hard skills mais escassas aparecem competências ligadas ao atendimento ao cliente, marketing e vendas.

Profissionais com conhecimento em tecnologia da informação e análise de dados também estão entre os mais difíceis de encontrar.

Além disso, o avanço da inteligência artificial começa a influenciar diretamente o mercado de trabalho. As empresas relatam crescente dificuldade para encontrar profissionais com letramento em IA, desenvolvimento de modelos e aplicações baseadas nessa tecnologia.

Mas não são apenas as habilidades técnicas que estão em falta.

Entre as chamadas soft skills mais valorizadas pelos empregadores brasileiros estão pensamento crítico e capacidade de resolver problemas complexos. Adaptabilidade e disposição para aprender continuamente também aparecem como características cada vez mais procuradas.

Outras qualidades frequentemente mencionadas incluem profissionalismo, ética no trabalho, boa comunicação, colaboração e capacidade de trabalhar em equipe.

No total, a pesquisa ouviu cerca de 39 mil empregadores em 41 países. O trabalho de campo foi realizado ao longo de outubro de 2025.

Os resultados indicam que a escassez de talentos não é apenas um desafio local, mas um fenômeno global — embora alguns países, como o Brasil, estejam sentindo seus efeitos de forma ainda mais intensa.

Para muitas empresas, o problema agora não é apenas abrir vagas, mas encontrar pessoas com as habilidades necessárias para ocupá-las.

[Fonte: Época Negócios]

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