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Ciência

Energia Cósmica de uma Supernova Pode Ter Causado Duas Extinções Massivas na Terra

Novas pesquisas indicam que explosões estelares próximas podem ter desempenhado um papel crucial em eventos de extinção em massa no planeta. Essa descoberta desafia a visão tradicional sobre as mudanças biológicas na história geológica e reforça a influência dos fenômenos cósmicos na evolução da vida.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Supernovas e a História da Terra

As supernovas sempre fascinaram os astrônomos, não apenas por sua impressionante liberação de energia, mas também por seu impacto na evolução do universo. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Keele sugere que esses eventos cósmicos podem ter tido um impacto muito mais próximo do que se imaginava: pelo menos duas extinções massivas na história geológica da Terra podem ter sido desencadeadas pela radiação de supernovas próximas.

Extinções do Devônico Tardio e do Ordoviciano

A história geológica da Terra registra cinco grandes eventos de extinção em massa que transformaram radicalmente a biodiversidade do planeta. Entre eles, as extinções do Devônico Tardio, há cerca de 372 milhões de anos, e do Ordoviciano, há aproximadamente 445 milhões de anos, sempre despertaram questionamentos sobre suas causas.

Durante a extinção do Ordoviciano, cerca de 60% dos invertebrados marinhos desapareceram. Naquela época, a vida estava predominantemente nos oceanos, sugerindo que os ecossistemas marinhos foram os mais afetados. Já o evento do Devônico Tardio teve um impacto ainda maior, eliminando cerca de 70% das espécies e alterando profundamente a composição dos peixes que habitavam os mares e lagos.

Estudos anteriores não conseguiram identificar um fator único responsável por essas extinções, embora houvesse indícios de que ambas estivessem relacionadas ao enfraquecimento da camada de ozônio. Esse fenômeno teria exposto os organismos vivos a altos níveis de radiação ultravioleta, um efeito condizente com o impacto de uma supernova próxima.

O Papel das Supernovas nas Extinções

As supernovas são explosões estelares massivas que ocorrem quando uma estrela gigante consome seu combustível nuclear, colapsa devido à gravidade e libera uma imensa quantidade de energia. Esses eventos são as explosões mais poderosas do universo e podem ter efeitos devastadores em planetas próximos.

Segundo os pesquisadores da Universidade de Keele, uma supernova relativamente próxima pode ter sido responsável pela destruição da camada de ozônio da Terra, provocando chuvas ácidas e permitindo que a radiação ultravioleta chegasse à superfície com intensidade letal. Isso explicaria os danos biológicos observados nas extinções do Devônico Tardio e do Ordoviciano.

De acordo com o Dr. Alexis Quintana, principal autor do estudo, “as explosões de supernovas trazem elementos químicos pesados ao meio interestelar, que mais tarde formam novas estrelas e planetas. No entanto, se um planeta estiver próximo demais a um evento desse tipo, os efeitos podem ser devastadores”.

Além de afetar a atmosfera terrestre, esse tipo de evento cósmico poderia ter alterado a química dos oceanos e a composição dos ecossistemas, resultando em mudanças significativas na biodiversidade.

Analisando Supernovas Próximas

Para testar essa hipótese, os cientistas realizaram um levantamento das estrelas massivas dentro de um raio de um quiloparsec (cerca de 3.260 anos-luz) do Sol. O foco estava nas estrelas OB, que são extremamente quentes e massivas e inevitavelmente terminam suas vidas em explosões de supernova.

Ao analisar a taxa de formação e destruição dessas estrelas na Via Láctea, os pesquisadores estimaram a frequência de supernovas próximas ao longo do tempo. Eles então compararam esses dados com a cronologia das extinções massivas na Terra, excluindo eventos já atribuídos a impactos de asteroides ou mudanças climáticas extremas. A conclusão foi que a frequência de supernovas próximas é compatível com as datas das extinções do Devônico Tardio e do Ordoviciano.

“Calculamos a taxa de supernovas próximas à Terra e descobrimos que ela é compatível com os eventos de extinção em massa que foram associados a influências cósmicas”, explicou o Dr. Nick Wright, coautor do estudo.

Esse achado representa um avanço significativo na compreensão da relação entre fenômenos cósmicos e a evolução da vida na Terra. A possibilidade de que uma extinção em massa tenha sido causada por um evento astronômico destaca o papel dos processos externos no desenvolvimento da biodiversidade do planeta.

O Impacto das Supernovas na Vida e no Futuro

Além de contribuir para a compreensão do passado da Terra, os dados desse estudo serão valiosos para o desenvolvimento de detectores de ondas gravitacionais, permitindo uma análise mais detalhada dos efeitos das supernovas e outros eventos cósmicos no universo.

Os astrônomos afirmam que, atualmente, existem apenas duas estrelas próximas que poderiam se tornar supernovas no próximo milhão de anos: Antares e Betelgeuse. No entanto, ambas estão a mais de 500 anos-luz de distância, e simulações indicam que uma explosão a essa distância não teria efeitos significativos sobre a Terra.

Apesar de sua força destrutiva, as supernovas também desempenham um papel essencial na formação de novos sistemas estelares e planetas, sendo tanto agentes de destruição quanto de criação no universo.

 

Fonte: Infobae

 

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