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Tecnologia

Energia nuclear de bolso: EUA testam microreatores portáteis para áreas remotas

Capazes de gerar energia em lugares isolados e transportáveis por caminhão, trem ou avião, os novos microreatores prometem revolucionar o fornecimento de eletricidade em situações críticas.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Os Estados Unidos estão apostando em uma tendência inversa à da maioria das inovações tecnológicas: tornar a energia nuclear menor, mais compacta e portátil. Em vez de usinas imensas, a nova proposta é criar reatores do tamanho de trailers, ideais para abastecer locais remotos ou responder rapidamente a crises energéticas.

Energia nuclear do tamanho de um contêiner

No início deste mês, o Departamento de Energia dos EUA (DOE) anunciou um acordo com as empresas privadas Westinghouse e Radiant para realizar testes inéditos com microreatores no DOME (Demonstration of Microreactor Experiments), uma instalação localizada no Laboratório Nacional de Idaho.

Os protagonistas da vez são os modelos eVinci, da Westinghouse, e Kaleidos, da Radiant. Com capacidade de geração de 5 megawatts e 1,2 megawatts, respectivamente, eles se enquadram na definição de microreatores do DOE: dispositivos que produzem entre 1 e 50 megawatts. Isso é significativamente menor que os reatores nucleares tradicionais, que podem gerar mais de 1.000 megawatts.

Pequenos, mas eficientes e estratégicos

Esses pequenos reatores não foram projetados para alimentar grandes metrópoles, mas sim locais afastados e com pouca infraestrutura energética, como regiões rurais, bases militares ou centros de dados isolados. Para se ter uma ideia, uma casa americana consome, em média, 30 quilowatts-hora por dia — o que equivale a 0,03 megawatts. Ou seja, um único Kaleidos poderia, teoricamente, abastecer dezenas de residências em uma área remota.

Além disso, a mobilidade é uma das maiores vantagens desses equipamentos. Eles podem ser transportados por caminhões, trens ou aviões, sendo ideais para atender a emergências provocadas por desastres naturais, ataques cibernéticos ou apagões em áreas críticas.

Substitutos para geradores a diesel?

O DOE vislumbra diferentes usos para cada reator. O eVinci seria destinado principalmente a centros de dados localizados em regiões remotas, enquanto o Kaleidos poderia substituir geradores a diesel — que são poluentes e menos eficientes — em situações emergenciais.

Segundo Mike Goff, secretário assistente interino de Energia Nuclear do DOE, os microreatores devem desempenhar um papel fundamental na ampliação do uso da energia nuclear nos Estados Unidos. “Esses experimentos do DOME vão testar novos designs que serão essenciais para fornecer energia confiável às nossas casas, bases militares e infraestruturas críticas no futuro”, afirmou.

Primeiros testes já têm data marcada

O início dos testes com combustível nuclear está previsto para a primavera de 2026. Eles deverão durar até seis meses, com o objetivo de avaliar a viabilidade técnica, a eficiência e a segurança dessas novas tecnologias.

Se os resultados forem positivos, os microreatores poderão marcar uma nova era da energia nuclear: menos monumental, mais acessível e com aplicações cada vez mais versáteis.

 

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