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Tecnologia

Esses painéis solares fazem mais do que gerar energia, e um experimento revelou por quê

Uma tecnologia que combina agricultura e energia renovável está transformando a maneira como pensamos os invernaderos. Os primeiros resultados surpreenderam os pesquisadores.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Em meio a temperaturas cada vez mais altas e à crescente pressão sobre os recursos hídricos, os invernaderos estão diante de um dilema: proteger as plantas do calor sem impedir que elas recebam a luz necessária para crescer. Agora, uma solução aparentemente simples começa a mudar essa equação. Em vez de apenas cobrir a estrutura, pesquisadores estão testando um material capaz de transformar o próprio teto em parte ativa do sistema.

Quando o teto deixa de ser apenas uma cobertura

A ideia foi investigada por pesquisadores da Universidade de Jaén, na Espanha, que decidiram testar painéis fotovoltaicos semitransparentes instalados sobre pequenos invernaderos experimentais.

Foram construídas três estruturas de aproximadamente dois metros quadrados. Duas receberam diferentes tipos de painéis solares, enquanto a terceira permaneceu com uma cobertura transparente convencional para servir como referência.

Durante cerca de um ano, os pesquisadores realizaram cinco ciclos de cultivo envolvendo tomates e alfaces. Sensores registravam, a cada cinco minutos, informações como temperatura, umidade do ar e do solo, concentração de dióxido de carbono, radiação que atravessava os painéis e eletricidade produzida.

O detalhe mais interessante é que os painéis não foram avaliados apenas pela quantidade de energia que conseguiam gerar. O objetivo era descobrir como a própria presença deles alterava o ambiente onde as plantas cresciam.

E foi justamente aí que surgiu uma das descobertas mais interessantes do experimento.

Menos calor, mais umidade e uma diferença inesperada

Os dois tipos de painéis testados conseguiram modificar o microclima dentro das estruturas. Ao bloquear parte da radiação solar, eles reduziram a temperatura interna e aumentaram a umidade relativa.

Em determinados momentos, a diferença em relação ao invernadero convencional chegou a cinco graus Celsius.

Essa mudança teve outro efeito importante: a água permaneceu disponível por mais tempo. Com menos calor incidindo diretamente sobre o cultivo, a evaporação diminuiu e o solo perdeu umidade mais lentamente.

Os números chamaram atenção. A tecnologia baseada em telurureto de cádmio, conhecida como CdTe, reduziu a perda de água em aproximadamente 31%. Já os painéis de silício amorfo, ou a-Si, alcançaram uma redução superior a 60%.

Os resultados podem ser especialmente relevantes para regiões onde o calor extremo e a escassez de água caminham juntos.

Mas havia um problema óbvio: se os painéis bloqueiam parte da luz solar, o que acontece com as plantas?

O detalhe da luz pode ser o verdadeiro segredo

A resposta está menos na quantidade de luz e mais no tipo de radiação que consegue atravessar a cobertura.

As plantas não utilizam todas as partes do espectro solar da mesma maneira. Durante os testes, os pesquisadores observaram que os painéis de CdTe permitiam a passagem de determinadas faixas de luz azul e vermelha, regiões importantes para a fotossíntese.

Ou seja, diminuir a luz disponível não significa necessariamente eliminar toda a radiação útil para o cultivo.

Tomates e alfaces também demonstraram capacidade de adaptação. As plantas modificaram seu crescimento, expandindo folhas e alongando caules para aproveitar melhor a radiação que permanecia disponível.

A próxima etapa será descobrir até que ponto essas mudanças influenciam a produtividade, a qualidade dos alimentos e o risco de doenças.

Os pesquisadores pretendem continuar os experimentos em Murcia, na Espanha, utilizando instalações mais próximas das condições encontradas em invernaderos comerciais. Regiões como Almería, com clima semiárido e temperaturas elevadas, também podem se beneficiar dessa abordagem.

A proposta faz parte de um conceito cada vez mais importante na agricultura: a agrivoltaica, que procura utilizar a mesma área para produzir alimentos e eletricidade. Nesse caso, porém, existe uma vantagem adicional: o mesmo teto pode ajudar a gerar energia, reduzir o calor e preservar um recurso que se torna cada vez mais valioso — a água.

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