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Esta ficção científica transformou cidades inteiras em predadores gigantes e hoje ganha uma nova chance no streaming

Uma ambiciosa adaptação literária imaginou um futuro em que cidades percorrem o planeta sobre rodas. O resultado dividiu opiniões, mas continua visualmente difícil de esquecer.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Depois de transformar a Terra Média em um fenômeno cinematográfico, Peter Jackson voltou sua atenção para outro universo literário gigantesco. Desta vez, nada de hobbits ou dragões: o projeto imaginava uma civilização reconstruída sobre máquinas colossais, perseguições e cidades capazes de devorar umas às outras. A aposta não conquistou os cinemas como esperado, mas agora encontrou no streaming uma oportunidade para ser redescoberta.

Um futuro em que permanecer parado pode ser uma sentença

A história é Máquinas Mortais, adaptação do primeiro livro da série escrita pelo britânico Philip Reeve. Lançado nos cinemas em 2018, o filme transporta o espectador para centenas de anos depois de uma catástrofe que destruiu grande parte da civilização como conhecemos.

A solução encontrada pelos sobreviventes está longe de ser convencional.

Cidades inteiras foram colocadas sobre estruturas móveis gigantescas. Elas percorrem territórios procurando recursos e, nesse novo ecossistema, tamanho significa poder.

Londres ocupa uma posição privilegiada nessa cadeia alimentar urbana. Transformada em uma construção monumental sobre rodas, a capital britânica atravessa o planeta perseguindo assentamentos menores para capturá-los e consumir seus recursos.

É nesse cenário que aparece Hester Shaw, interpretada por Hera Hilmar. Seu passado está diretamente ligado a Thaddeus Valentine, personagem vivido por Hugo Weaving e uma das figuras mais influentes dessa Londres ambulante.

Hester acaba cruzando o caminho de Tom Natsworthy, interpretado por Robert Sheehan. Quando os dois são expulsos da cidade, precisam sobreviver fora da gigantesca fortaleza móvel.

A partir daí, o filme mergulha definitivamente em seu universo de máquinas monumentais, aeronaves, cidades móveis e paisagens pós-apocalípticas, misturando elementos que lembram Mad Max, Star Wars e a estética steampunk.

Peter Jackson passou anos tentando levar esse universo aos cinemas

O envolvimento de Peter Jackson ajuda a explicar por que Máquinas Mortais possui uma escala tão ambiciosa.

O cineasta já estava interessado na adaptação havia aproximadamente uma década. Durante algum tempo, inclusive, existiu a possibilidade de que ele próprio assumisse a direção.

Então aconteceu algo que mudou os planos.

Jackson retornou à Terra Média para comandar a trilogia de O Hobbit, projeto que acabou ocupando vários anos de sua carreira. Quando finalmente conseguiu voltar sua atenção para Máquinas Mortais, os direitos cinematográficos dos livros de Philip Reeve estavam próximos de expirar e era necessário acelerar a produção.

A direção acabou nas mãos de Christian Rivers, colaborador de longa data de Jackson e profissional envolvido em efeitos visuais e trabalhos de segunda unidade em produções anteriores do diretor.

Jackson, entretanto, permaneceu profundamente ligado ao projeto.

Ele escreveu o roteiro ao lado de Fran Walsh e Philippa Boyens, parceiras fundamentais na adaptação de O Senhor dos Anéis, e também atuou como produtor.

A ambição aparece principalmente na parte visual. O filme apresenta construções gigantescas, combates, perseguições e paisagens devastadas, com efeitos produzidos por uma equipe da Weta Digital.

Christian Rivers descreveu a intenção visual como uma combinação de referências vindas de universos como Star Wars, Mad Max e Harry Potter. O resultado é uma ficção científica que dificilmente pode ser acusada de pensar pequeno.

O problema apareceu quando a superprodução chegou aos cinemas

Esta ficção científica transformou cidades inteiras em predadores gigantes e hoje ganha uma nova chance no streaming
© Pexels

Toda essa ambição também trouxe um desafio considerável: Máquinas Mortais precisava explicar rapidamente um universo pouco conhecido pelo grande público e, ao mesmo tempo, convencer os espectadores de que havia ali material suficiente para sustentar uma nova franquia.

O plano não funcionou.

Com orçamento reportado em aproximadamente US$ 100 milhões, a produção arrecadou cerca de US$ 84,8 milhões mundialmente. Para uma superprodução com pretensões de iniciar uma saga, o resultado ficou muito abaixo do necessário.

A recepção da crítica também foi complicada. Segundo o artigo original, o longa aparece com apenas 26% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Mas fracasso comercial e falta de ideias são coisas diferentes.

O tempo pode até ter deixado mais evidentes alguns problemas da adaptação, mas também preservou aquilo que tornou o projeto tão incomum. Poucas superproduções recentes apresentam uma imagem comparável à de Londres convertida em uma gigantesca máquina predadora atravessando territórios para capturar cidades menores.

É justamente essa estranheza que pode tornar o filme interessante para quem nunca lhe deu uma oportunidade.

Com duas horas e oito minutos de duração, Máquinas Mortais está disponível atualmente na HBO Max. A disponibilidade pode variar em outros países.

Talvez o projeto não tenha se transformado na grande franquia que seus criadores imaginavam. O streaming, porém, oferece uma segunda chance para descobrir uma das apostas mais extravagantes da ficção científica recente.

[Fonte: sensacine]

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