Desta vez, Marius Guenzel e Shimon Kogan, da Wharton School da Universidade da Pensilvânia; Marina Niessner, da Universidade de Indiana; e Kelly Shue, de Yale, afirmam ter desenvolvido um método que analisa uma foto facial para estimar a personalidade de alguém e prever seus resultados educacionais e profissionais. O estudo, financiado por fundos de pesquisa em IA e finanças da Wharton, foi apresentado em conferências ao redor do mundo.
Os autores coletaram 96 mil fotos de perfis do LinkedIn de ex-alunos de MBA e as submeteram a um algoritmo que supostamente avaliou seus traços de personalidade segundo o modelo Big Five: abertura, conscienciosidade, extroversão, amabilidade e neuroticismo. A seguir, compararam as pontuações com a reputação do MBA cursado e os salários iniciais, estimados a partir de um modelo proprietário baseado no LinkedIn.
Os pesquisadores concluíram que a personalidade influencia as perspectivas acadêmicas e profissionais. Homens classificados entre os 20% com personalidades mais “desejáveis” frequentaram MBAs com rankings 7,3% mais altos e tiveram salários iniciais 8,4% maiores do que aqueles entre os 20% inferiores. Ao controlar fatores como raça, idade e atratividade, as diferenças diminuíram.
Entretanto, os autores não verificaram a precisão do algoritmo, e nenhuma das pessoas analisadas realizou um teste real de Big Five. Ainda assim, destacaram que a técnica sugere novas possibilidades de pesquisa acadêmica e levanta questões éticas e práticas. Curiosamente, concluíram que esse método não deve ser usado para processos seletivos, classificando-o como uma forma clara de discriminação estatística. Ou seja, reconheceram os riscos — e fizeram mesmo assim.