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Tecnologia

Este humanoide não quer apenas impressionar: ele foi criado para substituir humanos em tarefas de risco

Um novo humanoide apresentado em Hong Kong combina inteligência artificial, sensores e força impressionante. Mas o verdadeiro diferencial dessa máquina está em onde ela pretende trabalhar.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Os robôs humanoides estão começando a deixar de ser apenas demonstrações impressionantes para assumir funções cada vez mais próximas das tarefas humanas. Um novo modelo apresentado em Hong Kong chamou atenção justamente por reunir aparência, mobilidade e uma capacidade de força incomum para uma máquina desse tamanho. A proposta, porém, vai muito além de impressionar em uma apresentação: seus criadores querem colocá-lo em ambientes onde erros humanos podem custar caro.

O humanoide que chamou atenção em Hong Kong

A indústria de robótica está entrando em uma fase em que não basta fazer um robô andar, correr ou realizar movimentos acrobáticos. O próximo desafio é fazê-lo trabalhar de maneira confiável em ambientes reais, utilizando ferramentas, carregando objetos e interagindo com espaços projetados originalmente para pessoas.

É nesse cenário que surge o RayNex G3, apresentado pela empresa NineRay Technology no Hong Kong Science Park. O humanoide tem cerca de 1,73 metro de altura e pesa menos de 60 quilos, dimensões bastante próximas às de um adulto.

Durante a demonstração, o robô recebeu uma instrução por voz, aproximou-se de uma carga e conseguiu levantar uma barra de 50 quilos. A cena é chamativa, mas representa apenas uma parte das capacidades reivindicadas pela fabricante.

Segundo a NineRay, o G3 pode transportar aproximadamente 30 quilos durante operações normais e manipular cerca de 60 quilos usando os dois braços. Em determinadas situações de levantamento, a empresa afirma que o sistema pode chegar a cargas entre 100 e 200 quilos.

Esses números ajudam a explicar por que o equilíbrio é tão importante. Quanto maior o peso manipulado, maior o risco de uma mudança no centro de gravidade fazer o robô perder estabilidade.

E é justamente aí que entra uma das tecnologias mais interessantes do projeto.

O segredo está espalhado pelo corpo do robô

Levantar uma carga pesada parece uma tarefa simples quando realizada por uma pessoa. Para um humanoide, porém, cada movimento precisa ser calculado. Um pequeno deslocamento de peso pode alterar a posição do corpo inteiro e provocar uma queda.

Para enfrentar esse problema, o RayNex G3 utiliza 44 conjuntos de sensores de precisão, distribuídos pelo corpo. Eles monitoram continuamente as forças exercidas sobre suas articulações e ajudam o sistema de controle a ajustar os movimentos em tempo real.

A inteligência artificial também desempenha um papel central. A NineRay desenvolveu uma arquitetura chamada RayBrain, projetada para conectar diretamente a percepção do ambiente às ações executadas pelo robô.

Na prática, a ideia é fazer com que a máquina consiga interpretar o que está acontecendo e transformar essa percepção em movimentos sem depender de uma sequência enorme de comandos previamente programados.

Isso pode ser especialmente importante quando o humanoide precisa lidar com situações que não são perfeitamente previsíveis.

Mas a ambição da empresa não termina em fábricas ou depósitos. O projeto foi pensado para lugares nos quais colocar uma pessoa pode representar um risco significativo.

Onde uma máquina desse tipo pode fazer diferença

A NineRay aponta ambientes com radiação, temperaturas ou níveis de umidade extremos, laboratórios que trabalham com gases perigosos e instalações relacionadas a doenças infecciosas como possíveis aplicações para o RayNex G3.

Existe uma vantagem particular em utilizar um humanoide nesses cenários: grande parte da infraestrutura já foi construída para seres humanos.

Portas, corredores, escadas, ferramentas e máquinas industriais não precisam necessariamente ser redesenhados para acomodar o robô. Ele pode, em princípio, utilizar ambientes que já existem.

A empresa também considera aplicações menos perigosas, incluindo logística, recepção e determinadas tarefas domésticas.

O projeto chega em um momento de forte competição no mercado de robôs humanoides. Empresas chinesas e de outros países estão tentando transformar máquinas que antes apareciam principalmente em feiras e vídeos de demonstração em equipamentos capazes de trabalhar durante longos períodos.

E existe ainda um obstáculo considerável: o preço.

A NineRay ainda não divulgou oficialmente o valor final do RayNex G3, mas seu fundador, Xu Zhigen, mencionou durante a apresentação uma cifra próxima ou superior a US$ 200 mil.

A empresa pretende avançar para a comercialização internacional, mirando inicialmente mercados como China continental, Hong Kong, Austrália e América do Norte. A meta é ambiciosa: chegar a aproximadamente 10 mil unidades produzidas por ano dentro de dois ou três anos.

O verdadeiro teste, porém, não será levantar 50 quilos diante das câmeras. Será conseguir repetir esse desempenho todos os dias, com segurança e autonomia, em um ambiente de trabalho real.

É aí que esse humanoide poderá provar se está apenas mostrando o futuro ou se já está começando a fazer parte dele.

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