A corrida pelos robôs humanoides está acelerando. Empresas como Tesla, Figure AI, Boston Dynamics e 1X Technologies disputam espaço em um mercado que promete transformar a forma como trabalhamos e convivemos com máquinas inteligentes. Para Bernt Bornich, CEO da 1X, essa revolução está mais próxima do que muitos imaginam. Em entrevista ao podcast All-In, o executivo afirmou estar convencido de que o grande salto da robótica acontecerá antes do fim da década.
CEO da 1X prevê uma explosão na indústria dos robôs humanoides

Durante a entrevista, Bornich afirmou que o setor está muito próximo de atingir um ponto de inflexão.
Segundo ele, o mercado de robôs humanoides não passará por uma evolução lenta e gradual, mas por um crescimento acelerado. O executivo acredita que esse “despertar definitivo” acontecerá em menos de dez anos e, se tivesse que fazer uma aposta, diria que pode ocorrer dentro de apenas três anos.
Na visão do CEO, esse cenário vai muito além de robôs realizando tarefas domésticas.
Ele imagina um futuro em que robôs serão responsáveis por construir outros robôs, operar fábricas de semicondutores, administrar centros de dados, atuar na mineração e no refino de matérias-primas e executar praticamente toda a infraestrutura necessária para sustentar a economia.
Segundo Bornich, isso criaria uma abundância inédita de mão de obra, permitindo que a sociedade produzisse muito mais com menor custo.
A proposta da 1X vai além de substituir tarefas perigosas
No mesmo episódio do podcast participaram outros executivos do setor, incluindo representantes da Boston Dynamics, ANYbotics e Agility Robotics.
A visão compartilhada pela maioria deles é mais conservadora. O objetivo principal seria utilizar robôs para assumir atividades perigosas, repetitivas ou insalubres, aumentando a segurança dos trabalhadores humanos.
Bornich, porém, defende uma transformação muito mais profunda.
Seu objetivo é desenvolver aquilo que chama de “AGI física”, uma inteligência artificial capaz de atuar no mundo real com autonomia semelhante à de uma pessoa.
Na opinião do executivo, isso não reduziria as oportunidades para os seres humanos. Pelo contrário, representaria uma enorme expansão da capacidade produtiva da sociedade e aceleraria o desenvolvimento científico e econômico.
O Neo ainda depende de operadores humanos

Apesar do discurso otimista, o principal produto da empresa ainda está longe da autonomia total.
O Neo Home Robot, comercializado por cerca de US$ 20 mil, pode ser adquirido por consumidores, mas boa parte de suas operações continua dependendo da teleoperação.
Na prática, um operador humano controla o robô remotamente utilizando óculos de realidade mista e controles específicos.
Durante a entrevista, Bornich reconheceu essa limitação. Segundo ele, quando é necessário garantir que tudo funcione perfeitamente desde o primeiro dia, a intervenção humana ainda faz parte do processo.
Mesmo assim, a empresa acredita que essa dependência diminuirá progressivamente conforme os sistemas de inteligência artificial evoluírem.
A teleoperação ajuda a treinar a inteligência artificial
Para a 1X Technologies, a teleoperação não representa apenas uma solução temporária.
Ela faz parte da estratégia para tornar o robô completamente autônomo.
Sempre que o sistema encontra dificuldades para executar uma tarefa, um operador humano assume o controle e realiza a ação corretamente. Essas intervenções geram exemplos de alta qualidade que alimentam novamente os modelos de inteligência artificial, permitindo que o robô aprenda com seus próprios erros.
Além dessas demonstrações humanas, a empresa também utiliza vídeos de pessoas realizando atividades do cotidiano para ampliar o treinamento do sistema.
O controle remoto pode continuar existindo
Mesmo que a autonomia total seja alcançada no futuro, Bornich acredita que a teleoperação continuará tendo aplicações importantes.
O executivo contou que utiliza o Neo como uma espécie de avatar robótico quando está viajando. Nesses momentos, consegue controlar o robô à distância para participar fisicamente de reuniões em sua empresa.
Segundo ele, a mesma tecnologia poderá ser utilizada em instalações industriais, plataformas remotas e locais de difícil acesso, onde um operador poderá assumir o controle de um robô instantaneamente para resolver problemas sem a necessidade de deslocar uma equipe ao local.
Embora a previsão de uma economia sustentada por robôs ainda pareça distante, o avanço dos humanoides mostra que a indústria está entrando em uma nova fase. Resta saber se a aposta de Bernt Bornich de um grande salto nos próximos três anos se confirmará ou se a adoção em larga escala exigirá mais tempo do que os executivos do setor esperam.
[ Fonte: Xataka ]