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Brasil prepara supercomputador de R$ 1 bilhão para entrar na elite mundial da IA

Projeto prevê uma máquina com 7.200 petaflops, transferência de tecnologia e treinamento de milhares de profissionais para ampliar a autonomia brasileira em inteligência artificial.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O Brasil quer ganhar espaço na corrida mundial pela inteligência artificial. O governo lançou uma licitação para construir um dos supercomputadores mais potentes do planeta, em um projeto estimado em aproximadamente R$ 1 bilhão. A máquina deverá entrar em operação em 2027 e será utilizada para desenvolver ferramentas de IA e ampliar a capacidade nacional de processamento de grandes volumes de dados.

Brasil quer colocar supercomputador entre os dez maiores do mundo

O projeto foi apresentado durante uma cerimônia realizada no Rio Grande do Norte, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O novo equipamento será instalado no Parque Tecnológico Augusto Severo, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Segundo o governo, a máquina terá capacidade de processamento de aproximadamente 7.200 petaflops.

Com esse desempenho, poderá ficar entre os dez sistemas computacionais de maior capacidade do mundo destinados a aplicações relacionadas à inteligência artificial.

Durante o anúncio, Lula afirmou que o país pretende assumir uma posição mais relevante no desenvolvimento dessa tecnologia. Para o presidente, o Brasil precisa pensar grande e competir diretamente com as principais potências do setor.

O objetivo é reduzir a distância tecnológica em relação a países como Estados Unidos e China, atualmente protagonistas na corrida por infraestrutura computacional para IA.

Projeto prevê transferência de tecnologia

A licitação não envolve apenas a compra e instalação do supercomputador.

As condições estabelecidas pelo governo incluem transferência de tecnologia para o Brasil, participação de fornecedores nacionais e capacitação de aproximadamente 5 mil trabalhadores.

A estratégia pretende transformar o investimento em infraestrutura em uma oportunidade para desenvolver conhecimento técnico dentro do próprio país.

Dessa maneira, além de utilizar uma máquina de alto desempenho, o Brasil busca fortalecer sua cadeia tecnológica e formar profissionais capazes de trabalhar com sistemas avançados de computação.

Segundo informações divulgadas pela imprensa brasileira, a Nvidia seria uma das empresas com tecnologia capaz de atender aos elevados requisitos técnicos estabelecidos no projeto.

Outro supercomputador será instalado no Rio de Janeiro

Paralelamente, o Brasil também anunciou um segundo projeto de supercomputação.

Uma máquina de menor potência deverá ser construída no Rio de Janeiro por meio de uma parceria envolvendo a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e as empresas chinesas Huawei e iFlytek.

O investimento previsto chega a aproximadamente R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos, enquanto o início das operações está programado para julho de 2027.

Uma das prioridades será desenvolver modelos de inteligência artificial capazes de trabalhar de maneira avançada com o português.

A iniciativa também deverá aumentar a quantidade de capacidade computacional disponível para universidades, pesquisadores e projetos tecnológicos brasileiros.

Brasil também quer desenvolver seus próprios chips

A estratégia vai além dos supercomputadores.

O governo apresentou ainda um projeto de longo prazo para desenvolver chips no país e diminuir a dependência de tecnologias estrangeiras. O plano possui horizonte estimado entre dez e 15 anos.

Uma das bases será a arquitetura RISC-V, conhecida por ser aberta e não proprietária. A iniciativa também deverá contar com colaboração do ecossistema tecnológico de Barcelona, na Espanha.

Produzir componentes e dominar tecnologias fundamentais de computação pode ser estratégico em um cenário no qual chips avançados se tornaram essenciais para inteligência artificial, centros de dados e sistemas de defesa.

Para que serve um supercomputador tão poderoso?

Supercomputadores são formados por milhares de unidades computacionais trabalhando simultaneamente. Essa arquitetura permite realizar enormes quantidades de cálculos em períodos muito menores do que computadores convencionais conseguiriam.

Além do treinamento de modelos de inteligência artificial, máquinas desse porte podem ser utilizadas para simular fenômenos extremamente complexos.

Entre as aplicações possíveis estão pesquisas sobre o Universo, desenvolvimento de medicamentos, previsão de eventos climáticos extremos, descoberta de novos materiais e projetos aeroespaciais.

Também existem aplicações estratégicas em saúde, energia, defesa, exploração de petróleo e gás e desenvolvimento de fontes renováveis.

Com os novos investimentos, o Brasil tenta construir não apenas infraestrutura para utilizar inteligência artificial, mas também parte da tecnologia necessária para desenvolvê-la dentro do país.

 

[ Fonte: TelesurTV ]

 

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