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Ciência

Este vulcão já provocou um tsunami sem terremoto e agora voltou a ficar ativo

Um vulcão conhecido por um episódio devastador voltou a apresentar atividade. Desta vez, as autoridades acompanham de perto um risco que os sistemas tradicionais nem sempre conseguem detectar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os tsunamis costumam estar associados a terremotos submarinos, mas existe uma exceção muito mais difícil de prever. Na Indonésia, um vulcão já mostrou que uma grande onda pode surgir sem o aviso sísmico esperado. Agora, a mesma formação voltou a ficar mais ativa, reacendendo a atenção dos especialistas. O cenário atual não é considerado uma repetição do desastre anterior, mas explica por que a vigilância permanece tão rigorosa.

O vulcão que já surpreendeu os especialistas

Durante a noite de sexta-feira, o Anak Krakatau voltou a intensificar sua atividade. O vulcão, localizado no estreito de Sunda, entre Java e Sumatra, lançou colunas de cinzas que alcançaram vários quilômetros de altitude e chegaram a regiões próximas de Jacarta.

A atividade também provocou impactos na aviação. Como medida preventiva, autoridades restringiram operações em alguns aeroportos, incluindo o principal aeroporto internacional da capital. Ao todo, 209 voos foram afetados entre cancelamentos, atrasos e mudanças de programação, atingindo aproximadamente 22.800 passageiros.

A população também recebeu orientações para evitar uma área de três quilômetros ao redor da cratera e permanecer afastada da costa.

A preocupação tem uma explicação que vai muito além da erupção atual. O Anak Krakatau nasceu em 1927 sobre a antiga caldeira deixada pela gigantesca erupção do Krakatoa, ocorrida em 1883.

Décadas depois, em dezembro de 2018, o vulcão protagonizou outro episódio extraordinário. Uma parte de seu flanco desabou diretamente no mar, deslocando uma enorme quantidade de material e provocando ondas de até 13 metros em áreas costeiras de Java e Sumatra.

Mais de 430 pessoas morreram, cerca de 14 mil ficaram feridas e aproximadamente 33 mil foram deslocadas. O detalhe mais preocupante foi justamente a maneira como o tsunami começou.

O problema que os alertas tradicionais não conseguem enxergar

O desastre de 2018 revelou uma vulnerabilidade importante. Os sistemas convencionais de alerta de tsunami são, em grande parte, construídos para identificar terremotos submarinos capazes de deslocar o fundo do oceano.

Um deslizamento vulcânico funciona de maneira diferente.

Quando uma parte da encosta de um vulcão cai no mar, ela pode deslocar água suficiente para formar uma onda perigosa sem produzir um terremoto forte o bastante para acionar os sistemas tradicionais. Em outras palavras, a ameaça pode aparecer justamente onde os sensores sísmicos não estão procurando.

Esse tipo de tsunami é extremamente raro e representa uma pequena parcela dos eventos registrados ao longo dos últimos séculos. Ainda assim, o episódio do Anak Krakatau mostrou que sua baixa frequência não significa baixo impacto.

Depois do desastre, pesquisadores voltaram aos dados coletados antes do colapso e encontraram sinais que poderiam ter indicado que algo estava errado. Imagens de satélite e medições terrestres revelaram alterações térmicas, crescimento da superfície da ilha e um deslocamento gradual do flanco que acabou desabando.

Essas descobertas ajudaram a mudar a estratégia de monitoramento.

O que mudou desde o desastre de 2018

Hoje, acompanhar o Anak Krakatau não significa apenas observar terremotos ou explosões. Satélites, sensores térmicos e medições geodésicas passaram a desempenhar um papel importante na tentativa de identificar alterações na estrutura do vulcão.

O objetivo é detectar uma possível instabilidade antes que uma encosta se desprenda e alcance o oceano.

E é justamente por isso que a situação atual não representa, segundo as autoridades indonésias, uma repetição do cenário de 2018. As avaliações técnicas indicam que o crescimento do edifício vulcânico desde aquele desastre permanece limitado e, até o momento, não apresenta o mesmo conjunto de sinais associado a um grande colapso.

A Agência Nacional de Gestão de Desastres da Indonésia, junto aos órgãos especializados, descartou um risco iminente de colapso capaz de produzir um tsunami nesta ocasião.

Isso não significa que o vulcão tenha se tornado inofensivo. Seu histórico faz com que qualquer mudança relevante seja acompanhada cuidadosamente.

O caso também deixou uma lição importante para a ciência: um tsunami não precisa necessariamente começar com um terremoto. Em determinados vulcões, o perigo pode estar escondido em uma encosta aparentemente estável, acumulando mudanças durante meses antes de desabar repentinamente.

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