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Ciência

Supertempestade solar provocou falhas no GPS grandes o suficiente para afetar carros autônomos

Uma forte tempestade geomagnética em novembro de 2025 causou erros de localização superiores a 10 metros e expôs a vulnerabilidade de tecnologias que dependem de GPS
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Tempo de leitura: 4 minutos

Uma poderosa tempestade solar atingiu a Terra em 11 de novembro de 2025 e fez muito mais do que produzir auroras impressionantes no céu.

O evento também provocou grandes perturbações nos sistemas de navegação por satélite. Em algumas regiões dos Estados Unidos, os erros de posicionamento ultrapassaram 10 metros.

Um novo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters analisou o fenômeno e concluiu que a interferência foi intensa o suficiente para comprometer tecnologias que dependem de localização precisa, incluindo equipamentos agrícolas e veículos autônomos.

O episódio mostra como explosões ocorridas a milhões de quilômetros de distância podem interferir diretamente em tecnologias utilizadas diariamente na Terra.

O Sol provocou uma tempestade geomagnética severa

Tudo começou quando o Sol lançou uma sequência de erupções que atingiram nosso planeta.

A interação das partículas carregadas com o campo magnético terrestre desencadeou uma tempestade geomagnética severa, cujo período mais intenso durou aproximadamente seis horas.

Durante esses eventos, partículas e radiação provenientes do Sol perturbam principalmente a ionosfera, região da atmosfera localizada a grandes altitudes.

Isso é especialmente importante para o GPS.

Os sinais enviados pelos satélites precisam atravessar a ionosfera antes de chegar aos receptores na superfície. Quando essa camada sofre alterações bruscas, os sinais de rádio podem ser atrasados, desviados ou sofrer fortes oscilações.

O resultado são erros na localização calculada pelos aparelhos.

Erros de GPS ultrapassaram 10 metros

Para entender o impacto da tempestade de novembro, pesquisadores combinaram imagens de câmeras utilizadas para observar auroras com informações de redes terrestres de receptores GPS espalhadas pelos Estados Unidos e Canadá.

A equipe analisou a densidade de elétrons de alta energia na ionosfera, as oscilações dos sinais e os erros de posicionamento registrados durante o fenômeno.

À medida que a tempestade se intensificava, partículas energéticas viajavam pelas linhas do campo magnético da Terra e colidiam com gases presentes na alta atmosfera.

As perturbações apareceram em uma área enorme.

Segundo o estudo, fortes flutuações dos sinais foram registradas em praticamente todo o território dos Estados Unidos, da Costa Oeste à Costa Leste, chegando ao sul até a Flórida.

Em alguns casos, os erros de posicionamento passaram dos 10 metros.

Para quem utiliza o GPS apenas para encontrar um restaurante ou seguir uma rota pelo celular, alguns metros podem parecer pouco. Para sistemas automatizados de alta precisão, porém, a diferença pode ser enorme.

Agricultura de precisão também pode sofrer grandes prejuízos

Um dos setores mais vulneráveis é a agricultura moderna.

Tratores e outras máquinas agrícolas utilizam sistemas de navegação por satélite de alta precisão para plantar, aplicar fertilizantes e executar diversas tarefas seguindo trajetórias previamente definidas.

Uma alteração significativa na localização pode tirar essas máquinas de suas rotas.

Algo semelhante já aconteceu durante a forte tempestade geomagnética de maio de 2024. O fenômeno ocorreu durante o período agrícola e provocou problemas nos sistemas de posicionamento utilizados por produtores americanos.

Por isso, os autores do novo estudo alertam que, caso a tempestade de novembro de 2025 tivesse ocorrido durante a temporada agrícola, as perdas econômicas poderiam ter sido significativas.

Carros autônomos também entram na lista de riscos

Os pesquisadores chamaram atenção para outra tecnologia cada vez mais presente: veículos autônomos.

Carros desse tipo normalmente não dependem exclusivamente do GPS. Eles combinam diferentes sensores, mapas e sistemas de localização para determinar sua posição.

Mesmo assim, uma degradação tão grande do sinal de satélite pode prejudicar sistemas que precisam saber com enorme precisão onde o veículo está.

Segundo os pesquisadores, a magnitude das interferências observadas durante a tempestade seria suficiente para representar um problema para a navegação de veículos autônomos.

Isso não significa que a tempestade tenha provocado acidentes com carros autônomos. O estudo mostra que o nível de erro registrado tinha potencial para afetar sua operação.

Prever tempestades solares continua sendo difícil

O Sol atravessa ciclos de atividade que duram aproximadamente 11 anos, alternando períodos relativamente tranquilos com fases muito mais agitadas.

Durante os períodos de maior atividade, os cientistas sabem que grandes erupções solares se tornam mais prováveis.

O problema é prever exatamente quando uma delas acontecerá, sua intensidade e como atingirá a Terra.

Pesquisadores trabalham no desenvolvimento de modelos e sistemas capazes de fornecer alertas melhores sobre o chamado clima espacial.

Isso se torna cada vez mais importante conforme nossa sociedade passa a depender de satélites para navegação, comunicações, agricultura, aviação e inúmeras outras atividades.

As auroras podem ser a parte mais espetacular de uma tempestade solar.

Mas, como mostrou o evento de novembro de 2025, o verdadeiro impacto pode acontecer silenciosamente nos sistemas tecnológicos que utilizamos todos os dias.

 

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