Banco do Brasil no radar do governo americano

Segundo fontes ligadas ao Departamento do Tesouro, a sanção mais iminente envolve o Banco do Brasil (BB). O contexto surge em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que começou nesta terça-feira (2).
A possível punição estaria relacionada à aplicação da Lei Magnitsky, que permite que os EUA imponham sanções econômicas a instituições que, de alguma forma, prestem serviços a autoridades consideradas alvo. O caso ganhou força após o BB, em agosto, supostamente oferecer um cartão Elo ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois que um banco estrangeiro cancelou seu cartão Mastercard.
Em resposta, o Banco do Brasil afirmou que atua em total conformidade com a legislação brasileira, com as normas dos países onde opera e com os padrões internacionais do sistema financeiro, reforçando que está preparado para lidar com regulações complexas e globais.
Histórico de multas bilionárias
Caso a sanção seja confirmada, o Banco do Brasil pode enfrentar penalidades pesadas. Os EUA têm um histórico rigoroso contra instituições financeiras estrangeiras.
O caso mais emblemático ocorreu com o BNP Paribas, em 2014. O banco francês foi acusado de violar sanções americanas ao realizar transações com entidades do Sudão, Irã e Cuba, resultando em uma multa de US$ 9 bilhões e cinco anos de liberdade condicional corporativa.
Outro exemplo é o Standard Chartered, banco britânico que foi multado três vezes por transações com países sob sanções, totalizando mais de US$ 1,7 bilhão entre 2012 e 2019. Especialistas apontam que, se o Tesouro dos EUA confirmar as medidas, o Banco do Brasil pode enfrentar sanções de grande impacto.
Disputa sobre tarifas e regulação
Outro ponto de atrito entre os governos está na tarifa de 50% sobre determinados produtos brasileiros, que será debatida nesta semana no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
Empresas americanas dos setores de celulose, madeira, pecuária e soja defendem a manutenção da taxa e alegam que o Brasil obtém vantagens competitivas graças ao desmatamento ilegal e ao trabalho forçado. Além disso, grupos empresariais pedem que Washington negocie com a China para direcionar compras para produtos americanos.
No campo da tecnologia, empresas dos EUA criticam a regulação proposta pelo Brasil para inteligência artificial, data centers, plataformas de streaming e a nova tributação de 15% sobre serviços digitais. Instituições financeiras também questionam o papel do Banco Central brasileiro, que, segundo elas, atua como regulador e competidor por meio do Pix, sistema que concorre diretamente com soluções de pagamento dos EUA.
Óleo diesel russo na mira

Além das sanções contra o Banco do Brasil, o governo Trump prepara medidas para restringir as importações de óleo diesel da Rússia pelo Brasil. A estratégia seguiria o mesmo modelo adotado contra a Índia, que teve sua tarifa elevada de 25% para 50%.
O Brasil importou cerca de US$ 12,5 bilhões em produtos russos no último ano, principalmente diesel e fertilizantes. A medida, se confirmada, pode gerar impactos relevantes no setor energético e agrícola brasileiro. Em comparação, a Índia comprou US$ 63 bilhões em produtos russos, enquanto a China — com quem Trump negocia um acordo comercial — importou US$ 130 bilhões.
O que esperar dos próximos passos
O cenário ainda é incerto e depende diretamente das decisões do presidente Donald Trump, que pode alterar a estratégia a qualquer momento. Enquanto isso, o governo brasileiro busca defender seus interesses nas negociações e evitar impactos econômicos mais profundos.
As próximas semanas serão decisivas para definir se o Banco do Brasil será alvo de sanções e se as importações de diesel russo enfrentarão barreiras mais rígidas.
Os EUA avaliam novas sanções contra o Banco do Brasil e estudam limitar as importações de diesel russo pelo país. Empresas americanas pressionam pela manutenção de tarifas e questionam políticas brasileiras. As próximas semanas serão cruciais para entender os impactos sobre a economia e o comércio exterior brasileiro.
[ Fonte: CNN Brasil ]