Nas últimas semanas, a relação entre os Estados Unidos e o governo de Nicolás Maduro entrou em uma nova e imprevisível fase. A escalada de gestos diplomáticos e medidas radicais deixa claro que Washington está adotando uma abordagem mais agressiva, e a mais recente decisão já é considerada um marco sem precedentes na política internacional.
Uma mudança brusca na estratégia americana
Após um acordo que resultou na libertação de 10 cidadãos norte-americanos presos na Venezuela e na deportação de 252 migrantes venezuelanos para El Salvador, além da autorização para a Chevron retomar operações de extração de petróleo no país, os EUA deram um passo surpreendente: aumentar a recompensa por informações que levem à captura de Maduro para US$ 50 milhões.
Segundo a procuradora-geral norte-americana, Pam Bondi, o presidente venezuelano seria “um dos maiores narcotraficantes do mundo” e uma ameaça direta à segurança nacional. Caracas reagiu imediatamente: o chanceler Yvan Gil classificou a medida como uma “cortina de fumaça” e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, chamou a acusação de “grande mentira”.
Superando cifras históricas
Até agora, o valor mais alto oferecido pelos EUA havia sido de US$ 25 milhões, por figuras como Osama Bin Laden e Saddam Hussein. Até mesmo os filhos do ditador iraquiano, Uday e Qusay Hussein, tiveram um valor de US$ 30 milhões — então recorde.
O caso de Maduro, porém, vai além. A recompensa integra o Programa de Recompensas por Narcóticos (NRP), que tradicionalmente lida com valores menores, e quebra o teto habitual de US$ 25 milhões, estabelecendo um novo parâmetro na luta antidrogas dos EUA.
Today, @TheJusticeDept and @StateDept are announcing a $50 MILLION REWARD for information leading to the arrest of Nicolás Maduro. pic.twitter.com/D8LNqjS9yk
— Attorney General Pamela Bondi (@AGPamBondi) August 7, 2025
As acusações contra Maduro e o “Cartel de Los Soles”
Bondi afirmou que, somente em 2025, a DEA apreendeu 30 toneladas de drogas oriundas da Venezuela, sendo sete supostamente ligadas diretamente a Maduro. Ela alega que o presidente atua junto ao grupo criminoso Tren de Aragua, ao cartel de Sinaloa e ao chamado “Cartel de Los Soles” — uma rede interna do regime chavista que facilitaria a passagem de drogas colombianas pelo território venezuelano.
A medida também vem após Hugo Carvajal, ex-chefe da inteligência militar e acusado de integrar essa rede, declarar-se culpado por narcotráfico e narcoterrorismo nos EUA.
Caracas nega e contra-ataca
O governo venezuelano rejeita as acusações e afirma que o “Cartel de Los Soles” é uma invenção americana, acusando a DEA de ser “o maior cartel do mundo”. Como prova, cita que, em 2024, a Força Armada e a polícia venezuelana apreenderam mais de 40 toneladas de drogas — embora o número seja 28,7% menor que em 2023.
Fonte: Gizmodo ES