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EUA reacendem temor de corrida nuclear após anúncio de Trump

A decisão de Donald Trump de retomar testes com armas nucleares após mais de 30 anos de pausa provocou reações duras de Rússia e China. Especialistas alertam que a medida pode desestabilizar acordos internacionais e abrir caminho para uma nova corrida atômica global.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Depois de três décadas de silêncio atômico, os Estados Unidos voltaram a agitar o tabuleiro nuclear mundial. O presidente Donald Trump anunciou que pretende retomar os testes com armas nucleares, encerrando uma moratória que vigorava desde 1992. A decisão, feita por meio da plataforma Truth Social, já causou forte tensão diplomática com Rússia e China, e reacendeu o medo de uma nova corrida armamentista.

Trump dá início a uma nova fase nuclear

“Temos o maior arsenal nuclear do mundo, e é hora de garantir que ele funcione corretamente”, escreveu Trump. No comunicado, o presidente afirmou ter instruído o Departamento de Guerra a iniciar “imediatamente” os testes com ogivas, citando a necessidade de manter “igualdade de condições” com outros países.

O anúncio veio um dia após Vladimir Putin exibir o Poseidon, um drone submarino capaz de transportar cargas nucleares, e o Burevestnik, apelidado de “torpedo do Juízo Final”. Moscou garantiu que seus testes não violam a moratória, mas prometeu “agir de acordo” caso os EUA realizem explosões atômicas reais.

A China, por sua vez, pediu que Washington “respeite suas obrigações” no Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT) e preserve o sistema global de desarmamento.

Especialistas alertam para reação em cadeia

Para Xiaodon Liang, analista da Arms Control Association, a decisão é “um golpe devastador à segurança global”. Ele lembra que os EUA já investiram bilhões em tecnologias para testar e monitorar ogivas sem detonações reais.

“Não há justificativa técnica nem militar para voltar aos testes. Isso apenas enfraquece o regime de não proliferação e incentiva outros países a fazer o mesmo”, afirmou Liang.

O especialista teme que China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte aproveitem o precedente americano para reativar seus próprios programas nucleares, reabrindo antigos locais de teste e intensificando tensões regionais.

Outro pesquisador, Sam Lair, do Centro James Martin para Estudos de Não Proliferação (CNS), acredita que Trump pode ter se referido a testes de mísseis balísticos — e não necessariamente a detonações de ogivas. Ainda assim, ele alerta que a mensagem política é clara: “Os EUA querem mostrar força, e isso pode empurrar Rússia e China para uma nova corrida tecnológica e militar”.

O passado atômico dos EUA

O Sítio de Segurança Nacional de Nevada, a 96 km de Las Vegas, pode voltar a ser o epicentro dos testes. Entre 1950 e 1992, o local sediou 1.054 explosões nucleares, sendo 63 com mais de uma bomba detonada ao mesmo tempo. As crateras deixadas pelas detonações ainda marcam o deserto — lembrança física de uma era em que o mundo vivia sob a sombra da Guerra Fria.

Atualmente, EUA e Rússia ainda estão ligados pelo tratado Novo START, que limita o número de ogivas nucleares ativas a 1.550 para cada país. O acordo expira em fevereiro de 2026, e Moscou já sinalizou que aceita prorrogá-lo por um ano — mas sem garantir novas inspeções.

Quem tem mais armas nucleares hoje

Rússia — 5.580 ogivas

Estados Unidos — 5.225

China — 600

França — 290

Reino Unido — 225

Índia — 180

Paquistão — 170

Israel — 90

Coreia do Norte — 50

Com o avanço das tensões e a retomada de discursos bélicos, o mundo revive um déjà-vu perigoso. A volta dos testes nucleares pelos EUA não apenas ameaça décadas de diplomacia, como também pode empurrar outras potências para o mesmo caminho — reacendendo um jogo de poder que a humanidade jurou nunca repetir.

[Fonte: Correio Braziliense]

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