Desde a devastação causada pelas bombas de Hiroshima e Nagasaki, a humanidade vive sob o fantasma de um novo conflito nuclear. Durante décadas, tratados internacionais conseguiram frear a proliferação de armas atômicas. Mas agora, esse equilíbrio está em risco. O último acordo bilateral ainda em vigor entre Estados Unidos e Rússia tem data marcada para expirar: fevereiro de 2026. O que acontecerá depois ainda é uma incógnita — e uma ameaça.
O fim de um tratado-chave: o Novo START

Assinado em 2010, o Novo START é atualmente o único tratado ativo que limita o número de armas nucleares entre as duas maiores potências atômicas do planeta. Ele impõe restrições ao número de ogivas nucleares implantadas, define limites para sistemas de lançamento (como mísseis e submarinos) e prevê inspeções mútuas.
Apesar de ainda estar formalmente em vigor, analistas e diplomatas consideram que o tratado está “morto na prática”, devido à crescente deterioração nas relações entre Moscou e Washington — agravadas desde a guerra na Ucrânia. Sem novas negociações à vista, a expiração do acordo em 2026 pode abrir caminho para um cenário sem qualquer tipo de controle bilateral sobre arsenais nucleares.
Um fantasma do passado: a volta do clima da Guerra Fria

O colapso do Novo START remete diretamente ao período da Guerra Fria, quando o mundo vivia sob o medo constante de um confronto nuclear entre EUA e União Soviética. Durante essa época, a diplomacia internacional conseguiu avanços importantes para conter a ameaça.
Um marco foi o Tratado INF (Assinatura sobre Forças Nucleares de Alcance Intermediário), firmado em 1987. Ele eliminava uma classe inteira de mísseis nucleares de médio alcance. No entanto, esse pacto foi rompido em 2019, após a retirada dos Estados Unidos, e Moscou anunciou nesta semana que também abandonará qualquer restrição vinculada ao acordo.
O desmonte contínuo dessas salvaguardas tem gerado preocupações dentro da ONU e entre especialistas em segurança global, especialmente em um momento de múltiplos conflitos geopolíticos ativos pelo mundo.
Arsenais menores, mas ainda devastadores
Apesar do fim de vários tratados, o número de ogivas nucleares caiu significativamente desde o auge da Guerra Fria. Em 1986, a União Soviética chegou a possuir mais de 40 mil ogivas, enquanto os Estados Unidos acumulavam cerca de 20 mil.
Graças a décadas de acordos e esforços diplomáticos, esses números caíram drasticamente. Estimativas de março de 2025 apontam que a Rússia mantém cerca de 5.459 ogivas nucleares (entre armazenadas e operacionais), e os Estados Unidos, aproximadamente 5.177. Juntos, detêm 87% do arsenal nuclear mundial.
Embora esses dados indiquem uma redução, a quantidade atual ainda seria suficiente para destruir o planeta diversas vezes. E sem acordos que limitem testes, atualizações e uso estratégico, o risco de uma escalada não intencional continua real.
O que está em jogo a partir de 2026
Com o fim programado do Novo START, o mundo poderá entrar em uma nova era de incerteza nuclear. Sem mecanismos de verificação, sem limites numéricos e sem diálogo estruturado entre as potências, aumenta o risco de mal-entendidos militares, corridas armamentistas regionais e até acidentes catastróficos.
A pergunta que permanece: haverá vontade política, de ambos os lados, para sentar novamente à mesa e renovar o compromisso com a paz? Até lá, o relógio do apocalipse segue contando.
[ Fonte: Canal26 ]