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Ciência

Físico alemão mostra por que carro elétrico é até 6 vezes mais eficiente

Durante anos, o debate sobre carros elétricos foi dominado por opiniões, apostas industriais e discursos políticos. Agora, um físico alemão resolveu puxar a conversa para o terreno mais difícil de contestar: as leis da física. E a conclusão é direta — motores a combustão simplesmente não conseguem competir em eficiência energética, mesmo com combustíveis “do futuro”.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O alerta vem de Johannes Kückens, físico e divulgador científico, em entrevista ao jornal austríaco Der Standard. Segundo ele, quando o assunto é transformar eletricidade em movimento, o carro elétrico é imbatível. Em alguns cenários, chega a ser até seis vezes mais eficiente do que veículos movidos a combustão usando combustíveis sintéticos, os chamados e-fuels.

Por que o motor a combustão tem um limite físico

Físico alemão mostra por que carro elétrico é até 6 vezes mais eficiente
© Pexels

Kückens chama atenção para um ponto frequentemente ignorado no debate público: motores a gasolina e diesel são máquinas térmicas. Isso significa que eles obedecem à segunda lei da termodinâmica, que impede a conversão total de calor em movimento

Na prática, uma parte enorme da energia do combustível vira calor desperdiçado. Não é falha de engenharia, é física básica. Mesmo após mais de um século de aprimoramentos, esse limite continua lá.

Em condições ideais de laboratório, motores a gasolina chegam a cerca de 40% de eficiência. Os a diesel, a algo próximo de 45%. No uso real — com acelerações, frenagens e trânsito urbano — esse número cai para algo em torno de 25%.

Segundo o físico, não existe base científica para esperar saltos radicais além disso. Motores a combustão nunca vão alcançar 80% ou 90% de eficiência. Eles já estão perigosamente perto do teto imposto pelas leis naturais.

O problema dos e-fuels que quase ninguém comenta

Os combustíveis sintéticos surgiram como uma promessa de salvar o motor a combustão na era da descarbonização. A ideia parece boa: usar eletricidade renovável para produzir hidrogênio, capturar CO₂ e sintetizar um combustível “limpo”.

O problema está no caminho até lá.

Cada etapa do processo consome energia. Primeiro, a eletrólise da água para gerar hidrogênio. Depois, a captura do CO₂. Em seguida, a síntese do combustível. Em cada fase, parte da energia se perde.

De acordo com Kückens, no final da produção, os e-fuels retêm apenas cerca de metade da eletricidade renovável usada inicialmente. E isso antes mesmo de entrar no carro.

Quando esse combustível chega ao tanque, ele ainda será queimado em um motor térmico, sujeito às mesmas limitações de eficiência de sempre. O resultado é duro: pouco mais de 10% da energia elétrica original acaba, de fato, virando movimento nas rodas.

É por isso que, usando a mesma quantidade de eletricidade renovável, um carro elétrico pode rodar até seis vezes mais do que um veículo a combustão abastecido com e-fuels.

Por que o carro elétrico leva vantagem no mundo real

Motores elétricos funcionam de forma completamente diferente. Eles não dependem de calor para gerar movimento e conseguem converter mais de 90% da energia elétrica diretamente em tração.

Quando se somam perdas no carregamento, na rede elétrica e na eletrônica do veículo, a eficiência total cai. Ainda assim, segundo Kückens, um carro elétrico mantém cerca de 70% de eficiência no uso real.

Mesmo quando a comparação é feita com carros a combustão usando gasolina ou diesel tradicionais, o elétrico ainda sai na frente: ele consegue percorrer cerca de três vezes mais distância com a mesma quantidade de energia primária.

Esses números ajudam a entender por que tantos governos enxergam a eletrificação como o caminho mais racional para reduzir emissões e consumo energético.

O impacto disso nas montadoras e no mercado

Essa discussão vai muito além da tecnologia. Ela afeta bilhões em investimentos, empregos e estratégias industriais. Montadoras como a Toyota seguem defendendo uma abordagem diversificada, com forte aposta em híbridos e cautela em relação aos elétricos puros.

O próprio Akio Toyoda, presidente do conselho da empresa, já afirmou que não acredita em um domínio rápido dos carros elétricos no mercado global.

O problema, como aponta Kückens, é que nenhuma estratégia consegue contornar as leis da física. Combustíveis sintéticos podem ter nichos importantes, como aviação e transporte marítimo. Mas, para carros de passeio, a conta energética é implacável.

Um alerta difícil de ignorar

O estudo não decreta o fim imediato do motor a combustão, mas deixa um aviso claro. Em um mundo que precisa usar melhor cada quilowatt de energia limpa disponível, eficiência não é detalhe técnico — é fator decisivo.

Entender esses limites ajuda a separar promessa de realidade. E, nesse cenário, o carro elétrico não vence por moda ou ideologia, mas porque a física simplesmente joga a favor dele.

[Fonte: Click Petroleo e Gas]

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