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França enfrenta onda de protestos com incêndios, saques e confrontos: o que está acontecendo no país?

Mais de meio milhão de pessoas participaram de manifestações na França contra o custo de vida. Protestos terminaram em incêndios, confrontos policiais e centenas de feridos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A França vive uma nova onda de tensão social. No sábado, 17 de outubro, centenas de milhares de manifestantes ocuparam ruas de diversas cidades para protestar contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. O movimento reuniu estudantes, agricultores, sindicatos e integrantes dos chamados coletes amarelos. Embora muitas manifestações tenham ocorrido pacificamente, grupos envolvidos em confrontos provocaram incêndios, saques e ataques a prédios públicos.

Por que milhares de franceses voltaram às ruas?

O principal motivo das manifestações foi a insatisfação com a situação econômica e social do país.

O aumento dos preços dos combustíveis, as contas de energia e o custo dos alimentos estão entre as principais reclamações. Os participantes também criticam a falta de investimentos em escolas e hospitais.

O movimento ganhou força em setembro, quando estudantes começaram a protestar contra a escassez de professores e as condições de ensino.

Nas semanas seguintes, as reivindicações se ampliaram e atraíram diferentes setores da sociedade.

Entre os participantes estavam sindicatos, agricultores, trabalhadores de aplicativos, universitários e integrantes dos coletes amarelos, movimento que ganhou projeção internacional em 2018.

Segundo a agência Reuters, aproximadamente 550 mil pessoas participaram das manifestações, conforme dados do Ministério do Interior francês. A central sindical CGT estimou 800 mil participantes.

Incêndios e ataques atingiram várias cidades

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© YouTube

Os episódios mais graves foram registrados em Paris, Marselha, Lyon e Limoges.

Em Marselha, grupos invadiram a prefeitura, danificaram instalações e atacaram estabelecimentos comerciais.

Em Lyon, um escritório de turismo foi incendiado durante os confrontos.

Já em Limoges, um incêndio destruiu parte da prefeitura histórica da cidade, construída no século XIX.

Na capital francesa, manifestantes entraram em confronto com policiais, enquanto veículos e estruturas urbanas foram incendiados.

A polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar grupos envolvidos nos distúrbios.

A violência, entretanto, não representou a totalidade das manifestações, que também reuniram centenas de milhares de participantes pacíficos.

Quase 1.800 pessoas foram detidas

O balanço divulgado neste domingo, 18 de outubro, aponta aproximadamente 1.800 detenções em todo o território francês.

Mais de 500 policiais ficaram feridos, segundo o Ministério do Interior.

Também foi registrada a morte de um manifestante após uma parada cardíaca durante os protestos em Paris. As circunstâncias do episódio ainda exigem esclarecimentos.

Outro caso que provocou preocupação envolveu um manifestante que perdeu uma das mãos após entrar em contato com uma granada utilizada pelas forças de segurança.

As ações policiais passaram a ser questionadas por organizações e participantes dos protestos.

Governo Macron enfrenta nova pressão política

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O presidente Emmanuel Macron condenou os ataques contra prédios públicos e estabelecimentos comerciais e prometeu responsabilizar os envolvidos.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu também criticou os episódios de violência, atribuindo parte dos confrontos a grupos extremistas e criminosos.

Representantes da oposição, por outro lado, destacaram a insatisfação econômica e questionaram a atuação das forças policiais.

A crise ocorre em um momento delicado para o governo francês, às vésperas das eleições presidenciais de 2027.

O debate sobre os gastos públicos e as medidas para controlar a dívida francesa também contribui para ampliar as tensões políticas.

Novas manifestações já estão previstas

A mobilização pode continuar nas próximas semanas.

Organizações sindicais convocaram uma nova jornada de greve e manifestações para 5 de novembro, com reivindicações relacionadas aos salários e aos serviços públicos.

O governo anunciou medidas de apoio a determinados setores, incluindo agricultores, mas ainda enfrenta dificuldades para responder às diferentes demandas.

O episódio revela uma insatisfação que vai além do aumento dos preços: envolve também o acesso a serviços essenciais, a desigualdade e a relação entre a população e as instituições francesas.

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