A inteligência artificial está impulsionando investimentos e ajudando a sustentar o crescimento econômico mundial. Mas existe um risco por trás desse avanço. Durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Bangkok, a diretora-gerente Kristalina Georgieva advertiu que a tecnologia pode transformar profundamente o mercado de trabalho, dificultar a entrada de jovens no emprego e aumentar as desigualdades entre países.
Inteligência artificial pode afetar 40% dos empregos
Segundo estimativas do FMI, aproximadamente 40% dos empregos mundiais estão expostos aos efeitos da inteligência artificial.
Nas economias avançadas, essa proporção chega a 60%, enquanto nos países de baixa renda fica próxima de 26%.
Esses números não significam que quatro em cada dez trabalhadores perderão seus empregos. A estimativa inclui atividades que podem ser automatizadas, modificadas ou beneficiadas pela tecnologia.
O maior problema está nas ocupações que dependem de tarefas repetitivas, como processamento de informações, atividades administrativas e determinadas funções de escritório.
Durante o encontro de 12 de outubro, Georgieva comparou a transformação provocada pela IA a um tsunami que avança lentamente, mas cujos efeitos podem ser profundos.
Jovens podem enfrentar mais dificuldades para conseguir trabalho

Uma das principais preocupações do FMI envolve os profissionais que estão começando suas carreiras.
Tradicionalmente, muitos jovens ingressam no mercado realizando tarefas básicas que permitem adquirir experiência. Agora, parte dessas atividades pode ser executada por sistemas automatizados.
Isso cria um desafio: como desenvolver profissionais experientes se as empresas reduzirem as oportunidades de primeiro emprego?
Pesquisas do próprio Fundo Monetário Internacional mostram que a demanda por competências relacionadas à inteligência artificial está crescendo, mas os benefícios não são distribuídos igualmente.
Em determinadas ocupações altamente expostas à automação, a adoção dessas tecnologias está associada a menores níveis de emprego, especialmente entre trabalhadores jovens e profissionais de qualificação intermediária.
Economia mundial cresce, mas enfrenta novos riscos
A inteligência artificial também apresenta uma contradição econômica.
Por um lado, os investimentos em infraestrutura tecnológica estão ajudando a sustentar o crescimento global próximo de 3%, mesmo diante das tensões geopolíticas e dos preços elevados da energia.
Por outro, uma desaceleração desses investimentos ou resultados de produtividade inferiores às expectativas podem provocar instabilidade financeira.
Em 16 de outubro, Georgieva voltou a defender regras de segurança e princípios éticos para o desenvolvimento da IA, durante um debate com representantes da indústria tecnológica.
Segundo a Reuters, a dirigente advertiu que os riscos podem superar as oportunidades caso a tecnologia avance sem proteções adequadas.
O que os governos precisam fazer?
Para o FMI, a resposta envolve investimentos em educação, atualização profissional e políticas que ajudem trabalhadores a enfrentar mudanças nas ocupações.
Também será necessário discutir como distribuir os ganhos econômicos gerados pela automação.
Georgieva alertou que a substituição de trabalho humano por sistemas tecnológicos pode afetar a arrecadação de impostos, especialmente quando uma parcela maior da renda passa a se concentrar no capital.
O desafio não é impedir a expansão da inteligência artificial, mas garantir que seus benefícios alcancem mais pessoas.
A mensagem do FMI é clara: a IA pode fortalecer a economia mundial, mas seu impacto sobre o emprego dependerá das decisões tomadas por empresas e governos nos próximos anos.