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Meta nega favorecer Flávio Bolsonaro após TSE exigir tratamento igual a Lula

Empresa atribui restrições a falhas técnicas e rejeita interferência eleitoral. Tribunal determinou critérios iguais para as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, inclusive na inteligência artificial.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Meta negou, em 16 de outubro, que tenha atuado para prejudicar Lula ou favorecer Flávio Bolsonaro na campanha presidencial. A manifestação ocorreu após uma decisão da Justiça Eleitoral exigir tratamento igualitário nas plataformas da empresa. A disputa envolve restrições a anúncios, problemas nas métricas do Instagram e respostas diferentes da Meta AI a pedidos de imagens eleitorais, às vésperas do segundo turno de 25 de outubro.

O que a Justiça Eleitoral determinou

O Tribunal Superior Eleitoral confirmou por unanimidade a decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze que exige medidas para assegurar condições iguais às duas candidaturas.

Segundo a reportagem sobre a decisão do TSE, a ordem proíbe reduções artificiais no alcance de conteúdos político-eleitorais. Ela abrange mecanismos de distribuição, buscas, recomendações e métricas.

O tribunal também determinou revisão humana para restrições às contas dos candidatos ou ao impulsionamento de suas publicações. Quando um sistema automatizado aplicar uma limitação, a empresa deverá revisá-la em até duas horas e comunicar ao TSE a justificativa e o resultado.

As medidas seguem até o encerramento do segundo turno. O descumprimento pode gerar multa diária de R$ 500 mil.

A decisão ainda exige critérios idênticos na Meta AI e restringe anúncios eleitorais contratados por terceiros não autorizados, com atenção especial a contas sediadas no exterior.

Como a Meta explica os problemas

Meta Ia Whatsapp
© Shutterstock – Shutterstock

Em seu comunicado oficial sobre as eleições brasileiras, a companhia afirma que os episódios tiveram causas distintas e rejeita motivação política.

Segundo a empresa, um erro ocorrido em 7 de outubro afetou a contagem de visualizações de Reels em mais de cem países. Os números poderiam aparecer congelados ou zerados, enquanto a distribuição dos vídeos continuava normalmente.

Outro incidente, identificado em 9 de outubro, teria impedido temporariamente anunciantes de criar publicidade a partir de publicações existentes no Instagram. A Meta afirma que anúncios já em circulação e outras formas de contratação permaneceram disponíveis.

A companhia também reconheceu que a conta de anúncios da campanha de Lula ficou desativada por pouco mais de uma hora em setembro. Atribuiu o bloqueio a uma classificação incorreta durante uma análise antifraude.

Por que a inteligência artificial entrou na disputa

A campanha de Lula levou ao tribunal reclamações sobre respostas diferentes da ferramenta. Conforme a Agência Brasil relatou ao apresentar a denúncia, os advogados acusaram a Meta AI de produzir resultados favoráveis a Flávio Bolsonaro enquanto restringia pedidos envolvendo o presidente. Essa é a alegação da campanha.

A Meta atribuiu o comportamento a uma lacuna nos filtros: nomes completos de candidatos eram bloqueados, mas combinações de primeiros nomes comuns com números eleitorais podiam passar. A empresa afirma que a brecha também permitia pedidos com “Luiz” e que corrigiu o problema em 14 de outubro.

O que ainda está em discussão

Mensagens internas citadas pela imprensa indicam que funcionários reconheceram restrições às contas da campanha de Lula, embora engenheiros atribuíssem os episódios a falhas técnicas.

Reconhecer esses problemas, porém, não equivale a admitir favorecimento deliberado. A Meta mantém a negativa de interferência. A Associated Press também destacou que o comunicado não explicou especificamente as recomendações algorítmicas dos canais de Flávio no Instagram e no WhatsApp.

O caso mantém sob análise a aplicação dos sistemas automatizados durante a campanha e o cumprimento das exigências de igualdade determinadas pela Justiça Eleitoral.

 

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