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Ciência

Astronauta que passou oito meses no espaço faz alerta: humanidade ainda não está pronta para ir a Marte

Após 237 dias na Estação Espacial Internacional, Sophie Adenot alerta que o corpo humano ainda enfrenta limitações perigosas para uma viagem a Marte. Novas tecnologias serão essenciais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A humanidade sonha em colocar os primeiros astronautas em Marte, mas talvez esteja ignorando um obstáculo fundamental: o próprio corpo humano. Depois de passar quase oito meses na Estação Espacial Internacional, a astronauta francesa Sophie Adenot voltou à Terra com uma advertência. Segundo ela, as tecnologias atuais ainda não oferecem condições adequadas para enfrentar os efeitos físicos de uma viagem prolongada ao planeta vermelho.

O retorno à Terra revelou um problema preocupante

Sophie Adenot, astronauta da Agência Espacial Europeia (ESA), passou 237 dias na Estação Espacial Internacional antes de retornar à Terra em outubro de 2026.

Durante uma entrevista coletiva realizada em 13 de outubro, na cidade alemã de Colônia, ela relatou as dificuldades enfrentadas logo após o pouso de sua cápsula no oceano Pacífico.

A astronauta sofreu fraqueza intensa e vômitos, sintomas relacionados à readaptação do organismo à gravidade terrestre e ao movimento da cápsula no mar.

Segundo Adenot, mais da metade dos astronautas apresenta sintomas semelhantes após missões espaciais, embora a intensidade varie entre indivíduos.

A experiência levou a uma conclusão contundente: a humanidade ainda precisa de avanços tecnológicos revolucionários antes de enviar pessoas a Marte. O relato foi apresentado durante uma conferência oficial da Agência Espacial Europeia.

Por que uma viagem a Marte seria ainda mais difícil?

Astronauta que passou oito meses no espaço faz alerta: humanidade ainda não está pronta para ir a Marte
© Pexels

Com as tecnologias de propulsão atuais, uma viagem da Terra até Marte pode durar aproximadamente seis a nove meses, dependendo da trajetória e das condições da missão.

Esse período é semelhante ao tempo que Adenot permaneceu na estação espacial.

A diferença está nas condições de viagem.

Na estação, os astronautas contam com equipamentos para realizar exercícios físicos regularmente, além de espaço relativamente amplo para se movimentar.

Mesmo assim, a ausência prolongada de gravidade provoca perda de massa muscular, redução da densidade óssea e alterações cardiovasculares.

Dentro de uma nave interplanetária, o espaço para exercícios e movimentação provavelmente seria mais limitado.

O maior desafio seria chegar a Marte em condições físicas adequadas para realizar tarefas exigentes, incluindo deslocamentos, montagem de equipamentos e situações de emergência.

Gravidade artificial pode ser uma das soluções

Adenot acredita que duas mudanças tecnológicas poderiam reduzir os riscos das futuras missões.

A primeira seria desenvolver sistemas de propulsão capazes de diminuir significativamente o tempo de viagem.

A segunda envolveria a criação de gravidade artificial.

Uma das possibilidades estudadas consiste em construir espaçonaves com estruturas rotativas. O movimento produziria uma aceleração que poderia simular parte dos efeitos da gravidade.

Isso ajudaria a reduzir algumas consequências da exposição prolongada à microgravidade.

Entretanto, sistemas desse tipo ainda precisam ser desenvolvidos e validados para missões humanas de longa duração.

Além disso, os astronautas enfrentariam outros perigos, como radiação cósmica, isolamento psicológico e dificuldades para receber assistência médica durante a viagem.

Chegar a Marte não significa estar preparado para explorá-lo

Astronauta que passou oito meses no espaço faz alerta: humanidade ainda não está pronta para ir a Marte
© NASA

O alerta de Sophie Adenot não representa uma oposição à exploração de Marte, mas uma preocupação com a segurança das futuras tripulações.

Sua experiência demonstra que sobreviver durante meses no espaço é diferente de chegar a outro planeta com capacidade física suficiente para trabalhar imediatamente.

A gravidade marciana equivale a aproximadamente 38% da terrestre, mas ainda não se sabe completamente como o organismo humano reagiria à transição após uma longa viagem em microgravidade.

Por isso, missões à Lua, pesquisas médicas e experimentos em órbita continuarão desempenhando um papel importante na preparação das próximas etapas da exploração espacial.

Antes de levar seres humanos a Marte, será necessário garantir que eles consigam não apenas chegar ao destino, mas também viver e trabalhar com segurança depois da viagem.

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