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Ciência

Furacões mais intensos e mais amplos: como o aquecimento global está redesenhando as tempestades no Atlântico

Um novo estudo revela que o aumento da temperatura dos oceanos não apenas intensifica as chuvas dos furacões, mas também amplia a área afetada. O resultado é um cenário de maior risco de enchentes e desafios crescentes para cidades costeiras em todo o mundo.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O impacto do aquecimento global sobre eventos climáticos extremos já é visível, mas novas pesquisas mostram que a transformação pode ser ainda mais profunda. Um estudo recente publicado na revista npj Climate and Atmospheric Science indica que o aumento da temperatura dos oceanos está alterando diretamente a estrutura e o comportamento dos furacões no Atlântico Norte.

Essa mudança não se limita à intensidade dos ventos. O que está em jogo agora é a forma como essas tempestades produzem chuva — e, principalmente, como essa água se distribui no território.

Oceanos mais quentes, tempestades mais carregadas

Como a ciência já consegue transformar o mar em água potável
© Pexels

De acordo com a NOAA, os oceanos absorvem cerca de 91% do excesso de calor gerado pelos gases de efeito estufa. Entre 1993 e 2024, essa absorção aumentou continuamente, acumulando energia térmica nas camadas superficiais e profundas.

Esse calor extra funciona como combustível para os ciclones tropicais. O estudo mostra que, a cada aumento de 1 °C na temperatura do ambiente úmido onde essas tempestades se formam, o volume de chuvas extremas pode crescer, em média, 21%.

Além disso, a área atingida pelas chuvas também se expande — cerca de 12,5% a mais por grau de aquecimento. Na prática, isso significa tempestades mais perigosas, capazes de provocar enchentes em regiões muito maiores.

Quando o tamanho do ciclone muda — e o risco aumenta

Os pesquisadores observaram um comportamento curioso: em condições normais, o tamanho total dos ciclones tende a diminuir conforme a temperatura sobe. Porém, esse padrão muda em cenários de calor extremo, como no Caribe.

Nessas situações, os ciclones podem crescer, durar mais tempo e concentrar grandes volumes de chuva em áreas específicas, aumentando significativamente o risco de inundações severas.

Segundo Haider Ali, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Newcastle, o aquecimento global está ampliando tanto a intensidade quanto a extensão das chuvas associadas a essas tempestades, especialmente em regiões tropicais.

O que acontece quando o furacão deixa os trópicos

À medida que os ciclones avançam em direção a latitudes mais altas, como a Europa, eles passam por uma transformação. Tornam-se ciclones pós-tropicais, sistemas maiores e mais complexos.

Nessa fase, a dependência da temperatura diminui, e outros fatores atmosféricos passam a influenciar seu comportamento. As chuvas intensas deixam de se concentrar no centro e se espalham por áreas mais amplas, geralmente deslocadas para o nordeste da tempestade.

Esse processo aumenta o alcance dos impactos e dificulta a previsão dos efeitos locais.

Uma nova forma de medir o tamanho das tempestades

RaiOS Nas Tempestades
© FreePik

Um dos diferenciais do estudo está na metodologia. Em vez de usar medidas fixas para determinar o tamanho dos ciclones, os pesquisadores aplicaram um método dinâmico baseado na intensidade dos ventos ao redor do centro da tempestade.

Essa abordagem permite acompanhar com mais precisão como cada ciclone evolui ao longo do tempo.

Para isso, foram analisados dados de 404 ciclones ocorridos entre 2001 e 2024, incluindo informações de satélite sobre chuvas e registros internacionais de trajetórias. Desse total, 147 sistemas passaram pela fase pós-tropical.

Chuvas mais concentradas — e mais perigosas

Os resultados mostram que, em temperaturas mais altas, as chuvas intensas tendem a se concentrar mais próximas ao centro do ciclone. Isso indica uma organização maior da tempestade, com potencial para eventos extremos mais localizados e intensos.

Por outro lado, quando o sistema evolui para a fase pós-tropical, essa relação se enfraquece, e a distribuição da chuva passa a depender mais da dinâmica atmosférica de regiões temperadas.

Um desafio crescente para cidades costeiras

Os autores do estudo destacam que essas mudanças exigem uma revisão urgente das estratégias de prevenção e resposta a desastres. Furacões mais úmidos e persistentes aumentam o risco de enchentes prolongadas, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas.

A pesquisadora Hayley Fowler, também da Universidade de Newcastle, alerta que os danos causados por inundações associadas a chuvas extremas já estão crescendo — e esse aumento está diretamente ligado ao aquecimento global impulsionado por combustíveis fósseis.

Prever melhor para reduzir impactos

Entre as principais recomendações do estudo está o desenvolvimento de modelos integrados que combinem a dinâmica dos ciclones com dados hidrológicos. A ideia é prever não apenas a intensidade da chuva, mas também como ela será absorvida pelo solo e pelas bacias hidrográficas.

Isso permitiria identificar com mais precisão quais tempestades têm maior potencial de causar enchentes graves.

Com dados provenientes de instituições como a NASA e a própria NOAA, os pesquisadores reforçam que a ciência já tem ferramentas para avançar — mas a adaptação precisa acompanhar o ritmo das mudanças.

O recado é claro: em um planeta mais quente, os furacões não serão apenas mais fortes. Eles também serão mais complexos, mais amplos e mais difíceis de prever.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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