Em parceria com uma fundação da Califórnia, o Conicet explora um verdadeiro universo submerso, revelando formas de vida surpreendentes em locais que nunca haviam sido vistos com tanta nitidez.
Uma viagem subaquática que parece de outro mundo

“É como explorar outro planeta, mas debaixo d’água” — assim definem os cientistas do Conicet que, junto à Fundação Schmidt Ocean, estão conduzindo uma jornada científica pelo Atlântico Sul. A bordo do navio de pesquisa Falkor (too), o projeto “Oásis Submarinos do Cânion de Mar del Plata: Talude Continental IV” leva um robô subaquático até 3.900 metros de profundidade e transmite tudo em tempo real.
O ROV SuBastian, um veículo operado remotamente, grava em ultra alta definição e coleta amostras sem perturbar o ecossistema. É a primeira vez que essa tecnologia é usada em águas argentinas, representando um salto histórico para a ciência do país.
Graças à confluência das correntes quentes do Brasil e frias das Malvinas, a biodiversidade observada nas profundezas é riquíssima. O público pôde assistir, em tempo real, ao surgimento de estrelas-do-mar, corais de águas frias e criaturas jamais vistas naquela região. O sucesso foi tanto que o streaming liderou a audiência na madrugada de quarta-feira, segundo dados do Real Time Rating.
Uma missão científica que também encanta o público

O chefe da expedição, Daniel Lauretta, pesquisador do Conicet, destacou a importância de reunir cientistas jovens, técnicos e bolsistas num projeto interdisciplinar. Eles investigam desde a biodiversidade bentônica até o DNA ambiental, passando pela análise de microplásticos, carbono azul e dinâmica dos sedimentos.
Além do impacto científico, o projeto também busca deixar um legado educacional. As imagens e dados coletados serão utilizados para criar modelos 3D de espécies emblemáticas e conteúdos para escolas, museus e clubes de ciência.
Ahora que están todos maravillados con la cantidad de seres extraños y sus llamativas formas en el Mar Argentino frente a las costas de Mar del Plata, que es el lugar donde el gobierno de Alberto autorizó la instalación de las plataformas marinas que matarán todo esos animales. pic.twitter.com/ClRVw9uASC
— Manuel Frascaroli (@frascaroli) July 31, 2025
A própria natureza extrema do ambiente — pressão altíssima, escuridão total e frio intenso — torna cada mergulho um desafio. “O mais difícil não é a técnica, mas entender o que estamos vendo. Às vezes, nos deparamos com seres e comportamentos nunca antes registrados”, comentam os pesquisadores.
A estrela que virou celebridade: “Patrick” nas profundezas

A cultura pop também encontrou espaço na expedição. Uma estrela-do-mar flagrada a 2.600 metros de profundidade arrancou risos da equipe e do público por se parecer com “Patrick”, o personagem do desenho animado Bob Esponja. Segundo os cientistas, o formato da estrela lembrava até uma “traseirinha” com duas “nadinhas” em suas extremidades. A comparação viralizou entre os espectadores.
Onde assistir à transmissão
O streaming pode ser acompanhado ao vivo pelo canal do YouTube do Schmidt Ocean Institute. É uma rara oportunidade de observar, em tempo real, o que existe nas profundezas inexploradas do mar argentino.
Enquanto as câmeras do SuBastian continuam a descer rumo ao desconhecido, o público se surpreende com um espetáculo natural inédito. Como já disse a NASA: conhecemos mais sobre o espaço sideral do que sobre os abismos dos nossos próprios oceanos. E agora, parte desse mistério começa a ser revelado.
[Fonte: A24]