Pular para o conteúdo
Ciência

O azeite de oliva atravessou impérios, alimentou civilizações e hoje é apontado por especialistas como um dos maiores aliados da longevidade

Muito antes de se tornar um símbolo da dieta mediterrânea, o azeite de oliva já movimentava economias, sustentava impérios e fazia parte da rotina de milhões de pessoas. Agora, pesquisadores destacam que seus benefícios para a saúde podem explicar por que ele continua sendo considerado um dos alimentos mais valiosos do mundo.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Poucos alimentos conseguem reunir história, cultura e ciência em uma única garrafa. O azeite de oliva extravirgem é um desses casos raros. Presente na alimentação humana há milhares de anos, ele foi fundamental para o desenvolvimento das civilizações mediterrâneas e permanece como um dos pilares das dietas consideradas mais saudáveis do planeta. Para o antropólogo e escritor espanhol Emilio Lara, o produto ocupa um lugar especial na história da humanidade — e talvez também na busca pela longevidade.

O “ouro verde” que moldou civilizações

O azeite de oliva é frequentemente chamado de ouro verde, uma referência tanto ao seu valor econômico quanto à sua importância cultural.

Segundo Emilio Lara, doutor em Antropologia e autor do livro Un mar de oro verde, o produto desempenhou um papel semelhante ao que o petróleo exerce atualmente. Durante séculos, movimentou rotas comerciais, influenciou disputas territoriais e ajudou a sustentar economias inteiras ao redor do Mediterrâneo.

Civilizações como gregos, fenícios e romanos transformaram o azeite em um elemento essencial da vida cotidiana. Ele era utilizado na alimentação, na iluminação, em práticas religiosas, na higiene pessoal e até em tratamentos medicinais.

Para Lara, sua relevância histórica é tão grande que o azeite pode ser considerado um dos recursos estratégicos mais importantes da Antiguidade.

Por que o azeite é associado à longevidade

O substituto barato e saudável do azeite que pode mudar sua forma de cozinhar
© Pexels

Ao analisar sua trajetória histórica e seus efeitos sobre a saúde humana, Lara chegou a uma conclusão provocativa: o azeite de oliva extravirgem seria “o mais próximo que existe na natureza de uma fonte da eterna juventude”.

Embora a frase tenha um tom simbólico, ela encontra respaldo em diversas pesquisas científicas.

O azeite extravirgem é rico em polifenóis, compostos antioxidantes que ajudam a combater o estresse oxidativo, processo associado ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas.

Além disso, contém gorduras monoinsaturadas consideradas benéficas para o organismo, especialmente para a saúde cardiovascular.

Benefícios que vão além do coração

Durante décadas, os estudos sobre o azeite concentraram-se principalmente em seus efeitos sobre o sistema cardiovascular. Hoje, as pesquisas avançam em várias outras direções.

Evidências científicas sugerem que o consumo regular de azeite extravirgem ajuda a reduzir os níveis de colesterol LDL, conhecido popularmente como colesterol “ruim”, ao mesmo tempo em que contribui para a manutenção do HDL, o colesterol “bom”.

Os polifenóis presentes no produto também estão associados à redução da pressão arterial e à proteção das artérias contra processos inflamatórios que favorecem a aterosclerose.

Outro campo promissor envolve a relação entre o azeite e a microbiota intestinal. Estudos indicam que seus componentes podem favorecer o equilíbrio das bactérias benéficas do intestino, influenciando não apenas a digestão, mas também funções metabólicas e cognitivas.

O papel na proteção do cérebro

Pesquisadores também investigam o potencial do azeite na prevenção de doenças neurodegenerativas.

Os compostos antioxidantes e anti-inflamatórios presentes no alimento parecem contribuir para a proteção das células nervosas, reduzindo processos associados ao envelhecimento cerebral.

Embora os estudos ainda estejam em andamento, especialistas consideram que o azeite pode desempenhar um papel relevante na manutenção da saúde cognitiva ao longo da vida.

Há ainda pesquisas explorando possíveis relações entre seu consumo e a redução de sintomas ligados ao estresse, à ansiedade e à depressão.

Como escolher um azeite realmente extravirgem

Nem todo azeite disponível no mercado oferece as mesmas características.

Especialistas recomendam verificar se o produto é classificado como extravirgem, categoria obtida a partir da primeira extração das azeitonas e sem processos de refino químico.

Também é importante observar a procedência, a data de produção e as condições de armazenamento, já que luz, calor e oxigênio podem comprometer a qualidade do produto.

Assim como ocorre com o vinho, diferentes variedades de azeitonas produzem azeites com sabores distintos. Alguns apresentam notas mais suaves e frutadas, enquanto outros possuem características mais intensas, amargas ou picantes.

Um investimento em saúde

O aumento do preço do azeite nos últimos anos gerou debates em diversos países produtores e consumidores.

Para Emilio Lara, porém, o produto deve ser encarado não apenas como um item gastronômico, mas como um investimento em saúde.

A ciência ainda está longe de descobrir uma verdadeira fonte da juventude. Mas, entre os alimentos estudados até hoje, poucos acumulam tantas evidências positivas quanto o azeite de oliva extravirgem. Talvez seja justamente por isso que ele tenha atravessado milênios sem perder seu prestígio — e continue ocupando um lugar de destaque tanto nas cozinhas quanto nos laboratórios.

 

[ Fonte: La Nación ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados