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Galeão surpreende e vira símbolo da recuperação da aviação brasileira

Terminal carioca cresce quase 50% em 2025, quebra recordes e se prepara para um novo leilão milionário
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Aeroporto Internacional Tom Jobim, mais conhecido como Galeão, passou de “elefante branco” a protagonista da aviação brasileira. Depois de anos esvaziado e com futuro incerto, o terminal do Rio de Janeiro agora lidera o crescimento no setor. Entre janeiro e julho de 2025, o Galeão recebeu 9,7 milhões de passageiros — um salto de 49,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Anac.

Se o ritmo continuar, o aeroporto deve ultrapassar os 14 milhões de viajantes registrados em 2024, quando bateu recorde de voos internacionais e superou os níveis pré-pandemia.

A virada começou com uma decisão estratégica

Galeão surpreende e vira símbolo da recuperação da aviação brasileira
© Pexels

O ponto de virada veio em 2023, quando o governo federal impôs um teto de passageiros no Aeroporto Santos Dumont. A medida, que limitou o fluxo a 6,5 milhões de viajantes por ano, forçou companhias aéreas a redirecionarem voos para o Galeão.

Com pistas mais longas e estrutura para operar aeronaves de grande porte, o Tom Jobim rapidamente voltou ao radar das rotas internacionais. A alta do turismo estrangeiro, impulsionada pelo câmbio favorável, e a recuperação do mercado doméstico fizeram o restante do trabalho.

Enquanto o Santos Dumont praticamente estagnou (3,4 milhões de passageiros até julho de 2025, ante 3,3 milhões no mesmo período de 2024), o Galeão disparou — consolidando sua retomada.

Números que mostram a recuperação

Hoje, o Galeão é o 3º maior aeroporto do Brasil em número de passageiros, atrás apenas de Guarulhos (26,2 milhões até julho) e Congonhas (14,6 milhões).

Entre os destaques:

  • Gol ampliou em 32% suas decolagens no primeiro semestre de 2025.
  • Azul transportou 910 mil passageiros, alta de 6%.
  • Latam levou 1,6 milhão de pessoas, crescimento de 17%.

Além disso, em 2024 o terminal bateu recordes de voos internacionais e consolidou-se como um hub de longa distância — algo que parecia improvável poucos anos atrás.

Investimentos bilionários e novo leilão à vista

Em setembro de 2025, governo federal, Prefeitura do Rio e a concessionária RIOgaleão assinaram um termo aditivo para modernizar o aeroporto e preparar um novo leilão até março de 2026. O lance mínimo será de R$ 932 milhões.

O contrato original, que previa devolução da concessão em 2022, foi estendido até 2038 e inclui investimentos em infraestrutura, conforto e ampliação da capacidade. Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, “o Galeão pode se consolidar como hub de aviação da América do Sul”. O prefeito Eduardo Paes é ainda mais ousado: acredita que o terminal pode superar Guarulhos no fluxo internacional.

Desafios persistem no acesso

Nem tudo são flores. Muitos passageiros reclamam da distância e da insegurança no trajeto até o aeroporto. “Levo até uma hora para chegar ao Galeão. Evito transporte público por medo da violência na Linha Vermelha”, diz a contadora Júlia Vasconcelos, de Botafogo.

Para tentar resolver, a Prefeitura inaugurou o Terminal Intermodal Gentileza, que integra VLT, BRT e ônibus, além de criar uma faixa exclusiva na Linha Vermelha. O governo estadual também ampliou o policiamento com a Operação Segurança Presente.

O futuro depende de estabilidade

Especialistas alertam que manter esse crescimento exigirá mais do que medidas emergenciais. “A aviação brasileira é volátil. O Galeão tem potencial para ser um hub internacional de peso, mas precisa de estabilidade para não repetir a montanha-russa do passado”, analisa Jeanine Pires, ex-presidente da Embratur.

Segundo ela, o fortalecimento das rotas domésticas é essencial para garantir base operacional constante, enquanto a expansão internacional é chave para descentralizar voos de Guarulhos e Brasília e impulsionar o turismo.

De símbolo de fracasso a caso de sucesso, o Galeão prova que planejamento e investimento podem transformar realidades. A disputa agora é pelo futuro: consolidar-se como o principal hub internacional do país ou repetir o passado de altos e baixos?

[Fonte: Diário do Litoral]

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