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Tecnologia

Games of the Future e a aposta que vai além da competição

Robôs em competição, atletas treinando entre o físico e o digital e uma nova lógica cultural em construção. O Games of the Future nasce com uma proposta que ultrapassa o entretenimento e levanta uma questão central: estamos diante de um novo tipo de esporte ou de uma nova forma de viver, competir e se conectar?
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Tempo de leitura: 2 minutos

Antes mesmo das competições começarem, o Games of the Future (GOTF) deixou claro que sua ambição vai além de um grande evento internacional. Durante a conferência de abertura, realizada em Abu Dhabi, os organizadores apresentaram uma visão de longo prazo que conecta tecnologia, hábitos geracionais e participação ativa. O foco não está apenas no espetáculo, mas na criação de uma nova cultura esportiva, adaptada a um mundo cada vez mais híbrido.

O esporte como ponte entre o físico e o digital

Para Nis Hatt, CEO da Phygital International, o GOTF representa a forma mais avançada do chamado esporte phygital — uma fusão deliberada entre modalidades físicas tradicionais e dinâmicas digitais. Ele explicou que a iniciativa nasce da observação de uma geração que cresce imersa em jogos eletrônicos e interações digitais, muitas vezes distante do esporte convencional.

A proposta não é substituir o esporte clássico, mas ampliá-lo. A ideia central é transformar jogadores em atletas, integrando movimento físico às experiências digitais que já fazem parte do cotidiano. Hoje, mais de 115 países participam do ecossistema phygital, e o objetivo declarado é expandir essa rede globalmente, criando comunidades ativas, acessíveis e participativas.

Robôs, competições híbridas e o fascínio pelo futuro

Entre as modalidades mais simbólicas do evento estão as batalhas de robôs, que combinam engenharia, inteligência artificial e competição em tempo real. Para os organizadores, essas disputas não são apenas demonstrações tecnológicas, mas expressões de uma nova forma de performance esportiva.

O olhar para o futuro vai ainda mais longe. Ideias como corridas inspiradas na Fórmula 1, com competidores humanos e não humanos dividindo a pista, ilustram o espírito do projeto. A tecnologia não elimina o atleta: ela o desafia, amplia suas capacidades e redefine os limites da competição.

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© Os Games of the Future realiza-se entre 18 a 23 de dezembro. © Gizmodo / Martín Nicolás Parolari

Abu Dhabi como laboratório de longo prazo

A escolha de Abu Dhabi não é casual. Segundo Stéphane Timpano, CEO da Aspire, organização responsável pelo evento, o GOTF foi pensado com a escala e a complexidade de grandes eventos globais, comparáveis aos Jogos Olímpicos. A diferença está no foco em continuidade, não em um acontecimento isolado.

Mais de 5.000 profissionais estiveram envolvidos na organização, e os planos incluem investimentos estruturais, parcerias estratégicas e a criação de hubs permanentes e academias phygital. Esses espaços permitirão que atletas treinem regularmente nesse formato híbrido, consolidando a prática além do calendário do evento.

Um sinal claro de mudança cultural

Modalidades como o phygital shooting — que combina preparação física, ambientes imersivos e competições de laser tag transmitidas ao vivo — exemplificam como o projeto aposta no ineditismo para atrair novas audiências. Não se trata apenas de inovar, mas de dialogar com uma geração que já vive entre telas, sensores e movimento.

O Games of the Future não busca substituir o esporte tradicional. Ele responde a uma transformação cultural em curso. A pergunta que fica não é se isso é esporte “de verdade”, mas se o esporte do futuro poderia seguir outro caminho.

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