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Garrafas com mensagens da Primeira Guerra são encontradas em praia australiana

Duas garrafas lançadas ao mar por soldados australianos durante a Primeira Guerra Mundial foram descobertas mais de um século depois em uma praia remota da Austrália Ocidental. As cartas, escritas em 1916, trazem relatos comoventes e um raro vislumbre da vida de combatentes que nunca voltaram para casa.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O tempo, às vezes, guarda histórias que o acaso decide revelar. Foi o que aconteceu na praia de Wharton Beach, na Austrália Ocidental, onde mãe e filha encontraram duas garrafas com mensagens de 1916, escritas por soldados australianos a caminho da guerra. O achado emocionante lança luz sobre um dos períodos mais sombrios da história moderna — e sobre o poder humano de deixar rastros, mesmo em meio ao caos.

Um recado da guerra

As cartas foram escritas por dois jovens a bordo de navios militares que partiam da cidade de Adelaide rumo à Europa, no auge da Primeira Guerra Mundial.

A primeira, assinada por Malcolm Alexander Neville, de 28 anos, foi escrita a lápis no navio HMAS Ballarat, três dias após o embarque. Ele descreve o clima leve da viagem e até elogia a comida — com uma pitada de humor: “A comida é muito boa, tirando uma refeição que foi jogada ao mar”.

Neville termina a carta de forma tocante:

“O Ballarat está balançando bastante, mas estamos muito felizes. Seu filho que te ama, Malcolm.”

Poucos meses depois, Malcolm seria morto em combate na França, em abril de 1917. Sua mensagem, lançada ao mar antes de chegar ao front, atravessou um século para reencontrar o mundo que ele deixou para trás.

Duas histórias, dois destinos

A segunda carta foi escrita por William Kirk Harley, que descreve o deslocamento de sua tropa “em algum lugar na Baía”. Diferente de Neville, Harley sobreviveu à guerra, formou família e teve filhos — e sua mensagem agora se tornou um elo simbólico entre gerações separadas por mais de cem anos.

Ambas as garrafas estavam intactas, seladas e preservadas sob as dunas. Foram encontradas por Debra Brown e sua filha, Felicity, durante uma limpeza voluntária da praia. “Achamos que não conseguiríamos ler nada, porque havia água dentro da garrafa”, contou Debra. “Mas deixamos secar por alguns dias e conseguimos ver tudo.”

A emoção de devolver a história às famílias

Depois da descoberta, Debra e Felicity usaram as redes sociais para localizar descendentes dos soldados. Elas conseguiram contato com um sobrinho-neto de Neville e com as netas de Harley, e pretendem devolver as cartas às famílias.

“É absolutamente maravilhoso”, disse Debra à rede ABC. “Vamos ficar com as garrafas e com a carta de apresentação que Malcolm deixou para quem as encontrasse.”

Memórias que o mar guardou

Mensagens em garrafas são raras — e as da Primeira Guerra, ainda mais. Em 2018, outra carta foi encontrada perto de Esperance, datada de 1886, uma das mais antigas já registradas no mundo.

Mais de um século depois, o mar continua entregando memórias que o tempo tentou esconder. E, entre as ondas e as areias da Austrália, as palavras de dois soldados lembram que, mesmo em meio à guerra, há quem escolha escrever — e esperar ser encontrado.

[Fonte: Correio Braziliense]

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