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Tecnologia

Geração Z evita atender o telefone e estudo revela por que as ligações causam tanta ansiedade

Um levantamento mostra que boa parte dos jovens evita chamadas telefônicas. A preferência por mensagens e o medo de golpes estão mudando a forma de se comunicar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Para muitas pessoas, atender o telefone já foi um hábito automático. Hoje, porém, esse comportamento está desaparecendo entre os mais jovens. Em vez de ligações, a preferência é por mensagens de texto, aplicativos de conversa e áudios. Esse fenômeno, conhecido como telefobia, vem chamando a atenção de especialistas e já começa a impactar o ambiente de trabalho e a maneira como empresas e instituições de ensino se comunicam.

Estudo mostra que a Geração Z prefere mensagens a ligações

Geração Z evita atender o telefone e estudo revela por que as ligações causam tanta ansiedade
© Unsplash

Uma pesquisa realizada pela plataforma britânica Uswitch com 2 mil adultos do Reino Unido revelou que a relação dos jovens com as ligações telefônicas mudou profundamente.

Entre os participantes de 18 a 34 anos, 56% afirmaram associar uma ligação inesperada à possibilidade de receber uma notícia ruim. O dado mostra como o telefone deixou de ser visto apenas como uma ferramenta de comunicação e passou a despertar ansiedade em parte dessa geração.

O levantamento também identificou que 23% dos entrevistados disseram nunca atender chamadas telefônicas, enquanto 61% preferem receber uma mensagem antes de qualquer ligação.

Outro resultado chama a atenção: 68% afirmaram sentir mais conforto para falar ao telefone apenas quando a conversa foi previamente combinada. Já 63% disseram evitar atender números desconhecidos por receio de golpes, fraudes ou chamadas de spam.

Segundo especialistas, esse comportamento está diretamente relacionado às mudanças na forma como a Geração Z cresceu se comunicando. Diferentemente das gerações anteriores, esses jovens passaram boa parte da infância e da adolescência utilizando aplicativos de mensagens, nos quais é possível pensar antes de responder, editar o texto e escolher o melhor momento para enviar uma resposta.

Nas ligações, tudo acontece em tempo real. Não há espaço para revisar palavras ou ganhar alguns minutos para formular uma resposta, característica que muitos consideram mais estressante.

Golpes telefônicos também aumentaram a desconfiança

Outro fator apontado pelos pesquisadores é o crescimento das tentativas de fraude por telefone.

Nos últimos anos, ligações automáticas, ofertas comerciais insistentes e golpes envolvendo falsas centrais de atendimento fizeram com que números desconhecidos passassem a ser vistos com desconfiança.

Como consequência, muitas pessoas simplesmente ignoram chamadas de contatos que não conhecem, preferindo esperar uma mensagem para confirmar quem está tentando falar.

Especialistas destacam que essa mudança não representa necessariamente falta de interesse em conversar. Em muitos casos, trata-se apenas de uma preferência por meios de comunicação que oferecem maior controle sobre a interação.

Aplicativos de mensagens instantâneas, por exemplo, permitem responder no momento considerado mais conveniente, interromper a conversa quando necessário e reduzir a pressão de uma resposta imediata.

As notas de voz também ganharam espaço justamente por combinar elementos das ligações com a flexibilidade das mensagens escritas.

Empresas já adaptam treinamentos para lidar com a telefobia

Geração Z evita atender o telefone e estudo revela por que as ligações causam tanta ansiedade
© Unsplash

Embora os hábitos digitais estejam mudando rapidamente, muitas situações profissionais continuam dependendo do telefone.

Entrevistas de emprego, contatos com clientes, negociações comerciais e atendimentos urgentes ainda costumam acontecer por meio de ligações, o que pode representar um desafio para jovens que demonstram desconforto com esse tipo de comunicação.

Diante dessa realidade, algumas empresas começaram a incluir treinamentos específicos para ajudar novos funcionários a desenvolver maior segurança durante conversas telefônicas.

Instituições de ensino do Reino Unido também passaram a oferecer oficinas em que estudantes simulam ligações profissionais. O objetivo é reduzir a ansiedade e aumentar a confiança antes da entrada no mercado de trabalho.

Para psicólogos e especialistas em comportamento, a telefobia não deve ser interpretada simplesmente como rejeição ao diálogo. O fenômeno reflete uma mudança cultural impulsionada pelas tecnologias digitais.

A Geração Z continua se comunicando intensamente, mas escolhe canais que oferecem mais autonomia sobre quando responder, como organizar as ideias e quanto tempo dedicar a cada conversa.

Enquanto isso, o telefone, que durante décadas foi o principal símbolo da comunicação à distância, perde espaço para aplicativos de mensagens e áudios, transformando profundamente a forma como as novas gerações constroem seus relacionamentos pessoais e profissionais.

[Fonte: TN]

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