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Tecnologia

Google não terá que vender o Chrome (mas há uma condição)

Um tribunal dos EUA decidiu que o Google não precisará se desfazer do navegador Chrome nem do sistema Android, mas a vitória veio acompanhada de restrições inéditas. A gigante da tecnologia terá que compartilhar dados com concorrentes e limitar contratos exclusivos, em um caso que reacende o debate sobre monopólios digitais.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Durante anos, o domínio do Google nas buscas e na distribuição de seus serviços gerou críticas e processos por práticas anticompetitivas. Agora, a decisão do juiz Amit P. Mehta marca um divisor de águas. Embora o Chrome e o Android estejam a salvo de uma separação forçada, a empresa terá que abrir parte de seu ecossistema e enfrentar novas regras que podem mudar a forma como opera no mercado global.

A decisão do tribunal

O juiz federal rejeitou a exigência de que o Google vendesse o navegador Chrome ou o Android, alegando que esses ativos não foram usados diretamente para impor restrições ilegais. A notícia fez as ações da empresa subirem logo após o anúncio.

No entanto, o tribunal determinou que o Google deve compartilhar “dados de busca indexada e de interação de usuários” com concorrentes qualificados, ainda que os dados publicitários fiquem de fora. Além disso, a empresa não poderá manter contratos exclusivos envolvendo Google Search, Chrome, Google Assistant e o aplicativo Gemini.

A força do Chrome e a proposta rejeitada

Com mais de 3,5 bilhões de usuários no mundo, o Chrome é uma das ferramentas mais influentes da era digital. Recentemente, a empresa de IA Perplexity chegou a oferecer US$ 24,5 bilhões para comprá-lo, embora seu próprio valor de mercado fosse de apenas US$ 18 bilhões. Muitos analistas viram a proposta como um movimento simbólico, sem chances reais de avançar.

A reação do Google

Em comunicado, a companhia afirmou que a decisão reconhece as mudanças trazidas pela inteligência artificial, que oferece novas formas de buscar informação. O Google disse discordar da decisão de 2024 que o classificou como monopólio ilegal, mas destacou que continuará focado em criar produtos inovadores.

Mesmo assim, a empresa expressou preocupação com o impacto sobre a privacidade dos usuários ao ser obrigada a compartilhar dados de busca com concorrentes.

O Chrome
© Anna Moneymaker – Getty Images

Críticas de rivais

A DuckDuckGo, uma das principais concorrentes, criticou o veredito por considerá-lo brando demais. Em nota, a empresa afirmou que a decisão “permite que o Google continue usando seu monopólio para sufocar rivais” e pediu que o Congresso norte-americano intervenha para garantir uma competição mais justa.

O próximo capítulo

O Google deve recorrer e pode contar com lobby nos bastidores, especialmente em um cenário político em que grandes empresários têm influência direta sobre o governo. O CEO Sundar Pichai já esteve em encontros com líderes como Donald Trump, o que levanta especulações sobre possíveis articulações futuras.

Por enquanto, a decisão representa um meio-termo: o Google preserva seus ativos mais valiosos, mas enfrenta a obrigação de abrir parte do que sempre manteve fechado — seus dados. O resultado da apelação pode definir não apenas o futuro da empresa, mas também os rumos da regulação tecnológica nos Estados Unidos.

Fonte: Gizmodo ES

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