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Ciência

Grande Barreira de Corais enfrenta declínio recorde e risco de colapso

O maior recife de corais do planeta viveu, em 2024, o verão mais devastador de sua história. O aumento extremo da temperatura da água, agravado pelo El Niño, provocou um branqueamento em massa que ameaça a sobrevivência de um ecossistema vital para a biodiversidade e para a economia australiana.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Símbolo de beleza natural e lar de milhares de espécies, a Grande Barreira de Corais da Austrália enfrenta um dos períodos mais críticos já registrados. Um novo relatório revela perdas sem precedentes, levantando o temor de que o recife possa atingir um ponto de não retorno. Cientistas e ambientalistas pedem ação urgente.

Declínio sem precedentes

De acordo com o Instituto Australiano de Ciências Marinhas (AIMS), a Grande Barreira perdeu entre um quarto e um terço da cobertura de corais duros em três regiões principais em 2024. Em algumas áreas, a perda chegou a 70%.
O branqueamento em massa, provocado pelo calor intenso e pelo El Niño, foi descrito por cientistas como “incêndios florestais subaquáticos”. A devastação afetou especialmente corais de crescimento rápido, que haviam impulsionado a recuperação após eventos anteriores.

Ponto crítico de recuperação

O relatório alerta que os recentes ganhos na saúde do recife eram frágeis, e que a perda acelerada desses corais levanta a possibilidade de um colapso irreversível.
“É uma questão de tempo até que esses avanços desapareçam”, diz o documento. Caso as temperaturas elevadas persistam, a recuperação será improvável, comprometendo a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos essenciais que o recife fornece.

Impacto ambiental e econômico

Com 2.300 quilômetros de extensão e quase 345 mil quilômetros quadrados de área, a Grande Barreira abriga mais de 1.500 espécies de peixes e 411 espécies de corais duros. O recife também sustenta uma indústria turística que injeta bilhões de dólares por ano na economia australiana.
Além disso, atua como barreira natural contra inundações, ciclones e erosão costeira, protegendo comunidades inteiras.

Histórico de branqueamentos

Eventos de branqueamento em massa já ocorreram em 1998, 2002, 2016, 2017, 2020 e 2022. Os corais podem se recuperar se as temperaturas da água caírem, mas morrem se o calor persistir.
Os oceanos têm absorvido 90% do excesso de calor gerado pelo aquecimento global, e os últimos oito anos foram os mais quentes já registrados. Em 2025, novas ondas de calor marinho já começaram a causar danos adicionais, ainda não contabilizados no relatório.

Chamado à ação

O Conselho de Conservação de Queensland, que reúne dezenas de grupos ambientais, classificou os dados como “um alerta urgente” e defendeu medidas drásticas para cortar emissões de gases de efeito estufa e fechar usinas a carvão.
Embora a Austrália esteja migrando para energias renováveis, especialistas afirmam que o ritmo é insuficiente para conter a crise climática que ameaça o recife.

Um futuro incerto

“É improvável que os recifes do futuro se pareçam com os do passado. A perda de biodiversidade parece inevitável”, conclui o relatório. Pesquisadores pedem mais estudos sobre adaptação e estratégias de proteção enquanto o mundo trabalha para reduzir as emissões.
Sem ação rápida e coordenada, a Grande Barreira de Corais pode deixar de ser um símbolo de vida para se tornar um lembrete sombrio do impacto humano nos oceanos.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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